Sérgio Moro (PL) reagiu com dureza à decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que afastou por dois anos Gabriela Hardt, juíza que o substituiu na 13ª Vara Federal de Curitiba. Nas redes sociais, chamou Hardt de “juíza corajosa afastada sem causa”, disse que ela “desagradou os poderosos” e afirmou que o CNJ “já não serve para preservar a independência da magistratura”.
A reação é politicamente previsível, mas também reveladora.
Ao defender Hardt dessa maneira, Moro não está apenas defendendo uma ex-colega. Está defendendo a história da 13ª Vara de Curitiba e, inevitavelmente, parte da própria trajetória. Foi naquela vara que o então juiz construiu a imagem nacional que posteriormente o levou à política.
O CNJ, porém, apresentou outra leitura. O Conselho concluiu que Hardt praticou “infração disciplinar de grave violação de deveres funcionais”. O presidente do CNJ, Edson Fachin, foi direto: “Não se combate irregularidade cometendo irregularidade. Os fins não justificam os meios.”
É aqui que a reação de Moro (PL) fica mais difícil de sustentar politicamente.
Uma coisa é discordar da decisão. Outra é transformar uma decisão disciplinar tomada pelo órgão constitucionalmente responsável pelo controle administrativo do Judiciário em sinônimo de “covardia”, “inversão de valores” ou perseguição aos que “desagradaram os poderosos”.
Moro, que fez do rigor institucional sua bandeira, agora coloca o próprio CNJ no banco dos réus.
E o episódio abre uma pergunta incômoda para a campanha ao governo do Paraná; quando uma decisão atinge alguém da Lava Jato, Sérgio Moro (PL) está defendendo a Justiça ou defendendo o legado que construiu dentro dela?
A resposta pertence ao eleitor.
Uma coisa, porém, já está clara, isto é, a Lava Jato continua sendo o passado que Moro não consegue deixar para trás.
Os relatórios apontam que a juíza discutiu previamente os termos do acordo com procuradores da Lava Jato, entre eles Deltan Dallagnol (hoje, filiado ao partido Novo), por meio de mensagens de WhatsApp, antes mesmo de o pedido ser apresentado oficialmente à Justiça. Também foi questionada a rapidez com que o acordo foi homologado, além de não ter havido a participação da União, apontada como a verdadeira titular dos recursos.
A defesa afirmou que Hardt não escolheu assumir os processos da Lava Jato após a saída de Sérgio Moro (hoje filiado ao PL) e que ela agiu de boa-fé. “A magistrada não queria, ela não escolheu os processos, o momento e toda a exposição e a devassa que foi feita na vida dela” disse a advogada Ana Luisa Vogado Oliveira.
Se houve infração, não cabe à política absolver nem condenar. Cabe à Justiça julgar e ao eleitor tirar suas próprias conclusões porque quando as máscaras caem, os que eram heróis podem revelar-se apenas homens e a história se encarrega de julgar quem realmente honrou a toga.






