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Nossas escolhas

Por: Kátia Muniz          Acabei de ler “O mundo pós-aniversário”, uma obra de literatura estrangeira, da autora Lionel Shriver, a mesma de “Precisamos falar sobre Kevin”. O livro conta a ...

Kátia Muniz

Kátia Muniz

Por: Kátia Muniz         

Acabei de ler “O mundo pós-aniversário”, uma obra de literatura estrangeira, da autora Lionel Shriver, a mesma de “Precisamos falar sobre Kevin”.

O livro conta a história de Irina, uma mulher de quarenta e poucos anos que, em determinado momento da vida, precisa fazer uma escolha. Alguma novidade até aí? Nenhuma. Escolhas todos nós fazemos diariamente.

Mas a obra se torna interessante justamente por apresentar a história em duas versões. Em uma delas, Irina toma uma decisão; na outra, não mexe em nada, ou seja, deixa tudo como está.

Ficção é isso, essa fábrica de sonhos e fantasias que nos permite projetar, um pouco talvez, como gostaríamos que as coisas realmente fossem.

Não podemos contar a nossa história em duas versões. Por isso, fazemos nossas escolhas e arcamos com as consequências que delas decorrem. Ninguém nos entrega um roteiro pronto, indicando qual caminho será o melhor a seguir. 

Escolhemos com base no que somos, no que pensamos, na maneira como fomos criados e educados, nos nossos valores, nas nossas crenças, na forma como enxergamos o mundo. Ainda assim, em muitas ocasiões, certos questionamentos aparecem para atazanar a nossa mente e, por que não dizer, nos inquietar: “E se eu tivesse agido, pensado ou decidido de maneira diferente?” 

Se eu tivesse cursado Arquitetura e não Direito, se eu tivesse ficado solteiro em vez de casar e formar uma família, se eu tivesse pensado menos e agido mais, se eu tivesse escolhido outro lugar para morar, se eu tivesse largado tudo para realizar aquele sonho de escalar montanhas, se eu tivesse mudado de emprego…

A vida e suas bifurcações nos colocam à prova o tempo todo, exigindo decisões. Muitas delas tomadas no impulso, na correria, na pressa, na urgência, sem o tempo necessário para a reflexão e o amadurecimento da questão envolvida. Uma única vida e um leque enorme de possibilidades sobre o que fazer com ela. 

E nossas escolhas não ficam restritas a nós. Podem interferir aqui, ali e acolá. Quase nunca são solitárias. Não raro, arrastamos as pessoas mais próximas conosco ou, ainda, sofremos a influência de outras nos momentos em que precisamos decidir.

Se resolvermos virar à esquerda e não à direita, se usarmos o coração em vez da razão ou se fizermos exatamente o contrário, são escolhas nossas, únicas, intransferíveis. 

E assim prosseguimos, em cena, apresentando ao mundo quem somos. E quem somos? Em grande medida o resultado das nossas próprias escolhas.


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Kátia Muniz

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

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