O discurso do deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos) toca em um ponto sensível e historicamente relevante para o Paraná que foi a perda gradual de protagonismo político no cenário nacional. Em um país onde os grandes projetos estruturantes dependem de articulação em Brasília, ter representação forte no Senado Federal deixou de ser apenas uma questão partidária e passou a ser um fator estratégico de desenvolvimento econômico, institucional e federativo.
O Paraná consolidou nas últimas décadas uma posição de destaque na produção agrícola, na eficiência logística, na geração de empregos e no fortalecimento de seus portos, especialmente o complexo dos Portos do Paraná, um dos mais importantes da América Latina. Entretanto, muitas vezes esse peso econômico não se converte proporcionalmente em influência política dentro das grandes decisões nacionais. É justamente nesse vazio que o discurso de Alexandre Curi busca se posicionar.
Ao defender a retomada do protagonismo do Estado no Senado, Curi resgata uma visão clássica de estadista: a de que o Paraná precisa pensar além das disputas eleitorais imediatas e construir uma presença institucional permanente em Brasília. Não se trata apenas de ocupar cadeiras no Congresso, mas de defender interesses estruturais como infraestrutura, concessões, logística, segurança jurídica, investimentos portuários, agricultura, sustentabilidade e fortalecimento dos municípios.
Outro aspecto relevante do discurso é a defesa da estabilidade política como ferramenta de crescimento. Em um ambiente nacional marcado por polarizações constantes, o Paraná construiu nos últimos anos uma narrativa baseada em pragmatismo administrativo, diálogo federativo e previsibilidade institucional. A fala de Curi reconhece que desenvolvimento econômico exige ambiente político equilibrado, capaz de atrair investimentos e manter confiança nos setores produtivos.
A valorização do municipalismo também merece destaque. O Paraná possui forte tradição de cidades economicamente organizadas e de lideranças regionais influentes. Ao afirmar que o Estado precisa de representantes conectados com os municípios, o deputado reforça um modelo político descentralizado, no qual o desenvolvimento não se concentra apenas na capital, mas alcança diferentes regiões do território paranaense.
Há ainda um componente simbólico importante. Historicamente, o Paraná já exerceu papel decisivo na política nacional, influenciando debates econômicos, jurídicos e administrativos. Recuperar essa relevância significa, na prática, recolocar o Estado no centro das grandes discussões sobre o futuro do país. Em tempos de transformação econômica global, transição energética e reorganização logística internacional, estados competitivos precisam também ser politicamente influentes.
O desafio, contudo, vai além dos discursos. O verdadeiro protagonismo se mede na capacidade de transformar influência política em resultados concretos para a população. Brasília continua sendo o centro das decisões sobre orçamento, infraestrutura, tributos e investimentos. Sem articulação forte, mesmo os estados mais eficientes correm o risco de perder espaço no cenário nacional.
O debate levantado por Alexandre Curi, portanto, ultrapassa uma pré-candidatura ao Senado. Ele coloca em discussão qual papel o Paraná deseja exercer no Brasil das próximas décadas, isto é, ser apenas uma potência econômica regional ou transformar sua força produtiva em liderança política nacional consistente e duradoura.
As declarações foram feitas durante encontro político promovido pelo PSD na noite de terça-feira (19), em Campo Largo, com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Junior e do secretário Sandro Alex, pré-candidato ao Governo do Estado. O encontro simbolizou mais do que uma movimentação eleitoral. Ele representou a consolidação um projeto político baseado em continuidade administrativa, fortalecimento institucional e presença estratégica do Paraná no cenário nacional. Em um momento em que o Brasil discute competitividade, infraestrutura e desenvolvimento regional, o Paraná parece buscar não apenas manter seu ciclo de crescimento, mas também ampliar sua capacidade de influência nas decisões que moldarão o futuro do país.






