A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de afastar por dois anos a juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Lava Jato, cria um novo problema político para o Senador justamente onde sua candidatura é mais vulnerável: a reputação.
Hardt foi punida em processo administrativo disciplinar por sua atuação na homologação de um acordo que poderia viabilizar a criação de uma fundação privada com cerca de R$ 2 bilhões recuperados pela Lava Jato. O relator apontou que a magistrada teve acesso prévio à minuta do acordo por canal informal, recebeu informações antecipadas de uma das partes e não realizou as diligências institucionais consideradas necessárias. O CNJ classificou a conduta como grave violação dos deveres do cargo.
A decisão não condena Moro nem atribui a ele responsabilidade pela conduta de Hardt. Mas o impacto político é inevitável, pois a juíza que ocupou o lugar de Sérgio Moro (PL) volta ao centro de um episódio que questiona procedimentos adotados durante a operação que construiu a imagem pública do ex-juiz.
E é aí que está o problema eleitoral.
Sérgio Moro (PL) fez da Lava Jato sua principal identidade política. Cada nova decisão institucional envolvendo seus métodos, personagens e bastidores oferece aos adversários uma oportunidade para reabrir uma discussão que ele gostaria de deixar no passado.
Nas redes sociais, a narrativa é ainda mais simples e potencialmente viral porque “A juíza que substituiu Moro na Lava Jato foi afastada pelo CNJ.”
Em política, reputação não é construída apenas por condenações. É construída também por associações, percepções e dúvidas.
Para Moro (PL), o desafio agora é impedir que seu maior patrimônio político a Lava Jato se transforme justamente no seu maior passivo eleitoral.
Fonte: CNN Brasil — CNJ: julgamento de afastamento de juíza substituta de Moro.
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/cnj-julgamento-afastamento-juiza-substituta-de-moro





