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Polícia Civil investiga 10 mil casos de venda on-line de produtos roubados no Paraná

11 de março de 2018

Delegado-chefe do Nuciber, Demétrius de Oliveira, destaca necessidade de que cidadão registre toda a negociação e peça sempre nota fiscal de qualquer compra on-line (Foto: AEN)

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Delegado Demétrius diz que ocorrências são registradas também no litoral 

A venda on-line de produtos roubados ou furtados se faz presente no litoral e em todo o Paraná e se utiliza das redes sociais e da Internet para facilitar a ação de criminosos e também de receptadores, que são as pessoas que adquirem estes itens sem nota fiscal e procedência comprovada. Segundo o delegado-chefe do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber) da Polícia Civil do Paraná, Demétrius Gonzaga de Oliveira, atualmente estão sendo investigados 10 mil casos de venda on-line ilícita no Estado, em que a denúncia das vítimas e dos cidadãos que suspeitam de anúncios é a base para combater este tipo de cibercrime.

Segundo o delegado-chefe, a facilidade de acesso às novas tecnologias e redes sociais dá a entender aos criminosos que eles podem negociar seus produtos roubados ou furtados de forma mais velada, sem risco de ser identificado, com uma falsa sensação de invisibilidade. De acordo com ele, a tecnologia é positiva, servindo como base para estreitar laços, ampliar o conhecimento e a inteligência coletiva, no entanto há o lado ruim do seu uso para o cometimento de crimes. “Eles se aproveitam para cometer seus crimes utilizando redes sociais e sites de anúncios de forma a não serem imediatamente identificados, não quer dizer que posteriormente não serão. É uma prática que vem crescendo devido às facilidades da Internet”, explica.

De acordo com Oliveira, quando o indivíduo que vende o produto ilegal é alcançado pela Polícia Civil, há um trabalho de identificação de saber se foi ele que roubou ou furtou o item que está sendo comercializado, ou se ele é um receptador, ou seja, uma pessoa que adquire produto ilícito subtraído de outro cidadão. “Estas pessoas acabam apontando os indivíduos que passaram a ela o material, que leva à identificação de outros receptadores no caminho. Assim é feito o indiciamento por crime de receptação, ou, se foi o criminoso que subtraiu o produto identificado pela vítima ou por câmeras, ele vai ser indiciado por furto ou roubo”, comenta.

DENÚNCIA 
 
De acordo com o delegado-chefe do Nuciber, o monitoramento on-line de todas as redes sociais e sites pelas autoridades é extremamente difícil, em virtude da dimensão das redes, por isso a denúncia dos cidadãos e vítimas é essencial para o trabalho da Polícia Civil. “É impossível monitorar todas as redes. Somente o Facebook possui dois bilhões de usuários, se multiplicar isso por mais de 500 tipos de redes sociais existentes, dá para se ter uma ideia. Fiz uma conta: se pegássemos todos os policiais do Brasil para este fim, cada um deles teria que monitorar em tempo real cerca de 3 mil perfis diferentes”, explica.

Segundo o delegado, somente no Núcleo de Cibercrimes de Curitiba, que centraliza demandas de delegacias de todo o litoral e interior do Paraná, há 10 mil casos sendo investigados em torno da venda ilegal de itens roubados ou furtados na Internet e em redes sociais. “Isso exige uma dedicação e concentração ininterrupta de toda a equipe que trabalha atendendo estas vítimas que vêm nos procurar ou nos são repassadas. Desenvolvemos trabalho de seleção de dados técnicos de cada prática, formulando pedidos judiciais, responder e atender às solicitações, solicitar às empresas que nos informem”, completa.

ORIENTAÇÕES

Segundo o delegado, a identificação de itens subtraídos para venda nas redes sociais e sites é complexa e o cidadão deve sempre estar atento à origem, exigindo nota fiscal e fazendo um dossiê de toda a negociação on-line. “Pedimos para que os cidadãos guardem todo o material de negociação do produto, toda a conversa e respostas quanto à origem do produto com o vendedor”, explica. 

Ainda segundo o delegado, há casos também de estelionato em sites de vendas, nos quais são colocados produtos com origem à venda e são recebidas propostas de compra de criminosos que simulam depósitos bancários, que ao final não se concretizam. 

“É necessário ter sempre a nota fiscal, a garantia dela, inclusive na negociação. Se isto não se confirmar, a pessoa pode devolver o produto e não aceitar, tendo garantia de não ser indiciado, confirmando que foi enganado. Outro ponto, no caso de compra de produtos falsificados, a pessoa também deve denunciar à Delegacia para coibir esta prática”, complementa. “Para denunciar, o cidadão pode buscar as delegacias de Polícia Civil de cada município ou o Núcleo de Cibercrimes”, comenta.

“Esperamos a ampliação de sub-unidades no Paraná, dado ao volume de circunstâncias, onde consideramos a possibilidade de criar uma Divisão do Nuciber”, explica sobre a atuação do Núcleo de Cibercrimes e possibilidade de expansão no litoral e no interior do Paraná. 

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