conecte-se conosco

Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

O TEMPO E A FONTE

Mesmo depois de mais de 311 anos de existência, a poética Fonte de Beber Água de Paranaguá, como era chamada há mais de três séculos, vem sendo conservada pelas administrações municipais como símbolo de uma época, muito embora as novas gerações já não guardem tanto respeito pelos monumentos históricos

Publicado

em

Mesmo depois de mais de 311 anos de existência, a poética Fonte de Beber Água de Paranaguá, como era chamada há mais de três séculos, vem sendo conservada pelas administrações municipais como símbolo de uma época, muito embora as novas gerações já não guardem tanto respeito pelos monumentos históricos. . . “Tempus Edax Rerum”. . . A aludida Fonte, construída em 1656, oito anos depois da elevação de Paranaguá à categoria de Vila, (muito antes dessa data já havia uma povoação adiantada e crescente), é pois um monumento colonial de suma importância, e que merece realmente o cuidado dos poderes públicos e o respeito das populações.

Em 4 de abril de 1657, a Câmara chamou os srs. João Gonçalves Peneda e Roque Dias, encarregando-os de consertarem a Fonte de Beber Água, serviço que foi executado no decorrer de um mês. Novamente, em 1658, novos reparos e melhorias foram executadas, custando 50 (cinqüenta) patacas, que foram pagas com dinheiro dos subsídios da Vereança daquela época. Desta vez construiu-se uma abóbada protetora, obra essa já conhecida desde os tempos de Antes de Cristo, como as dos Reis Partas, Arsácidas e Sassânidas, até Cosroés (Pérsia) e do Mosteiro dos Jerónimos (em Portugal), não sendo assim tão famosa como essas abóbadas, a da Fonte Velha, a da Fonte de Beber Água de Paranaguá significava a preocupação dos antigos pelo conforto de sua gente, que não precisaria afastar-se da povoação para encontrar o precioso líquido. Também, na mesma oportunidade, foi aberta uma janela para que um rapaz pudesse fazer a limpeza da goiva de pedra. 

Já em 26 de dezembro de 1714, a Câmara celebrou um contrato com o mestre de pedreiro Agostinho da Silva Gomes para que fossem feitas novas obras na Fonte de Beber Água. Como se vê, esse Monumento de mais de trezentos anos vem resistindo ao tempo e à maldade humana (pior do que o tempo). Outros prefeitos, como Paulo Cunha Franco, João Eugênio Cominese, Roque Vernalha, Joaquim Tramujas, fizeram reparos especiais, e há pouco tempo, fins de 1965, o prefeito Nelson de Freitas Barbosa, fez uma completa restauração da Fonte, merecendo os louvores da imprensa e das entidades culturais. E o tempo passa. . . e a Fonte de Beber Água vai passando pelo tempo, com aquela impavidez das obras feitas com o coração e o sacrifício dos homens, numa era em que nem se pensava em caixas automáticas para água, bombas elétricas torneiras e tubos de ferro, galvanizados, sem costura e plásticos. 

A Fonte de Beber Água não oferece mais a água boa e refrescante, foi poluída pela mentalidade de “plástico” dos novos tempos “twisticados”, porém, continuará sendo um dos principais pontos de atração turística de Paranaguá e do Litoral do Paraná, Fonte de mil histórias contadas ao seu redor nos dias de sol e um Monumento-Símbolo do Trabalho honrado de nossos honrados ancestrais. 

Por Swami Vivekananda (escrito em 11/4/66)
VIVEKANANDA, S. Visite o Litoral Paranaense: reportagens, história, guia poético-sentimental. Paranaguá, 1967. 139 p.

Continuar lendo
Publicidade










Em alta

plugins premium WordPress