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Marido suspeito de atirar em esposa se apresenta na 1.ª SDP

08 de outubro de 2019

Advogado (foto) acompanhou o homem para prestar depoimento às autoridades policiais

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Sheila de Morais Schreiner, de 28 anos, moradora no bairro Sete de Setembro, na Ilha dos Valadares, morreu no começo da tarde de segunda-feira, 7, no Hospital Regional do Litoral (HRL), onde estava internada desde a madrugada de domingo, 6. A vítima, atingida por um disparo de arma de fogo que feriu sua perna direita, sofreu complicações no seu quadro clínico e não resistiu aos ferimentos.

O suspeito de ter disparado contra ela é o marido, Guilherme Vieira Xavier, que se apresentou na tarde de terça-feira, 8, na 1.ª Subdivisão Policial de Paranaguá.

Advogado de Guilherme, Lucas Santiago, afirma que o tiro foi acidental após tentativa de suicídio por parte de Guilherme

ADVOGADO AFIRMA QUE TIRO FOI UMA FATALIDADE

Guilherme Vieira Xavier se apresentou na delegacia acompanhado do seu advogado, Lucas Santiago, o qual esclareceu o que o seu cliente relatou até o momento sobre o caso. “A versão apresentada foi o que realmente aconteceu. Foi uma fatalidade, um tiro acidental. O Guilherme tentou suicídio, a esposa interveio e nisso acabou ocorrendo o disparo que acertou a perna dela”, disse Santiago.

Segundo o advogado, o marido levou a esposa até o Hospital Regional do Litoral (HRL) para receber atendimento. No entanto, não houve comunicação às autoridades policiais sobre a entrada de uma vítima alvejada. “O procedimento padrão é que quando uma vítima alvejada por disparo de arma de fogo, o hospital precisa comunicar a autoridade policial e isso não foi realizado, apenas posteriormente com o falecimento”, informou Santiago.

De acordo com o advogado, Guilherme está bastante abalado após o ocorrido. “Ele relatou que amava a esposa, que foi uma discussão que eles tiveram e ele tentou se matar. Depois que aconteceu o disparo, as filhas do casal intervieram, ele fez os primeiros socorros, auxiliou a esposa e, juntamente com um amigo, a levou até o hospital, porque o resgate poderia demorar”, contou Santiago. “Ele ainda não me pontuou muito bem sobre a arma. A única coisa que tenho ciência agora é que a arma ficou na residência e ele não sabe do paradeiro dela”, completou o advogado.

POLÍCIA CIVIL

O delegado-adjunto e operacional da 1.ª SDP, Nilson Diniz, afirmou que a Polícia Civil teve conhecimento sobre o disparo de arma de fogo somente após a morte da vítima. “A Sheila recebeu atendimento, passou o domingo no hospital e este era um momento imprescindível para a gente ter a oitiva dela e saber como o fato havia ocorrido. Isso prejudicou de forma grave a investigação”, destacou Diniz.

Desta forma, somente a partir de terça-feira, 8, a Polícia Civil começou a apurar o que de fato ocorreu. “A oitiva do marido se mostrou prejudicada porque nenhuma testemunha foi ouvida pela autoridade policial. Eu instaurei o procedimento durante a oitiva dele, então não foi possível nem confrontar a oitiva dele com a de outras testemunhas”, observou Diniz.

Segundo o delegado, Guilherme narrou que houve uma discussão com a mulher, apontou a arma para si próprio e a esposa tentou impedir. “Ele diz que se iniciou uma disputa pela arma de fogo e houve o disparo. Não dá ainda para ter nenhuma convicção sobre essa versão dada pelo investigado. Já sabemos que havia um casal com eles naquela noite. Nos próximos dias vamos solicitar o prontuário médico da vítima para saber o que de fato resultou na morte, uma vez que ela já se encontrava no quarto. Vamos solicitar também o laudo da necropsia e buscar a apreensão dessa arma de fogo, que não foi apresentada”, explicou Diniz.

O delegado informou ainda que Guilherme vai responder por porte ou posse de arma de fogo de uso restrito, além de eventual responsabilização pelo homicídio.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na tarde de segunda-feira, 7, na Delegacia da Polícia Civil de Paranaguá, o tiro que atingiu a vítima teria sido disparado durante uma discussão entre ela e o marido, Guilherme Vieira Xavier, o qual seria o proprietário da arma de fogo.

Casados há cerca de 10 anos, o casal tem duas filhas menores, que, segundo familiares e amigos de Scheila, teriam presenciado a discussão e o disparo.

COMUNICAÇÃO

Um fato que chamou a atenção das autoridades policiais foi que a equipe do Hospital Regional do Litoral não comunicou a situação à polícia. Pessoas baleadas e vítimas de agressão que dão entrada na casa hospitalar devem ter o caso acompanhado por policiais militares, tanto para escolta, quanto para o registro da ocorrência. Familiares só procuraram a polícia para confeccionar o boletim após a morte de Sheila.

IML

O corpo de Sheila de Morais Schreiner foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML) de Paranaguá, onde passou por exames complementares e foi liberado pela família para velório e sepultamento.

 


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