Crônicas

Hino Nacional Brasileiro

Por: Kátia Muniz

Kátia Muniz

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Não importava a estação do ano. Todo santo dia, na escola onde estudei, o Hino Nacional era cantado na íntegra. 

Acontecia assim: a professora ocupava seu lugar diante dos alunos. Dessa posição privilegiada, ela dava o primeiro comando: “Façam fila por ordem de altura”. Isso mesmo que você leu. Os mais altos ficavam lá atrás, e quem era desprovido de crescimento permanecia cara a cara com a mestra. No caso, eu.  

Segunda orientação: “Estiquem o braço direito até os dedos encostarem no ombro do colega à frente”. Era a marcação de distância. Assim, evitava-se que algum amiguinho cantarolasse o hino muito próximo do outro.

Daí em diante, entoávamos o Hino Nacional à capela. Fosse às 7h30 da manhã ou às 13 horas, ninguém bocejava, se coçava ou apoiava o peso do corpo em uma perna só. Permanecíamos eretos, em posição de respeito.

Em datas cívicas, alguém tinha a brilhante ideia de trazer uma fita K7 com a melodia gravada e, numa espécie de karaokê coletivo, soltávamos toda a força dos nossos pequenos pulmões.

Ah, era lindo demais!

Essas recordações me vieram com ímpeto quando soube que o Hino Nacional Brasileiro foi eleito o mais bonito entre os países participantes da Copa do Mundo.

Os gringos se deram ao trabalho de ouvi-lo e traduzir sua letra. O resultado? Encantaram-se e, melhor ainda, renderam-se à beleza da composição.

E não é para menos. Aqueles acordes iniciais, antes de “Ouviram do Ipiranga…”, são capazes de comover até as pedras. A sequência, mesmo com aquelas palavras difíceis que nos obrigavam a recorrer ao dicionário ou às aulas de interpretação, apenas reforça a grandiosidade da obra.

Ainda tive a felicidade de matricular meu filho em uma escola que também não abria mão dessa demonstração de civilidade. Tudo graças a uma professora de História que, com firmeza e perseverança, conseguiu formar uma geração mais recente inspirada em princípios de amor à pátria.

Hoje em dia… bem, não sei como anda a rotina do hino nas escolas. O que tenho acompanhado são alguns artistas convidados para apresentações importantes esquecendo a letra, culpando o retorno do áudio pelo descompasso e até quem teve a petulância de recorrer à linguagem neutra, alterando “filhos” para “filhes” durante um comício em São Paulo.

O constrangimento é de fazer corar uma estátua.

Mas sejamos sinceros: não é difícil encontrar um brasileiro gaguejando a letra do hino ou ver a câmera flagrando um jogador movimentando os lábios sem pronunciar palavra alguma. Ainda assim, chama a atenção o ranking internacional publicado pelo The New York Times, que elege o nosso hino como o mais belo entre os quarenta e oito países que disputam a Copa do Mundo.

É de encher o coração de orgulho e injetar uma dose de esperança nesta tão desnorteada “Pátria amada, Brasil”.


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Kátia Muniz

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

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