Em toda cidade, a classe empreendedora tem uma sala de visitas. Não é a praça, nem o gabinete estatal. É aquela sala onde se entra para reclamar do imposto, pedir um conselho e, no fim, tomar um café.
Em Paranaguá, essa sala atende pelo nome de ACIAP e fica na Rodrigues Alves.
Mais de um século fazendo a mesma coisa: juntando gente que abre a porta de manhã cedo. O dono da venda, o dono do terminal, o dono da plantação. A Associação Comercial, Industrial e Agrícola. O nome é comprido porque a cidade é grande.
Presidente da ACIAP deve ser como síndico de um prédio onde todos são comerciantes. Pode ser que ninguém concorde com nada, mas todos concordam que o prédio não pode cair.
Eloir Martins foi síndico desse prédio por oito anos. O esposo da sempre gentil D. Marlene pegou o cargo em 2018, achando que o maior problema pudesse ser a tabela do frete ou o custo da produção. Veio a pandemia. O mundo fechou a porta e colocou placa de “volto depois”. E o síndico teve que convencer todo mundo a não entrar em pânico, a manter as luzes acesas.
Deu certo. A sala continuou aberta. Fez 100 anos no meio da bagunça e ainda lançou livro.
Agora Eloir entrega a chave. Quem recebe é Fábio Martins Jorge. Conhece o porto como poucos. Sabe que navio não espera e que boleto também não.
Fábio assume numa hora boa. Paranaguá vive um bom momento para quem quer empreender. O prefeito Adriano Ramos abriu a porta para o diálogo, atraindo investimentos; e a Câmara tem feito sua parte, destravando a burocracia que às vezes barra o crescimento. Poder público, quando não atrapalha, já ajuda bastante. Mas a missão agora é viabilizar obras estruturantes e conciliar desenvolvimento com o bem-estar da nossa gente.
Voltando ao Fábio, ele não está herdando um cargo. Está herdando uma fila de gente na porta, com a mesma esperança de antes, mas agora com mais chance de ser atendida.
Boa sorte ao novo presidente e aos seus pares de diretoria. A sala de visitas está cheia. E o café, como sempre, está quente.





