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Infraestrutura

Nova Ferroeste: Técnicos do Governo Federal e Estadual visitam Porto de Paranaguá

Projeto ampliará e reduzirá impacto viário da malha ferroviária em 1.285 quilômetros

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Na manhã da terça-feira, 22, representantes do Governo Federal e do Governo do Estado, junto a membros do Grupo de Trabalho do Plano Estadual Ferroviário, realizaram visita técnica ao Porto de Paranaguá e à malha ferroviária do município, cumprindo cronograma de planejamento da Nova Ferroeste. O projeto, que é do Governo Estadual, pretende criar um novo traçado, com 1285 quilômetros, vai ligar os municípios de Maracaju- MS e Paranaguá, trazendo ganhos logísticos para o Porto e economia paranaense, bem como reduzindo impacto viário, com alternativas de mobilidade urbana e sustentabilidade. 

“A Nova Ferroeste é importante porque é um investimento na infraestrutura que assegura o desenvolvimento do Estado, principalmente com um estado com um potencial logístico como o Paraná. Nós estamos trabalhando em todos os modais, no aéreo, rodoviário, mas o ferroviário é algo que há dezenas de anos é um desejo do setor produtivo, porque gera competitividade. Quando você chega ao Porto de Paranaguá, com o menor tempo e com uma escala melhor para o setor produtivo, você agrega valor e traz mais competitividade. Este é o nosso maior desafio. Estamos falando de um projeto que começou com Dom Pedro II que é a descida da Serra do Mar. Durante muitos anos isso foi discutido e não se avançou, mas agora estamos debruçados para que se possa tirar isso do papel e estamos em parceria com o Governo Federal”, explica o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex. 

“A Nova Ferroeste é importante porque é um investimento na infraestrutura que assegura o desenvolvimento do Estado”, ressalta o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex

Segundo Sandro Alex, o maior desafio do novo traçado está na descida da Serra do Mar e chegada ao Porto de Paranaguá. “O Porto  também está se preparando para esta nova ferrovia. Estamos até o final do mês recebendo os novos projetos para o Moegão, ou seja, esta chegada tem que estar preparada aqui também. Se nós temos hoje em torno de 5 milhões de toneladas sendo trazidas por trem, nós vamos, nos primeiros anos, ampliar  esse volume e o Porto tem que estar preparado para receber. O Porto também deve na praça um edital a partir dos próximos meses prevendo a construção do Moegão com em torno de R$ 500 milhões. Também iremos receber até o próximo mês o projeto do novo Corredor de Exportação, onde nós vamos ampliar o volume e a velocidade para poder escoar exatamente tudo isso que estará chegando, dando ainda mais eficiência ainda ao nosso Porto que é o número um do Brasil”, complementa. 

“O ponto mais importante aborda o traçado, o estudo e o projeto, nós temos prazo para entregar. Queremos finalizar o EIA-RIMA e os estudos até o final deste ano para que possa ser avaliado e no primeiro semestre do ano que vem que nós possamos estar decidindo então a data para o leilão na B3 na Bolsa de Valores onde nós vamos colocar então a concessão à disposição do mercado internacional”, explica. “É um projeto que vai revolucionar a estrutura e a logística do Paraná”, complementa, destacando que a Nova Ferroeste é a única concessão estadual que está dentro do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) do Governo Federal.

Redução do impacto viário em Paranaguá

O diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia da Silva, salienta que a Nova Ferroeste beneficiará a competitividade do Porto e a redução de impacto Porto-Cidade. “Teremos mais trens, mas de forma muito mais organizada. Às vezes as pessoas têm a percepção de que se hoje está assim, se você aumentar vai piorar, mas é pelo contrário, a Nova Ferroeste nos permite uma reorganização de todo este fluxo, diminuindo impactos, tirando trens de vias  por onde passam e trazendo investimentos não só na ferrovia, mas também, talvez, em obras como pontes, viadutos, para que possamos cada vez ter uma operação mais limpa, competitiva e eficiente, diminuindo impacto na cidade diretamente”, explica.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia da Silva, destaca que nova ferrovia trará também redução do impacto viário na cidade

Segundo o diretor-presidente, desde 2019 a Portos do Paraná possui um projeto para construção de um viaduto ou uma ferramenta viária para equilibrar o tráfego viário e ferroviário na Avenida Roque Vernalha, algo que poderá ser contemplado neste novo projeto junto ao Governo Federal. “Esta interrupção hoje é danosa, a população sente. Não é concebível hoje você aumentar o projeto sem revolver um problema de década, seja, por qualquer projeto, pela Ferroeste, ou não tanto esperar a Ferroeste e, de repente, o DNIT enxergar uma possibilidade de que este trecho seja adequado com uma obra de arte especial, um viaduto, para que esta interrupção não ocorra”, destaca.

Ministério da Infraestrutura

Marcos Félix, assessor especial do Ministério da Infraestrutura, destacou que o objetivo da visita é colaborar com o projeto da Nova Ferroeste. “Ele é muito importante para a melhoria da infraestrutura ferroviária no sul do Brasil e para fazer o escoamento por Paranaguá, que é responsável por boa parte do escoamento de grãos do Sul do Centro-Sul do País, mas ainda está muito dependente do modal rodoviário. A expansão da Nova Ferroeste para o Mato Grosso do Sul ajuda a equilibrar a matriz do transporte, dando nova viabilidade para o modal ferroviário, ajudando a economia do País com redução de custos, melhor balanço ambiental, diminuição de acidente e melhoria da logística como um todo”, explica. “A Ferroeste é uma concessão federal, embora administrada por uma empresa estadual, então é da nossa competência como Governo Federal dar a melhor exploração dando a melhor sinergia para a rede, isso é importante também porque a Ferroeste se integra também à Malha Sul, que é administrada pela RUMO Logística. Essa harmonia é importante para o Governo Federal”, explica.

Para Marcos Félix, assessor especial do Ministério da Infraestrutura, nova ferrovia “é muito importante para a melhoria da infraestrutura ferroviária no sul do Brasil e para fazer o escoamento por Paranaguá”

Um ponto importante do projeto é a utilização de só um trecho de ferrovia em Curitiba e no litoral. “Este é um empreendimento que vai ser caro, estamos falando de construir uma nova descida da Serra, o que não é uma coisa fácil. Ele tem que se tornar viável do ponto de vista econômico e ambiental e no futuro é possível haver uma só linha, mas é algo que ainda estamos estudando, não há nada definido ainda. Os resultados dos estudos técnicos ainda irão apontar aí em consórcio não só com o novo projeto da Ferroeste como também o da renovação da Malha Sul, onde iremos apurar qual será o projeto mais interessante, viável e que vai dar o melhor resultado para o modal ferroviário como um todo”, explica Félix.

Plano Estadual Ferroviário e FIEP

“O modal ferroviário dá um ganho de produtividade muito grande ao reduzir o Custo Brasil, que é o custo logístico e que tem inibido muito o desenvolvimento do País. No Brasil, por ter dimensões continentais, favorece muito a utilização da ferrovia e se formos considerar o tipo de carga ele também se encaixa no modal ferroviário. A questão ferroviária no País e, em particular, no nosso Paraná, é muito forte”, afirma o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes. Ele destaca a orientação do governador Ratinho Júnior em focar a sustentabilidade e a redução de impactos viários na cidade e para a população. 

“O modal ferroviário dá um ganho de produtividade muito grande ao reduzir o Custo Brasil, que é o custo logístico e que tem inibido muito o desenvolvimento do País”, destaca o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes

“Em Paranaguá iremos triplicar o  volume de cargas pelo modal ferroviário. Todo o trecho de entrada no Porto vai ter que ser  repotencializado. O nosso Porto já está se preparando para o futuro, tanto que estão trabalhando a questão do Moegão, que é a movimentação ferroviária dentro do Porto. Terá que haver uma conexão, por isso é importante a participação do Governo Federal, pois este trecho de entrada é responsabilidade dele, faz parte da concessão da Malha Sul”, acrescenta Fagundes, destacando que haverá compensações urbanas no município, como, por exemplo, na Avenida Roque Vernalha. 

“Qualquer País do mundo de larga extensão territorial como o Brasil usa muito mais ferrovias do que nós usamos, mas felizmente projetos como este da Nova Ferroeste”, afirma João Mohr, gerente de Assuntos Estratégicos do Sistema FIEP 

João Mohr, gerente de Assuntos Estratégicos do Sistema FIEP, salienta que a obra será positiva para a economia e para a sociedade paranaense. “Agora estamos vendo investimentos acontecendo neste modal. Qualquer País do mundo de larga extensão territorial como o Brasil usa muito mais ferrovias do que nós usamos, mas felizmente projetos como este da Nova Ferroeste e outros projetos que estão acontecendo no Brasil vão colocar de novo o foco na ferrovia”, destaca, ressaltando as vantagens econômica, ambiental e social do modal ferroviário, barateando o transporte, reduzindo poluição e melhorando qualidade de vida de caminhoneiros em viagens menores, sem desgaste e distância da família.

Sobre a Ferroeste 

“A Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. é uma empresa de sociedade mista que possui o Governo do Estado como maior acionista.  “A empresa detém a concessão de uma ferrovia entre Guarapuava e Dourados (MS), embora o trecho construído e em operação seja de 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava. Todos os anos circulam por esse trecho cerca de 1,5 milhão de toneladas de produtos, a maioria grãos (soja, milho e trigo), farelo e contêineres com destino ao Porto de Paranaguá. No sentido importação, chegam insumos agrícolas como adubos, fertilizantes, cimento e combustíveis”, explica a assessoria. “Com a criação do projeto da Nova Ferroeste o traçado foi ampliado nas duas pontas, além do surgimento de um ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu. O projeto inclui a desestatização da atual Ferroeste e a revitalização do atual trecho ferroviário, além da construção de um novo traçado entre Guarapuava e Paranaguá e de um ramal multimodal entre Cascavel e Foz do Iguaçu”, finaliza.