Depois de 24 anos terceirizando nossa voz em Curitiba, Paranaguá cansou de pedir favor para deputado de outras praças e resolveu eleger uma das nossas. Fabiana Parro.
O dado é histórico e, por isso mesmo, constrangedor. Um quarto de século sem um representante genuíno. A maior cidade do litoral, com o porto mais eficiente do país, mendigando emenda como quem pede favor.
Desta vez foi diferente. E foi diferente por quase tudo.
Pela primeira vez, uma mulher. Inédito numa terra de coronéis de voz grossa que sempre acharam que política era coisa de macho com paletó no ombro. Fabiana quebrou a estatística com 42.387 votos – a maior votação já dada a um parnanguara para a Assembleia. Parnanguara por opção, adotada pela população que se sentia órfã lá no primeiro planalto.
E com uma biografia que nenhum marqueteiro compraria porque parece roteiro: profissional de saúde, venceu um câncer, transformou a dor no Instituto Peito Aberto e foi fazer acolhimento onde o SUS não chega. Foi ali que Adriano Ramos a encontrou em 2024 e a convidou para ser vice. Os ingredientes estavam todos ali, menos o cinismo.
E aqui vai o ponto que mais irrita os saudosos do atraso: Adriano fez o que prefeito de Paranaguá não fazia há décadas. Acreditou em alguém do grupo.
Nos últimos 30 anos, a especialidade dos inquilinos do Palácio São José era outra, mais mesquinha: patrocinar cinco, seis candidaturas ao mesmo tempo. Não para eleger, mas para atrapalhar. Para que ninguém crescesse o suficiente para fazer sombra. Vaidade de quintal.
A última vez que um prefeito se dedicou de verdade a eleger um deputado seu foi Vicente Elias, com Lourenço Fregonese, nos anos 80. De lá para cá, só sabotagem travestida de estratégia.
Fabiana venceu contra isso tudo. Contra a arrogância de quem se achava dono da cidade, contra a fábrica de fake news do time do principal concorrente local, contra a desonestidade intelectual daqueles que medem os outros pela própria ficha corrida.
Foi uma campanha sem ataques pessoais, o que deve ter sido frustrante para quem só sabe viver disso. Empolgou a militância, contagiou Paranaguá e respingou até na Região Metropolitana.
O litoral precisava de um deputado. Mas não de qualquer um. Precisava de alguém com mãos limpas, sem inquérito na mochila e sem o poder pelo poder. Alguém com vocação real para servir.
Conseguimos.
O futuro é logo ali. E, pela primeira vez em muito tempo, ele parece ter sotaque caiçara.





