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Maçonaria

A verdade, um desafio (2)

A “verdade” realmente tornou-se algo supérfluo, relegado a um segundo plano de importância para a maioria?

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A ACÁCIA NA MAÇONARIA

A “verdade” realmente tornou-se algo supérfluo, relegado a um segundo plano de importância para a maioria? A observação do comportamento médio das pessoas demonstra ser notório que o desatento, ou aquele que se sujeita a limitar sua busca de conhecimento à leitura de mensagens de “whatsapp”, facilmente é enredado por informações cuja origem e veracidade desconhece. Logo estará também ele divulgando e ampliando a ressonância de tais “notícias”: se as “fake news”, literalmente informações falsas, são deliberadamente criadas por qualquer motivo obscuro, elas usualmente encontram maior disseminação ante a falta de inteligência individual. 

Uma hipótese plausível é que isso ocorra com informações que tocam a emoção, muitas vezes profundamente. Dificilmente alguém divulga em suas mídias sociais algo de que não goste, e dificilmente alguém deixa de gostar do que valorize a sua própria convicção, mesmo que não seja verdadeiro. A identificação emocional ocorre quando as informações, duvidosas ou não, fazem pleno sentido perante as crenças pessoais (convicções políticas, religiosas, esportivas, discriminatórias, etc.), e ainda mais quando supostamente comprovam não apenas a sua própria “razão” quanto evidenciam o “erro” do outro. 

Adicione-se a leveza de caráter, que leva à fácil aceitação e reprodução da inverdade, e ainda que o homem comum é vaidoso e não lhe basta ter razão (ou acreditar que a tem), é necessário convencer, e até converter, os outros ao seu próprio credo, ainda que à força. Estamos então diante do retrato de uma sociedade que necessita, cada vez mais, de homens realmente livres e de bons costumes, que prezam pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade, e comprometidos com a verdade como um objetivo institucional. 

Nos dizeres de Rui Barbosa, a verdade não se impacienta porque é eterna. Reitere-se, este é um dever intrínseco do Maçom: o compromisso e o zelo para agir constantemente em conformidade com a verdade, bem como para evitar, ou ao menos não contribuir e jamais ser ele próprio o agente, para a disseminação de nada que não seja a mais pura “verdade”. Não há nisto nenhuma facilidade. A própria Maçonaria não define a “verdade”, mas ensina a seus adeptos, por meio de símbolos e alegorias, que a verdade constitui um atributo da Divindade, “a busca de todas as virtudes”. Através do estudo, da pesquisa e da meditação, cada Maçom deve chegar às próprias conclusões, que satisfaçam em tudo a Moral e a Razão.

Aliás, definir a verdade é, ainda hoje, um dos problemas filosóficos mais complexos. Os dicionaristas a apresentam apenas como a qualidade pela qual as coisas aparecem tais como são. Em metafísica, verdade é “o que realmente é”. O que é verdade simplesmente “é”, terceira pessoa do singular do verbo Ser. Em lógica, é “a conformidade do pensamento com o seu objeto”, por oposição ao erro. Em moral, “a conformidade de uma afirmação com o pensamento”, por oposição à mentira. “Verdade” é a propriedade de algo estar conforme com os fatos ou a realidade, é a coisa, o fato ou o evento que realmente existe.

Existe, porém, um caminho seguro a ser seguido: “a verdade tem por caráter a evidência, e produz no espírito que a possui a certeza. A coordenação das verdades constitui a ciência.” “Ciência” é o conhecimento adquirido através da observância de regras e procedimentos básicos, o método científico, um processo organizado, lógico e sistemático de pesquisa, instrução, investigação, e apresentação dos resultados. 

O método científico é a lógica aplicada à produção do “conhecimento”, termo este que provém da mesma raiz latina, “scientia”. Com vimos nas semanas anteriores, “conhecimento” é a percepção ou a compreensão, por meio do raciocínio, isto é, da inteligência, e/ou por meio da experiência, das informações recebidas pela pessoa ao longo da vida, enquanto “sabedoria” é a capacidade de bem aplicar o conhecimento, conduzem à conclusão de que é necessário antes “conhecer” para somente então ser possível “saber”.

Com base em livros de N. Aslan, e informações de Dicionário Oxford Languages e wikipedia. 

Responsável: Loja Maçônica Perseverança – Paranaguá – PR ([email protected])