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Semeando Esperança

Por que esperar amanhã?

E, como nos alerta o Evangelho, uma festa não pode ser improvisada. Assim, parece bem coerente a composição de Ana Vilela: “Segura teu filho no colo, sorria e abraça teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”.

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Procrastinar. Ainda que o termo seja estranho e, para muitos, até desconhecido, ele indica uma atitude bastante atual e generalizada: “transferir para outro dia, adiar, demorar”, como indica o velho Aurélio. Entendo que o cansaço ou a falta de criatividade podem manifestar-se em nossa vida e serem até motivo para um “deixar pra manhã”. Mas, até quando iremos protelar a realização de alguma atividade ou compromisso pessoal? Esse “amanhã” haverá de chegar ou estaremos sempre adiando? Para Santo Expedito o “amanhã” chegou! A palavra mais importante para ele foi: “hoje”.

Segundo a tradição, Expedito era um militar romano, que nutria grande simpatia por Jesus Cristo e o Evangelho, mas adiava a sua conversão. Certo dia, em sonho ou visão, um corvo, representando um espírito do mal, grasnava forte aos seus ouvidos: “Cras! Cras! Cras! – Amanhã! Amanhã! Amanhã! Isto é: “Não tenhas pressa, adie tua conversão, deixa para amanhã”. Com decisão, Expedito pisoteou o corvo, esmagando-o e gritando: “Hodie! Hodie! Hodie! – Hoje! Hoje! Hoje! Ou seja: “Não deixarei mais para amanhã a minha conversão; ela é pra já, agora!” Aceitou Jesus Cristo em sua vida e, por causa de sua fé, sofreu o martírio no dia 19 de abril, provavelmente no ano 303, na Armênia, sendo decapitado.

De alguma forma, o Evangelho deste 32.º Domingo do Tempo Comum, Mateus 25, 1-13, indica-nos esse caminho sadio do “não deixar para amanhã” o que for importante fazer e viver hoje. Como a vinda gloriosa de Cristo demorava, muitos cristãos foram relaxando em sua vida de fé. A parábola conta a história do grupo de jovens que saíram cheias de alegria “ao encontro do noivo”. Nem todas, porém, estavam preparadas; somente algumas levaram óleo para abastecer suas tochas. “Como o noivo estava demorando, todas acabaram cochilando e dormindo”. Os problemas surgiram quando ouviram o anúncio da chegada do noivo. As jovens que levaram óleo consigo acenderam suas tochas e entraram para a festa de casamento, enquanto as outras saíram correndo para comprar óleo. Quando retornaram, a porta estava fechada. Era tarde demais! Como diz Pagola, essa parábola é “um chamado para viver a adesão a Cristo de forma responsável e lúcida agora mesmo, antes que seja tarde. É uma irresponsabilidade nos chamarmos cristãos e viver a própria religião sem fazer qualquer esforço por nos parecermos com Jesus Cristo. É um erro viver na Igreja sem uma verdadeira conversão aos valores evangélicos. É próprio de pessoas inconscientes nos sentirmos seguidores de Jesus sem ‘entrar’ no projeto de Deus. Nestes momentos em que é tão fácil ‘relaxar’, cair no ceticismo e ‘ir andando’ pelos caminhos seguros de sempre, só encontro uma maneira de estar na Igreja: convertendo-nos a Jesus Cristo”.

Enfim, como podemos viver a mística do momento presente, sem ficar adiando indefinidamente nossos compromissos? Como ser devoto de Santo Expedito tendo-o como modelo de quem rompe com a procrastinação, mais do que encontrando nele apenas um santo das causas urgentes? E, como nos alerta o Evangelho, uma festa não pode ser improvisada. Assim, parece bem coerente a composição de Ana Vilela: “Segura teu filho no colo, sorria e abraça teus pais enquanto estão aqui. Que a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”.

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