O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio, reforça a importância do cuidado humanizado às pessoas em sofrimento mental, defendendo o tratamento com respeito, liberdade e inclusão social. A data também chama atenção para o combate ao preconceito e à exclusão historicamente enfrentados por pacientes da saúde mental.
A enfermeira do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS Solar dos Girassóis), Silvia Cristina Antunes Macagan, destaca que a luta antimanicomial busca romper com os estigmas ainda presentes na sociedade, principalmente em relação aos serviços de saúde mental. “A mensagem que eu gostaria de deixar para a população é que precisamos fortalecer e dar visibilidade aos serviços de saúde mental, como o CAPS, para derrubar os estigmas e preconceitos relacionados ao sofrimento mental e ao tratamento dessas pessoas”, afirma.
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Silvia Macagan também chama atenção para o uso de termos pejorativos e preconceituosos nas redes sociais. “Nós, profissionais que atuamos nessa área, observamos muitos memes nas redes sociais falando sobre o CAPS e sobre quem deve ser encaminhado para o serviço. Sim, são pessoas em sofrimento mental, mas ainda utilizam termos pejorativos, como ‘o louco’. Precisamos abandonar esse tipo de expressão, porque ela reforça o estigma”, ressalta.
Ela reforça a necessidade de um olhar mais sensível e acolhedor para quem enfrenta sofrimento emocional. “É importante que a população tenha mais sensibilidade em relação ao que essas pessoas estão vivendo. Quem procura atendimento está em sofrimento e busca tratamento. Precisamos compreender que qualquer pessoa pode passar por isso em algum momento da vida. Por isso, é necessário mantermos um olhar mais acolhedor e respeitoso”, avalia.

Luta antimanicomial acontece há quase 40 anos
A profissional lembra que a luta antimanicomial surgiu na década de 1980, quando trabalhadores da saúde, familiares e usuários começaram a se mobilizar contra os maus-tratos e violações de direitos sofridos por pacientes internados em hospitais psiquiátricos. “Falar sobre a luta antimanicomial é falar sobre um movimento que defende que pessoas em sofrimento mental sejam cuidadas com respeito e liberdade, e não apenas isoladas em hospitais psiquiátricos e manicômios”, explica.
Segundo a enfermeira, o movimento também contribuiu para a criação das residências terapêuticas, destinadas a pacientes que permaneceram internados por longos períodos e não possuíam vínculos familiares. “Esse modelo de tratamento busca ajudar a pessoa a conviver melhor em sociedade, tendo acesso ao trabalho, à cultura, ao lazer e à convivência social, e não apenas à medicação e à internação”, observa. O Dia Nacional de Luta Antimanicomial foi escolhido em 18 de maio de 1987.
A gerente de Saúde Mental, Rafaela Soccio Coelho Netto, detalha a estrutura de atendimento disponível atualmente nos serviços especializados. “Atualmente nós temos 17 profissionais atuando no CAPS, dentre eles clínico geral, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, equipe de enfermagem com técnicos e enfermeira, além da equipe administrativa”, informa.
Ela acrescenta que o Ambulatório de Saúde Mental conta com outros sete profissionais, incluindo psicólogos, assistentes sociais, enfermagem, clínico geral e equipe administrativa. “Atualmente, o Centro de Atenção Psicossocial assiste em torno de 400 pacientes que estão em tratamento e o Ambulatório de Saúde Mental em torno de 670 pacientes”, cita.
Rafaela Soccio também enfatiza que o acompanhamento é contínuo e realizado de forma integrada. “É importante frisar que esse é um acompanhamento contínuo e longitudinal, em que o paciente permanece assistido pelos serviços até apresentar remissão dos sintomas e estabilidade do quadro clínico, permitindo a continuidade do cuidado compartilhado com as unidades básicas de saúde”, salienta.
Papel da família é fundamental no tratamento do paciente
A coordenadora do CAPS, Leticia Alves dos Santos, destaca que a participação da família é fundamental no processo de tratamento e recuperação. “A família tem papel fundamental no tratamento em saúde mental, pois ajuda a pessoa a se sentir apoiada, acompanhada e acolhida, além de contribuir para que o tratamento seja seguido corretamente”, avalia.
Segundo ela, o envolvimento familiar fortalece o vínculo entre paciente e profissionais da saúde. “Quando a família participa, o cuidado não fica restrito ao serviço de saúde. Ele se estende para dentro da casa e para a vida em comunidade, aumentando as chances de recuperação e inclusão social”, ressalta.
Leticia Santos também orienta sobre como buscar atendimento em saúde mental. “A pessoa que esteja passando por algum sofrimento emocional deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima de sua casa, de preferência acompanhada por um familiar ou alguém de confiança. Nessa unidade será realizada uma avaliação em saúde mental por um enfermeiro ou clínico geral. Conforme o resultado dessa avaliação, a pessoa será encaminhada para o serviço mais adequado de acordo com suas necessidades”, informa.





