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Semeando Esperança

Passar da indiferença à solidariedade: ser “bom samaritano” hoje!

Tudo é visto como responsabilidade dos outros; o sofrimento dos outros não nos diz respeito. “A cultura do bem-estar nos anestesia”.

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Meditando o Evangelho deste domingo – Lc 10, 25-37, do “Bom Samaritano” –, lembrei-me da afirmação do Papa Francisco sobre a “globalização da indiferença” (Evangelii Gaudium, 54). Essa "globalização" vai, aos poucos, nos tornando incapazes de nos compadecermos ao ouvir os clamores alheios, de chorarmos diante dos dramas dos outros, de nos interessarmos por cuidar deles. Tudo é visto como responsabilidade dos outros; o sofrimento dos outros não nos diz respeito. “A cultura do bem-estar nos anestesia”.

Uma pessoa caída à beira da estrada: quem se importa com ela? Quem são essas pessoas? São as pessoas usadas como objeto de lucro nas diferentes formas de tráfico; aquelas que vão morrendo cada dia na pequena fábrica clandestina ou que devem trabalhar às escondidas, porque não foram regularizadas; as envolvidas na rede da prostituição; as crianças usadas para pedir esmola; também “as mulheres – duplamente pobres – que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência”; e, claro, os mais indefesos, os nascituros, “a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir” (EG 211, 212 e 213). Poderíamos incluir ainda nessa lista: os doentes sem atendimento adequado, os idosos esquecidos, os moradores de rua…

Uma das piores manifestações dessa indiferença é ver desenvolver-se nas pessoas de fé – portanto, também em nós – um “relativismo prático” (EG 80) que as leva a “agir como se Deus não existisse, decidir como se os pobres não existissem, sonhar como se os outros não existissem, trabalhar como se aqueles que não receberam o anúncio não existissem”.

O Bom Samaritano representa um jeito de viver. Ele nos convida a vencer a atitude de indiferença manifestada naqueles que desciam do culto no templo: o sacerdote e o levita. O Samaritano não virou o rosto nem passou do outro lado, mas, pelo contrário, “viu e sentiu compaixão”. Por isso, interrompeu sua viagem, deu atenção ao homem caído à beira da estrada: “aproximou-se dele e fez curativos”. Em seguida, “colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele”.  No dia seguinte, deixou duas moedas de prata para que o dono da pensão continuasse a cuidar daquele homem. O Samaritano, portanto, se fez “o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes”, porque “usou de misericórdia para com ele”.

Jesus termina o Evangelho deste domingo dizendo a todos nós: “Vai e faze a mesma coisa”. Esta é uma questão prática e não teórica: tornar-se próximo da pessoa necessitada e usar de misericórdia para com ela.

Como seria a nossa comunidade e, mais ainda, a nossa cidade, se agíssemos como o Bom Samaritano? Vamos dar, a cada dia, um passo, ainda que pequeno, para podermos passar da indiferença à solidariedade. Por exemplo, participando da campanha de doação de colchões e cobertores a serem entregues aos moradores em situação de rua. Basta entregar sua contribuição na Avenida Gabriel de Lara, n.º 1080.

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