O Tesouro Nacional realizou nesta quinta-feira, 8, a maior venda de títulos prefixados desde 2020. A operação, embalada pelo cenário eleitoral, adicionou US$ 1,331 bilhão ao mercado, conforme o indicador DV01, que mede a sensibilidade dos preços dos títulos às variações nas taxas de juros.
Esse foi o terceiro maior valor do ano, atrás apenas dos leilões de 29 de janeiro, com US$ 1,44 milhão, e de 3 de setembro, com US$ 1,35 milhão.
As taxas dos contratos de DI, que refletem as expectativas para os juros futuros, cederam com força depois da publicação dos editais e voltaram a recuar após o resultado do leilão.
LTNs dominam oferta de títulos
As Letras do Tesouro Nacional (LTNs), títulos prefixados com rentabilidade definida no momento da compra, concentraram a maior parte da operação. Os papéis com vencimento em janeiro de 2028 e julho de 2029 responderam por quase 80% dos títulos ofertados.
Já entre as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-Fs), que pagam juros semestrais, o lote de janeiro de 2031 concentrou mais de dois terços das vendas. O lote de 2033, por sua vez, teve menos de um terço dos papéis colocados.
Leilão reflete apetite por risco
O forte interesse pelos prefixados ocorre em meio à proximidade das eleições, período em que investidores podem buscar travar taxas mais altas diante da incerteza. A queda nas taxas dos contratos de DI após o leilão indica que a demanda superou as expectativas, pressionando os rendimentos para baixo.
Para Sergio Goldenstein, ex-chefe do departamento de mercado aberto do Banco Central e sócio-fundador da consultoria Eytse Estratégia, o movimento reflete a busca por proteção contra a volatilidade. “O investidor aproveita a janela de taxas elevadas para garantir retorno real”, afirmou.
O resultado reforça a liquidez do mercado de títulos públicos e a confiança dos investidores na gestão da dívida, mesmo em um ambiente de incertezas políticas.
Com informações do InfoMoney





