Cultura

Roda Popular preserva memória da capoeira e fortalece a transmissão de saberes às novas gerações em Paranaguá 

Aulas ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras no Estádio Gigante do Itiberê

A programação ocorreu na Praça Newton Deslandes de Souza (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)

A programação ocorreu na Praça Newton Deslandes de Souza (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)

Paranaguá recebeu, no dia 28 de junho, a Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense, iniciativa que tem como objetivo preservar a memória da capoeira no litoral, história que já ultrapassa cinco décadas, e garantir a transmissão dos saberes às novas gerações. A programação ocorreu na Praça Newton Deslandes de Souza, em frente à Igreja da Ordem, no tradicional Centro Histórico da cidade. 

Em Paranaguá, as aulas ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras no Estádio Gigante do Itiberê, (Complexo Esportivo Fernando Charbub Farah). Os horários são divididos entre infantil (às 19h) e adulto (às 20h), com inscrições e informações disponíveis na plataforma Capoeira Adulto. O encontro acontece mensalmente, sempre no último domingo de cada mês, reunindo mestres e grupos de Pontal do Paraná, Matinhos, Morretes, Antonina, Guaratuba, Paranaguá e alguns da Capital e região Metropolitana. 

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De acordo com o mestre Walter Rodrigues Vellozo, mais conhecido como mestre Walter, um dos zeladores e organizadores da roda e que também ministra aulas no Estádio Gigante do Itiberê, embora o projeto ainda esteja em processo de construção em relação ao seu formato definitivo, sua essência já está consolidada. “A roda é dividida em momentos. O primeiro é uma grande roda de diálogo entre mestres e mestras, aberta para que alunos, graduados, professores, contramestres e toda a comunidade e acontece no estádio Gigante do Itiberê em um espaço de referência da capoeira no litoral Paranaense”, afirmou.

“É um espaço de escuta, reflexão e valorização da história da capoeira do litoral paranaense. A segunda parte são oficinas com temas diversos ministradas pelos mestres do litoral, uma por encontro. E a última parte é a roda popular, onde os mestres celebram o jogo da capoeira com seus pares em uma roda harmoniosa e vibrante na Praça Newton Deslandes de Souza”, explicou o Mestre Walter.

“A capoeira sempre dialogou com diversas manifestações da cultura popular, especialmente com as tradições afro-brasileiras”, disse o mestre Walter Rodrigues Vellozo (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)
“A capoeira sempre dialogou com diversas manifestações da cultura popular, especialmente com as tradições afro-brasileiras”, disse o mestre Walter Rodrigues Vellozo (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)

Transmissão de saberes

O mestre explica que a importância dessa roda vai muito além da prática da capoeira. De acordo com ele, a modalidade fortalece a transmissão dos saberes, preserva a memória e amplia a visibilidade de um patrimônio cultural brasileiro que, historicamente, é invisibilizado. “A capoeira carrega marcas de sua origem afro-brasileira e, apesar de sua enorme contribuição para a formação da identidade cultural do país, ainda enfrenta preconceitos e recebe pouca atenção das políticas públicas. Ao reunir mestres, praticantes e a comunidade, a roda reafirma o valor da capoeira como patrimônio cultural, fortalecendo sua presença e incentivando seu reconhecimento e preservação”, ressaltou. 

“A Roda Popular representa um importante fortalecimento da união entre grupos, mestres e todos os envolvidos. Cada grupo mantém sua identidade, suas características próprias, mas o encontro demonstra que a diversidade não impede uma construção coletiva. Quando diferentes experiências se encontram, todos ganham. Há uma rica troca de conhecimentos, histórias e formas de ensinar e viver a capoeira. Esse diálogo fortalece não apenas os grupos participantes, mas toda a capoeira do litoral paranaense”, afirmou Walter. 

Oficinas de Samba de Roda e Coco de Roda

Nesta edição, o mestre Walter ministrou as oficinas de Samba de Roda e Coco de Roda. “A capoeira sempre dialogou com diversas manifestações da cultura popular, especialmente com as tradições afro-brasileiras. Isso acontece porque seus praticantes sempre estiveram inseridos nos mais diversos universos culturais, compartilhando histórias, costumes e formas de expressão. Ela através dos seus adeptos, caminha lado a lado com manifestações como o samba de roda, o coco de roda, o jongo, o maculelê, a ciranda, entre tantas outras. Todas fazem parte de uma mesma herança cultural e ajudam a compreender a riqueza e a profundidade da cultura afro-brasileira”, disse.

Tradição cultural

“A capoeira em Paranaguá tem um excelente status muito mais pelo esforço e dedicação de seus praticantes do que por políticas públicas estruturadas. Fazer cultura na cidade já é um desafio; fazer cultura afro-brasileira torna esse desafio infinitas vezes maior”, salientou.

Conforme o mestre Walter, a capoeira é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e também como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Além disso, ela também está contemplada pelo Estatuto da Igualdade Racial e pela Lei n.º 10.639/2003, entre outros importantes instrumentos legais. 

O encontro acontece mensalmente, sempre no último domingo de cada mês, reunindo mestres e grupos de Pontal do Paraná, Matinhos, Morretes, Antonina, Guaratuba, Paranaguá e alguns da Capital e região Metropolitana (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)
O encontro acontece mensalmente, sempre no último domingo de cada mês, reunindo mestres e grupos de Pontal do Paraná, Matinhos, Morretes, Antonina, Guaratuba, Paranaguá e alguns da Capital e região Metropolitana (Foto: Divulgação/Roda Popular dos Mestres e Mestras Antigos do Litoral Paranaense)

“Ainda assim, nem sempre recebe o mesmo reconhecimento e valorização destinados a outras manifestações culturais igualmente protegidas pelo município. É verdade que hoje existem editais, convênios e ações da Prefeitura que contribuem para a manutenção de grupos e projetos de capoeira. Esses apoios são importantes e merecem reconhecimento. No entanto, acredito que ainda estão aquém da importância histórica, social, cultural e educativa que a capoeira representa para a cidade e para o país”, frisou. 

O mestre também deixou uma mensagem para quem nunca praticou capoeira e tem curiosidade de conhecer essa arte. “A capoeira é uma manifestação que acolhe a todos, é só escolher um grupo e participar. Nem todos precisam jogar capoeira para fazer parte dela. Há quem se identifique com a música, com a história, com a pesquisa, com a organização dos grupos ou com o trabalho social”, ressaltou.

“Por ser um patrimônio cultural imaterial do povo brasileiro, a capoeira pertence a todos nós. Além dos inúmeros benefícios físicos, cognitivos e sociais, comprovados por diversos estudos, a capoeira desenvolve valores sociais e individuais. Cada conquista, seja no aprendizado da música, do movimento ou da história, fortalece o indivíduo e contribui para a preservação de uma tradição que atravessa gerações há séculos”, concluiu o mestre Walter.


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Elano Squenine

Estudante de Jornalismo desde 2025 pela Uningá, Elano Squenine atuou como repórter, pauteiro e produtor em uma emissora de rádio. Atualmente, ele exerce suas funções na Folha do Litoral News como coprodutor (MEI).

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