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Ano Novo 2021

Como fica a saúde mental neste fim de ano?

Psicóloga explica como lidar com o emocional diante das incertezas de 2020

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Como fica a saúde mental neste fim de ano?

Ansiedade, incertezas, medos e insegurança são só alguns dos sentimentos que pairaram sobre a cabeça das pessoas neste ano de 2020 em que a pandemia chegou e não foi embora. A psicóloga Nilsea Roberta Siqueira da Costa refletiu sobre os reflexos disso para a saúde mental e explicou como é possível trabalhar a mente para passar por esse momento.

Segundo ela, a ansiedade é um ingrediente que sempre estará presente na vida de todos, em níveis maiores ou menores, pois é necessária para a ação.

“Se nós não tivéssemos ansiedade, seríamos pessoas acomodadas. O que percebemos agora com relação à pandemia é que ela está muito mais presente na vida de todos. Quanto mais inseguros nós nos sentimos, mais a ansiedade se faz presente. O ser humano precisa, minimamente, acreditar que ele controla alguma situação, tanto adultos como crianças. Na pandemia, nós nos vimos frente a frente com o total descontrole, pois não sabemos o que vai acontecer”, analisou a profissional.

Fim de ano + pandemia

A psicóloga explica que no fim do ano as pessoas já se recolhem emocionalmente, ficam mais introspectivas. “É o momento em que muitos fazem o balanço de como foi o ano, se foram atingidas as metas que haviam sido idealizadas. Muitas pessoas perderam entes queridos e nesta época relembram as perdas, são várias situações que fazem com que a gente se volte mais para dentro e a simbologia faz com que fiquemos mais melancólicos. Estamos passando por um momento que somado a tudo isso temos ainda o distanciamento social, em que a gente sente falta das pessoas, da família. A pandemia se soma a todos esses sentimentos que já são naturais no fim do ano”, disse Roberta.

Estresse

O que está mais presente nesse período é o estresse, ligado à insegurança que o momento apresenta.

“O estresse é uma situação em que coloca a gente em estado de alerta. Isso funciona inclusive para nos manter vivos, se a gente olhar para os nossos antepassados, os homens das cavernas precisavam deste momento porque eram decisivos para a sua sobrevivência. O nosso cortisol fica elevado para que a gente tome atitude. Hoje, não existem mais os predadores para correr atrás de nós, mas tem uma situação pior, que é um vírus que não sabemos onde está. A nossa fisiologia de luta e fuga está alerta o dia todo, é assim que estamos vivendo. Imagine o quão danoso isso pode ser para nós emocionalmente e até para a questão física mesmo, hormonal”, comparou Roberta.

Como lidar?

As orientações da profissional para lidar com esse momento são as mais clássicas, das quais não se pode abrir mão. “A primeira eu diria é a gente tentar se alimentar de coisas saudáveis e não estou falando da alimentação literal, mas da emocional. Parar de ser bombardeado com informações o dia todo, não devemos nos alienar, mas selecionar o que queremos saber. Eu preciso ver jornal todos os dias ou dar um google a cada dois dias para ver como está a situação? Esse é o primeiro passo”, orienta Roberta.

A atividade física sempre foi recomendada por oferecer o sentimento de bem-estar. “Para quem gosta e consegue, a meditação é excelente, devemos procurar em alguns momentos do dia se desligar totalmente. Além de manter contato com as pessoas que a gente ama, mesmo em ligações telefônicas e videochamadas. Somos seres que precisam de relação, é preciso buscar o convívio, mesmo que de maneira remota”, ressaltou.

Planos para 2021

Mesmo sem estar decretado o fim da pandemia, a psicóloga afirma ser saudável fazer planos para 2021. “O fato de poder planejar nos dá a sensação de controle. É importante que a gente comece o ano fazendo um planejamento e comece pequeno, por semanas, depois estende para o planejamento mensal. Isso nos dá a sensação de controle, traz a possibilidade da gente sonhar um pouco, pensar em fazer um passeio em alguns meses quando já for possível, terminar algum trabalho importante, iniciar um hobby etc.”, finalizou Roberta.

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