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Maçonaria

Paz e Educação (1)

Nesta nossa sequência de assuntos de interesse permanente para a Maçonaria, após necessário intervalo para falar de “Paz”, retomamos o tema “Educação”

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A FAMÍLIA NA MAÇONARIA

Nesta nossa sequência de assuntos de interesse permanente para a Maçonaria, após necessário intervalo para falar de “Paz”, retomamos o tema “Educação”. Embora possam ser separados para análise, são na realidade dois aspectos da vida humana profundamente relacionados: sem a verdadeira educação não pode haver a verdadeira paz.

Há um mês iniciamos esta série a pretexto do Dia Internacional da Educação, instituído justamente para destacar o “papel da educação para a paz e o desenvolvimento econômico e social dos povos”. Afirma a Unesco que “atualmente, 258 milhões de crianças e jovens ainda não frequentam a escola; 617 milhões de crianças e adolescentes não sabem ler e fazer contas básicas; menos de 40% das meninas na África Subsaariana completam o ensino médio e cerca de quatro milhões de crianças e jovens refugiados estão fora da escola. Seu direito à educação está sendo violado e isso é inaceitável.”

Obviamente, essa desigualdade gera pobreza e conflitos, tornando impossível a paz. Um problema bem conhecido cuja solução passa por dois aspectos da educação: acesso e conteúdo. Projetos como o “Perseverando na Educação” são alternativas para ampliar o acesso ao sistema educacional. É realmente de suma relevância, prioritário no atual estágio de desenvolvimento da humanidade, que se revela nos números da Unesco. 

Contudo, não é suficiente garantir 100% de acesso a instituições de ensino, nenhuma criança ou adulto sem educação, se não for assegurado o livre conteúdo educacional, visando o que poderíamos chamar de “verdadeira educação”: aquela que oferece conhecimento amplo e capacita para a liberdade de escolha, não sendo capturada e dominada por ideologias de qualquer natureza, políticas, econômicas, religiosas, etc. A educação ideológica impõe conceitos que representam, como exclusiva, a “verdade” de determinado grupo social, com o único intuito de dominação, diminuindo e às vezes mesmo criminalizando e perseguindo quem ousar divergir. A história está repleta de exemplos extremos, como a Inquisição, a queima de livros pelos nazistas e maoístas, a censura cultural, índex de livros proibidos e outros absurdos com os quais ainda convivemos.

A Maçonaria presume que os valores morais são alcançados de forma natural pela inteligência humana através da liberdade de pensamento em todos os níveis, o que também pressupõe ser inafastável o respeito pela opinião alheia, a qual a mesma liberdade de pensar irá aperfeiçoar em algum momento, sem imposição. Este grau de evolução do homem, e consequentemente da humanidade, requer uma educação básica livre de amarras ideológicas, voltada a transmitir conhecimento mas principalmente a proporcionar ferramentas intelectuais para que cada indivíduo aprenda a pensar por si. 

Sabendo raciocinar e tendo amplo e livre acesso a todo e qualquer tipo de informação, o indivíduo terá discernimento para chegar a suas próprias conclusões sobre o que é verdadeiro e o que não é, sem depender de ninguém – pessoas, instituições, partidos ou governos — para lhe dizer o que, ou quem, é certo ou é errado, é bom ou é ruim. Pode-se então idealizar que o conjunto de indivíduos livres e pensantes formará uma sociedade livre e pensante, que naturalmente atingirá os valores morais elevados propiciadores da verdadeira Paz. 

Nada de novo há nessa perspectiva de sociedade ideal, muito menos em ainda prevalecer oposição ferrenha a ela, pelos interessados em manter o status quo. Há 2.500 anos, Platão a identificou no célebre mito da caverna, em que o personagem que viu a luz do conhecimento e tentou convencer os demais a libertar-se das correntes da ignorância, é convictamente tido como louco e assassinado. Na idade média, Thomas Morus resenhou uma sociedade assim no livro Utopia, de 1516. “U-topia” em grego é, literalmente, “não-lugar”, um lugar inexistente. 

Hoje essa alegoria se define como “lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos”, ou “qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade”. A paz infinita, alcançada através da educação plena para a liberdade de pensamento, continuará sendo uma utopia enquanto a maioria dos homens for mantida na caverna platônica. 

Com informações de unesco.org, significados.com.br, wikipedia.org, dicionário Oxford Languages.

Responsável: Loja Maçônica Perseverança – Paranaguá – PR ([email protected])

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