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Tudo o que você precisa saber sobre a varíola dos macacos

Dra. Camila Lopes Ahrens é infectologista, CRMPR 28039 – RQE 19821, graduada em Medicina pela Universidade Católica de Pelotas – UCPel, se especializou e fez Residência Médica em Infectologia, no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Realizou MBA Gestão em saúde e Controle de Infecção pela FAMESP. Possui pós-graduação em Nutrologia pela Abran e dentre as suas atividades, trabalha como infectologia na Unimed Paranaguá

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A doença tem preocupado a população europeia, só na Inglaterra, onde a propagação comunitária foi confirmada pelas autoridades, mais de 130 casos já foram identificados.

No Brasil, quatro casos suspeitos seguem em investigação. Confira agora, a entrevista exclusiva onde a infectologista, Dra. Camila Lopes Ahrens, explica sobre a doença e esclarece dúvidas sobre os cuidados e o tratamento.

O que é a varíola dos macacos?

Dra. Camila Ahrens: A varíola, uma infecção zoonótica viral, é endêmica em certas partes da África. Casos fora da África têm sido tipicamente ligados a viagens internacionais ou animais importados.

A varíola é uma zoonose viral (um vírus transmitido aos seres humanos a partir de animais) com sintomas muito semelhantes aos observados no passado em pacientes com varíola, embora seja clinicamente menos grave. É causada pelo vírus da varíola, que pertence ao gênero orthopoxvirus da família Poxviridae. Existem dois clados do vírus da varíola: o clado da África Ocidental e o clado da Bacia do Congo (África Central). O nome monkeypox se origina da descoberta inicial do vírus em macacos em um laboratório dinamarquês em 1958. O primeiro caso humano foi identificado em uma criança na República Democrática do Congo em 1970

Quais os sintomas da doença?

Dra. Camila Ahrens: Em indivíduos sintomáticos, a varíola causa uma doença sistêmica, incluindo febres, linfonomegalias, calafrios e mialgias, com uma erupção cutânea característica que é importante para diferenciar da varíola.

Erupção cutânea (97%); Febre (85%); Frescos (71%); Linfadenopatia (71%); Dor de cabeça (65%); Mialgias (56%).

Como a doença é transmitida?

Dra. Camila Ahrens: O contato próximo com lesões infecciosas da pele durante o contato sexual pode ser o provável modo de transmissão.

A transmissão de pessoa para pessoa pode ocorrer através de grandes gotículas respiratórias e por contato direto com fluidos corporais ou material lesional.

Como se proteger e evitar o contágio? Se for isolamento, qual o tempo estimado?

Dra. Camila Ahrens: Lave as mãos com água e sabão regularmente ou use um desinfetante para as mãos à base de álcool; Coma apenas carne que tenha sido bem cozida.

O que você não deve fazer: Não se aproxime de animais selvagens, incluindo animais mortos; não se aproxime de nenhum animal que pareça doente; não coma ou toque em carne de animais selvagens (carne de caça); não compartilhe roupas de cama ou toalhas com pessoas doentes e que possam ter varíola dos macacos; não tenha contato próximo com pessoas que estão doentes e podem ter varíola dos macacos.

Isolamento geralmente por três semanas, até as lesões virarem crostas; as precauções de isolamento devem ser mantidas até que todas as lesões tenham crostas, essas crostas tenham se separado e uma nova camada de pele saudável se formado por baixo.

Qual a gravidade da doença? Pode levar à morte?

Dra. Camila Ahrens: A infecção é geralmente leve e a maioria das pessoas se recupera dentro de algumas semanas sem tomar nenhum remédio.

Ibuprofeno e paracetamol podem combater a febre e as dores, mas não há no momento tratamento específico para a varíola dos macacos.

Às vezes, no entanto, algumas pessoas, especialmente as que são imunossuprimidas, podem ficar muito doentes e precisar de internação.

Qual o tratamento?

Dra. Camila Ahrens:  No momento, não há tratamentos específicos disponíveis para a infecção por varíola, mas os surtos de varíola podem ser controlados.

A vacina contra varíola, cidofovir, ST-246 e imunoglobulina (VIG) de vaccinia podem ser usadas para controlar um surto de varíola. As orientações do CDC foram desenvolvidas usando as melhores informações disponíveis sobre os benefícios e riscos da vacinação contra a varíola e do uso de drogas para a prevenção e manejo da varíola e outras infecções por ortopoxvírus.

Qual a diferença entre a varíola humana e a varíola dos macacos?

Dra. Camila Ahrens:  A varíola dos macacos é menos transmissível, menos grave e possui menor mortalidade.