Crônicas

Eu amo Paranaguá

Por: Kátia Muniz

Kátia Muniz

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Sabe aquele letreiro colorido que há em muitos municípios, com a frase “Eu amo ………” seguida do nome da cidade?

É uma forma de embelezar o espaço e também um atrativo para o registro fotográfico de quem passa pela região. Moradores e, principalmente, turistas costumam gostar bastante de guardar essa lembrança.

Eu sou fã da ideia e, aqui em Paranaguá, onde moro, há mais de um desses letreiros. Mas, como as palavras têm um significado especial para mim e faço uso delas diariamente como ferramenta de escrita e de trabalho, não consigo olhar para essa mensagem sem refletir sobre a profundidade do que ela expressa: “Eu amo Paranaguá”. Aliás, o vocábulo “amo” nem aparece por extenso. Foi substituído por um coração. Nada contra. Sinais gráficos também comunicam.

Esta cidade me adotou. Foi aqui que cresci, estudei, trabalhei, constituí família e criei um profundo vínculo com este município. No entanto, não consigo fechar os olhos para uma infinidade de problemas que o afetam sem me sentir incomodada por eles.

Paranaguá é privilegiada quando o assunto é natureza e história. Poucos lugares representam tão bem essa riqueza quanto a Rua General Carneiro, conhecida popularmente como Rua da Praia. De um lado, o Rio Itiberê; de outro, um conjunto de prédios históricos que ajuda a compor uma paisagem de rara beleza. 

Infelizmente, o patrimônio arquitetônico, de modo geral, não recebe o cuidado que merece. Grande parte desse acervo está abandonada e se deteriora a cada ano. Imóveis que, se restaurados, poderiam abrigar museus, espaços culturais ou simplesmente ser abertos à visitação, tamanho é o valor histórico presente em cada metro quadrado. Sem sombra de dúvida, haveria filas de visitantes interessados em conhecê-los. 

Da mesma forma, é inadmissível haver um teatro interditado. Suas portas deveriam estar abertas para acolher a arte, a cultura e a população. Aliás, o município é um celeiro artístico, mas aproveita muito pouco o potencial de seus talentos e das diversas manifestações culturais: música, artes plásticas, literatura, dança, fotografia… Uma pena!

Talvez seja justamente por carregar um legado tão importante que as expectativas sejam maiores. Elas despertam o desejo de ver a cidade correspondendo à grandeza de sua história. Quem sabe valorizar o que a natureza e o patrimônio histórico nos oferecem, fortalecer o turismo e, consequentemente, gerar mais empregos, mais renda e novas oportunidades para a população. Tudo isso depende de um olhar atento, corajoso e inovador, com ações práticas e efetivas.

Por fim, ao completar 378 anos, Paranaguá nos convida não apenas à celebração, mas também à reflexão. Seguimos alimentando a esperança de dias melhores e de que a mensagem estampada no letreiro também se traduza em atitudes.

Feliz aniversário, Paranaguá!


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Kátia Muniz

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

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