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Semeando Esperança

Não esquecer o que é essencial

Os contemporâneos de Jesus procuravam adquirir uma visão clara a respeito do núcleo de sua religião, uma vez que os líderes que a ensinavam ao povo apresentavam numerosos mandamentos

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Os contemporâneos de Jesus procuravam adquirir uma visão clara a respeito do núcleo de sua religião, uma vez que os líderes que a ensinavam ao povo apresentavam numerosos mandamentos. Eram 613 preceitos que mais confundiam do que esclareciam as pessoas, deixando-as semelhantes a “ovelhas sem pastor”. Como se orientar?

Perguntaram, então, a Jesus: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” (Mateus 22,34-40). A resposta de Jesus revela a necessidade de buscar o que é decisivo para a vivência da fé, ou seja, aquele mandamento principal, capaz de dar sentido a todos os demais. Jesus, para responder, retomou dois mandamentos presentes nas escrituras hebraicas. O primeiro: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu ser” (Dt 6,4). E, em seguida, acrescentou algo que ninguém lhe havia perguntado: “O segundo mandamento é: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Esses dois mandamentos foram colocados em paralelo, como dois trilhos sobre os quais unicamente poderá deslizar o trem da vida de uma pessoa de fé. Ou, ainda, estreitamente unidos como as duas faces de uma mesma moeda. Dessa forma, Jesus tornou-os inseparáveis! Contudo, infelizmente, muitas vezes continuamos a pensar que seja possível amar a Deus sem amar o próximo, adorar a Deus e dar as costas ao próximo.

A unidade entre o primeiro e o segundo mandamento é apresentada, portanto, a todos os seguidores e seguidoras de Jesus: Como podes amar a Deus que não vês e rejeitar o irmão a quem vês? (Primeira Carta de João 4,20). De que adianta dizer ao Irmão: “Vai em paz”, sem lhe dar nada? “Assim, também a fé: sem as obras, ela está completamente morta” (Tiago 2,17). O amor não consiste, pois, em agradáveis sentimentos que possam nascer no coração, mas em centrar a nossa vida em Deus e, a partir dele, socorrer o próximo, seja ele quem for, como aparece na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10,29-37). Um amor a Deus que esquecesse os seus filhos e filhas seria uma grande mentira.

Desse modo, para Jesus, o centro da religião não é a preocupação exagerada com o cumprimento minucioso de rituais de adoração a Deus. Importante mesmo é discernir a vontade do Pai e realizá-la. Ele mesmo, com palavras e ações, ensinou que a realização da vontade do Pai consiste em fazer da vida uma entrega cotidiana de amor aos irmãos, chegando, se necessário, até ao dom total de si mesmo. Ele, na véspera de sua paixão, durante a ceia, tomou o pão e disse: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós”. E, ao final da Ceia, tomou o cálice em suas mãos e disse: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos” (Lc 22,19-20 – Oração Eucarística, n.º 4). 

Enfim, o que é essencial em nossa vida? Que lugar a família ocupa em nosso coração? Qual a importância que damos às eleições municipais? Enxergamos os pobres e sofredores ou eles são invisíveis para nós? Talvez essas perguntas poderiam ajudar a descobrir cada dia o que, de fato, é essencial e irrenunciável, seja qual for a nossa convicção religiosa ou filosófica.