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Polícia

Polícia faz reconstituição de feminicídio ocorrido no Jardim Alvorada

Reconstituição do crime aconteceu na tarde de terça-feira, 1.º

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Crime vitimou Ana Paula Fernandes, de 31 anos, morta a facadas pelo marido, Jeferson Ribas de Souza, em março de 2018

Na terça-feira, 1.º, a Polícia Civil realizou a reconstituição do crime de feminicídio ocorrido no bairro Jardim Alvorada, em 29 de março de 2018. A vítima foi Ana Paula Fernandes, de 31 anos, morta a facadas pelo marido, Jeferson Ribas de Souza, de 37 anos que, logo depois, tentou suicídio. O autor do crime irá a júri popular, que já está marcado para o dia 30 de novembro, no Fórum de Paranaguá.

Na data do crime, Jeferson ficou internado no Hospital Regional do Litoral e, em seguida, preso em flagrante pela Polícia Civil. Atualmente, ele está preso no município de Castro, onde aguarda o julgamento, e não esteve em Paranaguá, no local do crime, para a reconstituição.

JÚRI POPULAR

A sessão de julgamento terá início às 9h, no dia 30 de novembro, e é aberto para a população. A 1.ª Vara Criminal de Paranaguá, responsável pelo Tribunal do Júri, informou que a sentença de pronúncia foi proferida no dia 13 de novembro de 2018, quando foi decidido que o processo seria julgado por meio de júri popular.

O advogado de defesa de Jeferson entrou com recurso em sentido estrito, ou seja, visando à reforma da decisão da juíza. No entanto, o réu constituiu um novo advogado, Dr. João Mario Machado de Jesus, que em fevereiro deste ano pediu a desistência do recurso.

A senhora Eliana de Paula Fernandes, mãe da vítima, figura como assistente de acusação e será representada pelos advogados Dr. José Roberto Affolter e Dr. Marcelo Nunes Machado.  “A reconstituição auxilia os jurados na elucidação dos fatos. A polícia reconstituiu, desde a primeira mecânica, como aconteceram os fatos dentro de casa, como o autor cometeu o crime, o número de facadas, quando ela é levada para o quarto, as testemunhas, o momento que a filha tenta abrir a porta do quarto. Depois, como foi a prestação de socorro, através das pessoas que estavam na frente da casa, o desespero de uma família ao ver a mulher assassinada. Todas essas informações serão levadas para os jurados, reproduzindo fielmente o dia dos acontecimentos”, relatou Dr. Affolter.

A família, segundo o advogado, espera que o réu receba a sentença condenatória pelo assassinato. “Quando acontece uma morte dessas, a família fica desmontada, a saga sempre é de justiça. Ninguém em sã consciência quer ter alguém da família morto cruel e covardemente como foi o caso da Ana Paula. Não queremos fazer juízo de valor, mesmo porque os fatos que serão levados para o Tribunal do Júri, as fotos e os depoimentos comprovam que foi um assassinato vil, covarde, cruel e, principalmente, contra uma mulher indefesa”, afirmou Dr. Affolter.

FEMINICÍDIO

O feminicídio resulta em prisão, prevista pelo Código Penal, de 12 a 30 anos. Segundo o advogado, a qualificadora veio para reforçar a proteção que a mulher deve ter. “A mulher é dona da sua vida, todos nós temos domínio da nossa vida. Ninguém é escravo de ninguém ou veio para sofrer. Quando o casal não está satisfeito, desfaz o matrimônio, mas assassinar o outro, ninguém tem esse direito”, destacou Dr. Affolter.

Assassinato de Ana Paula gerou grande comoção de familiares e amigos (Foto: Divulgação/Facebook)

RELEMBRE O CASO

O crime ocorreu na véspera de Sexta-Feira Santa, dia 29 de março de 2018, por volta das 23h, após uma discussão do casal na casa em que morava, na Travessa do Líbano, no Jardim Alvorada. Jeferson esfaqueou a esposa e tentou se matar com cortes em um dos punhos, mas foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e encaminhado ao Hospital Regional do Litoral em estado grave.

Segundo a Polícia Militar, vizinhos entraram em contato relatando uma briga de casal e uma equipe foi imediatamente até o local, que estava em silêncio. Os policiais tentaram entrar, mas foram impedidos pelo marido, quando os agentes conseguiram ver pela fresta da porta o corpo de Ana Paula, além de muito sangue. A PM afirmou que o corpo da mulher tinha marcas de faca nas mãos e no corpo, o que pode demonstrar que ela tentou lutar por sua vida e se defender dos golpes.

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