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Ciência e Saúde

Paranaguá está em alerta com doença causada por pombos

Segundo médico, 40% das pessoas que contraem a “doença do pombo” não apresentam sintomas

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Enfermidade possui o nome de criptococose e é causada por fungo presente nas fezes das aves

A recente interdição do campus de Paranaguá da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) devido à infestação de pombos e presença de cryptococcus, fungos que podem causar doenças e que são advindos das fezes dos pássaros, gerou alerta geral quanto às enfermidades causadas por pombos em todo o município, em virtude da abundância das aves na área urbana de Paranaguá. O médico João Felipe Zattar Aurichio destacou a importância da limpeza em toda a área urbana e prevenção à infestação de pombos em prédios e áreas da cidade como forma de combate à criptococose, a chamada “doença do pombo”, que pode ou não causar sintomas no paciente e é contraída por meio de via aérea, ou seja, pelos pulmões, podendo inclusive gerar risco de morte.

“Quando falamos de Cryptococcus, estamos falando em um fungo. Muita gente acha que é bactéria ou vírus, mas é fungo, o que é bem diferente, visto que ele é totalmente diferenciado estruturalmente e tem capacidade de se espalhar muito menor do que um vírus ou uma bactéria”, afirma o médico, destacando que se ouve falar pouco de doenças causadas por fungos. “O Cryptococcus, que foi encontrado na Unespar, é um tipo de fungo neoformans que ao redor de sua superfície ele conta com uma cápsula de polisacarídeo que faz com que ele seja extremamente resistente. Ele é resistente a ambientes quentes, úmidos, frios, secos”, destaca. 

Segundo o médico, o fungo Cryptococcus é bastante presentes nas fezes dos pombos, o que, segundo ele, é um problema grave pela presença alta desses animais em Paranaguá. “A nossa cidade é infestada de pombos. Há pombos em casas, locais de trabalho, prédios públicos, enfim, em muitas edificações. Paranaguá é uma cidade portuária e conta com uma quantidade de soja, por exemplo, muito grande, e pombo gosta exatamente disso, de grão, o que aumenta a proliferação destes animais”, destaca.

“As fezes desses pombos ficam com Cryptococcus, e aí vem o grande problema, visto que o pombo que vai até a sua casa e defeca, virando fezes secas, muitas vezes se confunde com sujeira doméstica, de terra, pó, papel seco, enfim, com sujeira, e aí a pessoa limpa com vassoura, e a partir deste momento que você passa a vassoura é levantada uma quantia enorme de fungos e aí você tem o primeiro contato com a criptococose”, afirma Zattar. “Quando a pessoa tem um primeiro contato e uma boa imunidade, a capacidade dela gerar algum tipo de infecção com o seu pulmão, que é o primeiro contato com o Cryptococcus é em torno de 50%, se você tiver uma boa imunidade é possível que você não tenha nenhum tipo de sintoma”, ressalta o médico.

SINTOMAS DA CRIPTOCOCOSE

Segundo João Zattar, a cada 10 pessoas com uma boa imunidade que possuem em contato com o cryptococcus, quatro delas não vão ter sintoma algum da doença. “Elas vão ter o que chamamos de pneumonite subclínica, às vezes pode ter um pouco de dor no peito ou tosse mais seca, mas vai parar. Então, o diagnóstico da criptococose só vamos achar no paciente quando fizermos um exame de imagem, raios-x ou tomografia, muitas vezes para identificar outra coisa. É muito comum na minha clínica surgirem esses focos de criptococose nos pacientes aqui em Paranaguá. Aquele granuloma calcificado presente no pulmão de vários pacientes pode ser um foco posterior que o paciente teve de criptococose”, explica. 

“Entretanto, os outros 60% dessas pessoas vão ter algum tipo de sintoma desta doença do pombo, entre eles, falta de ar, tosse que pode vir com escarro com sangue, febre noturna e perda de peso. Isso se confunde também com tuberculose. O médico precisa pensar em um diagnóstico diferencial. A partir do momento que ele viu os seus sintomas ele vai tentar fazer o diagnóstico da doença, porém se você chega na consulta com dor no peito, falta de ar e tosse, é óbvio que o médico não vai pensar inicialmente que você está com criptococose, ele vai pensar se o paciente falar que existem pombos perto de onde mora ou trabalha”, explica. “O médico então pode pedir um exame de sangue, que pode ser uma sorologia para o cryptococcus ou uma hemocultura para fungos e aí fazer a identificação deste fungo no sangue. É muito importante dizer ao médico sobre o contato com pombos”, explica.

Segundo o profissional, há outras aves que transmitem a doença, porém elas são irrelevantes por não estarem em um ambiente urbano. “Elas estão em áreas mais selvagens, então não possuem relevância alguma. A ave que possui mais relevância em ambiente urbano é o pombo”, complementa. Sobre a presença dos fungos dos pombos em locais de trabalho que atuam com grãos, a orientação às pessoas é o uso contínuo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que isolam o trabalhador do contato com as doenças. 

Principal alerta de saúde é para os pacientes com imunidade baixa que contraem a “doença do pombo”

IMUNIDADE 

O principal alerta de saúde é para os pacientes com imunidade baixa que contraem a “doença do pombo”. “São pessoas com HIV positivo, diabetes melito descompensada, com problemas cardíacos descompensados, pacientes que fizeram transplante de órgão, que tomam corticoide de uso contínuo, com doenças reumatológicas, enfim, pessoas com imunidade mais comprometida. Este fungo é oportunista, ele pode sair do pulmão e ir para as meninges, gerando uma meningite por criptococose, que é um caso muito complicado, que pode levar a um internamento até mesmo em UTI e o que é pior, pode gerar várias sequelas. Nesses casos, a reação inflamatória nas meninges é imensa”, detalha o médico.

“Quando o médico fizer o diagnóstico da criptococose ele vai fazer um exame de imagem para saber onde está o fungo, enfim, exames no tórax, tomografia de crânio, pois o fungo pode estar no cérebro e, a partir disso, fazer o tratamento, que, em alguns casos, pode ser feito em casa com fluconazol em dose muito maior do que o normal ou internamento do paciente e fazer anfotericina B”, informa o médico.

Outro alerta foi com relação aos pacientes com doenças respiratórias. “As pessoas contraem a criptococose pelas vias respiratórias, então se você possui bronquite crônica, entre outras doenças respiratórias, é necessário tomar cuidado porque o processo inflamatório é muito maior e o seu caso pode se agravar bastante. Além disso, o fungo é oportunista, ele pode ir no seu pulmão e abrir a porta para outras bactérias e vírus que podem causar infecção pulmonar e aí, no momento do tratamento, temos que usar antibióticos”, explica. 

PREVENÇÃO 

De acordo com o médico, a principal forma de prevenção à criptococose é cuidado contínuo com infestação de pombos em residências e locais de trabalho. “É necessário haver limpeza contínua, colocação de telas para impedir o acesso de pombos aos telhados e outros locais, e se você conhece alguém que tem infestação destes animais é necessário alertar esta pessoa. Sempre avise à Vigilância Sanitária. Jamais alimente os pombos, vejo muitas pessoas fazendo isso, jogando um punhado de milho para comer pombo, não sou contra os animais jamais, mas neste caso a pessoa está alimentando um animal que pode causar doença. Ali não é o local que o pombo deve ficar, ele não deve estar em contato com as pessoas. É necessário muito cuidado”, informa Zattar, destacando que o pombo é o grande agente da criptococose. “Jamais o cidadão pode sair pelas ruas e sair matando pombo. Não façam isso”, alerta.

“Se você for fazer a limpeza na sua casa e verificar a presença de pombos, a pessoa deve utilizar continuamente luvas e até mesmo máscaras. Na hora em que for limpar as fezes jamais deve utilizar vassoura ou panos secos, pegue o pano, jogue água e cloro na região, limpando bem a área, passando somente posteriormente a vassoura, pois daí você não levanta o pó que espalha a doença”, afirma João Zattar. “O pombo, ele come e já defeca. Por isso falamos para jamais alimentar pombos em praça pública, pois ali ficarão fezes em bancos de madeira, por exemplo, onde as pessoas sentam, colocam a mão e podem contrair a doença”, explica. “As pessoas devem orientar quanto ao perigo da doença e ser agentes de modificação e de prevenção a esta doença tão grave”, finaliza. 
 

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