Meio Ambiente

“Sentinelas” do ecossistema: Cerca de 25 mil aves são registradas no litoral do Paraná no primeiro semestre de 2026

Monitoramento da Portos do Paraná demonstra equilíbrio entre desenvolvimento econômico e meio ambiente

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Guará, uma das aves que tinha pouco registro no início do programa em 2016, teve aumento gradual de presença na região nos últimos anos Foto: Claudio Neves/GCom - Portos do Paraná

Na quinta-feira, 8, a Portos do Paraná divulgou informações sobre o Programa de Monitoramento da Avifauna realizado no ecossistema local acompanhando espécies mais frequentes no Porto de Paranaguá, com foco em aves raras ou de passagem, que são influenciadas pelos ciclos migratórios. A iniciativa visa a demonstração do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e meio ambiente, com reforço de ações de conservação no litoral do Paraná e já detectou a presença de 24.941 indivíduos pertencentes a 149 espécies de aves na região estuarina. O levantamento funciona como um indicador da saúde ecológica do Litoral paranaense diante das atividades portuárias. 

 “Nossos programas voltados à preservação do meio ambiente são reconhecidos internacionalmente. Somos o único porto do mundo convidado pela ONU a participar, desde 2019, das edições da COP. E no próximo mês estaremos presentes novamente na COP31, na Turquia”, afirma Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná.

De acordo com a Portos do Paraná, o monitoramento ocorre de forma contínua desde 2016, com realização de censos mensais por biólogos que mesclam caminhadas terrestres e um transecto embarcado, percurso de barco que se estende desde Pontal do Sul, na Ilha do Mel, até o município de Antonina.

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Foto: Claudio Neves/GCom – Portos do Paraná

“A comunidade de avifauna é bem diversa e serve como o que podemos chamar de sentinelas ambientais. As aves respondem muito mais rápido às alterações do ambiente do que outros grupos. Se houver qualquer acidente ou derramamento de óleo no entorno do porto que ninguém tenha visto, as aves que se alimentam nos baixios serão as primeiras a sofrer. Quando a contagem mensal aponta uma diminuição abrupta na riqueza ou abundância de uma espécie, acende-se um alerta de que algo está errado no ecossistema”, afirma o biólogo Elliezer Correia, responsável pela execução do programa, frisando que o grupo das aves é estratégico para a conservação por funcionar como um indicador biológico imediato.

Espécies variadas e equilíbrio ambiental

Segundo os dados obtidos entre janeiro a junho deste ano, a alta presença de aves demonstra a diversidade biológica ampla da área monitorada. “A ordem dos Passeriformes, que engloba aves continentais e de mangue, manteve a liderança em diversidade, com 66 espécies registradas. Em seguida, destacam-se os Charadriiformes, representados por 19 espécies de aves de praias e lodaçais, e os Pelecaniformes, grupo que inclui garças e espécies afins, que somaram 12 espécies no período”, detalha.

“Em relação à abundância no semestre, a espécie mais numerosa foi o biguá (Nannopterum brasilianum), com 8.495 indivíduos observados. A segunda colocação ficou com o urubu-preto (Coragyps atratus), com 1.955 indivíduos, seguido pelo trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), que contabilizou 1.733 indivíduos”, informa a empresa pública.

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Foto: Claudio Neves/GCom – Portos do Paraná

“O biguá é historicamente a espécie mais abundante no nosso monitoramento, somando mais de 60 mil registros desde 2016. Como eles formam grandes bandos e são fáceis de identificar, é comum registrarmos mais de mil indivíduos em uma única campanha embarcada”, salienta o biólogo. “O guará passou muito tempo sumido da região. No início do programa, em 2016, quase não tínhamos registros dele. Nos últimos anos, percebemos um aumento gradual na sua abundância. Sua volta está ligada a fatores como a preservação dos manguezais para nidificação e a conscientização contra a caça”,  completa Elliezer Correia.

Segundo a Portos do Paraná, os dados acumulados pela ao longo desta década de censos mensais “servem de base técnica para que o Porto de Paranaguá continue desenvolvendo planos de recuperação ambiental e medidas mitigadoras, contribuindo para que a infraestrutura portuária paranaense cresça em harmonia com a natureza”, finaliza.

Com informações da Portos do Paraná


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Leonardo Quintana Bernardi

Editor-chefe da Folha do Litoral News. Jornalista graduado pela PUC-PR com atuação desde 2012 no jornalismo impresso, online e em audiovisual, bem como em assessoria de comunicação. Já trabalhou em órgãos públicos, jornais locais, freelances em veículos de alcance nacional e desempenha suas funções na Folha do Litoral News desde 2017. Defensor do jornalismo como meio de transformação social.

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