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Cultuando

Diogo Alves é artista plástico e colunista da área de cultura.

Exposição Mar de Lá

12 de abril de 2019

A Casa da Cultura Monsenhor Celso abriu ontem, dia 11, para receber os seletos convidados que apreciaram a exposição Mar de Lá com trabalhos dos artistas Marilia Diaz, André Serafim e Paulo Rás. A mostra apresenta com muita sensibilidade e talento uma mescla de artes visuais e literatura. Realmente Imperdível!

Arte africana no cubismo

A partir de meados do século XIX, novas gerações de artistas na Europa começam a rejeitar a estética tradicional e arte africana clássica, em busca de formas mais abstratas de representação. As transformações sociais e as revoluções políticas, em particular na França, já anunciavam um rompimento com o passado que viria a ser refletido na arte e que teve início com o movimento impressionista. Paris tornou-se a capital cultural onde afluíam artistas de toda a Europa e continente Americano. E como capital de uma potência colonizadora também, Paris era um símbolo do poder político da França no mundo, uma cidade esplendorosa onde o espólio colonial era exibido em museus, galerias de arte, coleções particulares, salões artísticos e academias científicas. Uma exposição que teria uma influência enorme nos movimentos de Arte Moderna, em particular o Fauvismo e o Cubismo. Entre estes artistas estava o jovem Pablo Picasso.

O seu interesse e curiosidade pela arte Africana foram estimulados por visitas constantes ao Trocadero onde se terá deparado com esculturas do Congo e máscaras da África ocidental, como as máscaras da cultura Dan denominadas Gle concebidas como encarnações de seres espirituais chamados para benefício da comunidade. Da mesma forma que os colecionadores nada sabiam destes contextos em que a arte africana era criada, Derain, Picasso, e os outros pintores modernistas, não tinham conhecimentos sobre a cultura dos povos africanos e da funcionalidade social dos objetos que tanto admiravam. O seu interesse era puramente formalista.

E a influência da arte africana no cubismo igualmente formal. A arte africana oferecia as estratégias de representação abstrata que procuravam para criar uma nova linguagem visual modernista que rompesse radicalmente com as estéticas anteriores. E para Pablo Picasso essa linguagem foi o Cubismo. A influência das máscaras nas faces de Les Demoiselles d’Avignon é apontada como o mais flagrante exemplo dessa força estética Africana de onde Picasso bebeu.

Texto Manuela Tenreiro/Citaliarestauro

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