conecte-se conosco

Ciência e Saúde

Cepa mais transmissível e ausência de vacinação impulsionaram surto de Influenza H3N2

Ausência de máscaras e retomada de atividades presenciais colaboraram com crescimento de casos

Publicado

em

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Instituto Butantan emitiu alerta sobre o surto de casos de Influenza H3N2 em todo o Brasil e relacionou o crescimento com a cepa mais transmissível, a baixa vacinação contra a Influenza em todo o País e a redução das medidas preventivas na pandemia, algo que possui relação com a gripe, que possui os mesmos cuidados do que a Covid-19 para prevenir, visto que é uma doença respiratória. A entidade científica frisou também que a ausência do uso de máscaras e retorno das atividades presenciais de forma intensa no fim de ano foram itens que colaboraram para que o aumento de pessoas com a H3N2 ocorresse.

“A causa do surto de influenza H3N2 (Darwin) pelo país não é isolada, mas consequência de vários fatores que permitiram a disseminação do vírus fora de época”, afirma o instituto. Segundo o diretor de produção do Butantan, Ricardo Oliveira, que é responsável pela distribuição da vacina contra a Influenza em 2021, a redução das medidas preventivas à Covid-19 junto à baixa imunização podem explicar o atual surto da doença. “O surto fora de época pode ter relação com o fato de a cepa H3N2 parecer ser mais transmissível. Além disso, a população priorizou a vacinação contra Covid e, com isso, a cobertura vacinal da influenza não chegou no esperado e mais pessoas ficaram desprotegidas, o que reforça a importância de serem vacinadas”, completa.

Outros pontos são a retomada das atividades presenciais e relaxamento de medidas de contenção à Covid-19, como o uso de máscaras, que entram neste impulsionamento da Influenza no Brasil. “A influenza encontrou uma boa oportunidade de se disseminar com a diminuição do distanciamento e a retomada das atividades como um todo”, ressalta o diretor.

H3N2 e circulação em outros países

Segundo Renato Astray, diretor do Laboratório Multipropósito do Instituto Butantan, o surto ocorreu em pleno verão do Brasil, algo atípico, devido ao fato de que a Influenza H3N2 já circulava em outros países, e ganhou força no contexto brasileiro após retomada de viagens e reabertura das atividades, com relaxamento de medidas preventivas como o uso de máscara. “Estávamos há dois anos usando máscara e ela protege tanto contra a influenza quanto contra o SARS-CoV-2 porque inibe o contato com vírus respiratórios, mas essas medidas foram relaxadas e as pessoas ficaram mais expostas ao contato com estes vírus”, explica.

Vacinação contra a Influenza é essencial

Segundo o Butantan, as vacinas contra a Influenza que estão sendo aplicadas na população brasileira na campanha de imunização advinda de 2021 foram produzidas pelo instituto e repassadas ao Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde. “O instituto enviou 80 milhões de doses ao governo federal, que as disponibilizou gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde aos públicos mais vulneráveis à doença. Para evitar que o surto fora de época se espalhasse ainda mais, o Butantan doou 1,4 milhão de doses para as cidades de São Paulo (1 milhão) e Rio de Janeiro (400 mil), após pedidos das secretarias municipais de saúde. O foco desta distribuição foi nas pessoas que não tomaram o imunizante durante a campanha”, reforça.

“No Brasil, a campanha de vacinação contra a influenza do ano passado começou em abril e se estendeu até setembro na tentativa de contemplar todo o público prioritário. Os idosos, gestantes, puérperas, crianças, indígenas e profissionais de saúde, mais vulneráveis à infecção, foram o foco da campanha, finalizada sem atingir a meta de vacinar 90% desta população, segundo o Ministério da Saúde”, finaliza a assessoria. 

Com informações do Instituto Butantan