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Cidadania

Trabalhador portuário relata seu amor a Paranaguá

Emerson de Castro afirma que sua atuação no setor serviu para superar drama pessoal.

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É impossível falar de Paranaguá sem falar do Porto. Em imagens aéreas de Paranaguá, o terminal portuário se destaca. É algo presente também na cultura, no urbanismo e no aspecto econômico do parnanguara. O estivador  Emerson Carvalho de Castro viveu sua vida inteira em Paranaguá desde 1971, entrando na Estiva em 1991 quando saiu do serviço militar prestado à Marinha do Brasil, por intermédio de sua mãe, Francisca e do ex-presidente do Sindicato dos Estivadores (Sindestiva) da época, o falecido Izaías de Antônio. Segundo ele, o Porto e a realidade de Paranaguá foram essenciais para o seu sustento, superação de drama pessoal com as drogas e hoje a imagem do setor portuário e de Paranaguá é divulgada por ele nas redes sociais com milhares de compartilhamentos da imagem do seu escritório: a baía de Paranaguá. 

Segundo Emerson, o Porto de Paranaguá para a sua vida e para o parnanguara é essencial, tanto para a superação pessoal quanto para o seu desenvolvimento como cidadão. “Eu não sei o que seria de mim hoje sem o Porto e sem eu ser estivador. Eu não consigo me enxergar em outra profissão. No início sofrido atuei em dois ou três empregos para ter uma renda, conforme a força de trabalho da época foi se envelhecendo nós fomos assumindo novos postos, isto quem se interessou em aprender atividades operacionais de maquinário incrementou sua renda. Eu comecei aprendendo a operar guindaste, pá-carregadeira, todo o maquinário de carga e descarga de navio. A Estiva na minha vida é fundamental, além da minha profissão é um amor e uma paixão”, completa.

“A Estiva realmente é uma mãe. Hoje, somos cerca de 1.100 estivadores, já fomos quase em três mil homens. A Estiva não distingue estas pessoas, desde que vão para bordo e cumpram sua função. Há pessoas com nível de instrução baixo, médio e alto, e todos têm a oportunidade da mesma renda mensal”, explica. 

SUPERAÇÃO 

“Eu fui uma pessoa que foi muito fundo no uso do crack, eu era o que chamam de ‘noia’, que vem de paranoia da questão do uso do crack, que é um fator decorrente do uso da droga em um estado deplorável. Usei crack por 13 anos, mas o uso foi tão intenso que eu fui negligente com meu trabalho, chegou a um limite em que nenhum empregador quer uma pessoa negligente, então eu cheguei a perder a minha função de estivador, fui banido do sistema por meio do OGMO, que gere toda a mão de obra do Porto de Paranaguá. Porém, sou grato a isso”, destacou.

Segundo Emerson, ele teve sua vida modificada por meio de um senhor chamado Accioli, que vendia espetinho em frente à Estiva. “Ele me estendeu a mão, me colocou em uma casa de recuperação. Foi então que centrei meu foco para que eu voltasse à Estiva, agarrei esta oportunidade graças ao bom Deus. Coloquei Deus na minha vida e este objetivo de voltar à Estiva, então estou há sete anos limpo, sem ingerir nenhuma substância que altere meu humor e minha mente. Para você ver o tamanho do contexto da Estiva na minha vida, além do meu sustento, a Estiva é um estilo de vida, uma paixão, um amor que temos à faixa portuária”, explica. “Quantas pessoas têm o privilégio de entrar no Porto e em um navio? Somos privilegiados”, explica.

PORTO E A INFLUÊNCIA  CULTURAL EM PARANAGUÁ

“A faixa portuária é uma grande Torre de Babel. Você encontra em Paranaguá hoje desde filipinos que adotaram a nossa cidade que vieram de navio, até uma gama de vendedores ambulantes, motoristas que vêm para o Porto de vários lugares do Brasil”, ressalta o estivador, destacando o viés de polo exportador mundial de grãos do setor portuário. “Hoje, grande parte do comércio vive em função do Porto. O Sindestiva e outros sindicatos com trabalhadores da faixa portuária e suas famílias dão uma margem populacional imensa a Paranaguá, então isto move o comércio e a estrutura econômica local”, explica.

Segundo ele, há a necessidade de que a riqueza do Porto de Paranaguá seja também investida no município nas vias de acesso ao Porto.

REDES SOCIAIS

Emerson relata nas suas redes sociais o Porto de Paranaguá como “seu escritório”, divulgando fotos e vídeos ao vivo da sua função como trabalhador portuário. “É um privilégio do trabalhador portuário ter a baía de Paranaguá como janela do seu escritório. A divulgação nas minhas redes sociais surgiu meio que por acaso, eu tinha vontade de fazer transmissão ao vivo, mas tinha vergonha, porém, um dia, em cima do guindaste, fiz uma ‘live’ operando o guindaste. Procuro nos vídeos ser didático para atingir não meus companheiros de trabalho, mas com aqueles que não conhecem como é o trabalho portuário e nos navios”, complementa.

“Tive um retorno muito bom. Há vídeos com mais de seis mil visualizações e enxurrada de solicitações de amizade. Professores universitários destacaram que utilizaram meus vídeos nas aulas do curso de Logística em sala de aula. Isto me motivou a novos vídeos. Abri um canal no YouTube que tem o nome ‘Emerson, o estivador’ com vídeos mostrando o cotidiano do trabalhador portuário, do estivador a bordo do navio. Falo dos termos técnicos, gírias de bordo, mostro o maquinário utilizado, carregamentos feitos, operações, enfim. Meus vídeos têm uma média de cerca de cinco mil visualizações. Não sou nenhum youtuber super famoso, mas isso fez com que eu me sentisse ainda mais útil, penso que presto uma utilidade para pessoas, alunos de logística e professores”, explica, ressaltando que nas divulgações é ensinado o setor portuário na prática, algo “ao vivo, sem edição”.

Foto: Arquivo pessoal

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