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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

Luiz Alves Siqueira

24 de agosto de 2019

Na semana passada, a nossa coluna lembrou da recente perda do cineasta Cyro Matoso, difícil será encontrar alguém como ele, devido à sua grande criatividade.

Esse fato lembrou-nos uma outra pessoa, igualmente querida e criativa, LUIZ ALVES SIQUEIRA. Ele partiu dia 8 de fevereiro de 2017, com apenas 72 anos.

Em todas as atividades relevantes de Paranaguá, lá estava o Siqueira filmando. Nas reuniões do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP) já havia um lugar reservado para ele, de onde pudesse filmar todo o evento. Agora nesse mesmo lugar encontramos sua filha, Lizangela, que continua o seu trabalho, de grande valia para o litoral, pois momentos importantes são registrados.

Ligado que era em tecnologia, Siqueira sempre levava ao IHGP alguma novidade. Era sua marca registrada nunca ir de mãos vazias, levava tinta, verniz ou cupinicida, ele amava muito o IHGP e colocava esse amor em prática. Por vezes, quando eu viajava, ele dizia: “Guadalupe, quando você voltar vai ver como o IHGP estará mais bonito ainda”.

Não perdia uma Festa de Fandango sequer, além de alguns eventos em Antonina. Viajava com prazer para Guaraqueçaba, navegou pelo Canal do Varadouro, registrando tudo, era incansável. Tinha um talento nato para a pesquisa e deixou muitos assuntos sistematizados que, hoje em dia, servem de fonte de estudos e inspiração. Todo esse trabalho fazia voluntariamente, com seus próprios recursos financeiros e nunca o vimos reclamando.

As discussões às vezes eram acaloradas, pois quem conheceu o Siqueira sabe que ele era um homem de opinião e nada o fazia mudar, no entanto, antes que houvesse um conflito maior ele dava um largo sorriso e nos abraçava, dizendo que a amizade era o que realmente importava.

Carinhoso com a família, seu assunto predileto era a sua netinha Maria Júlia e seu neto Ramsés.

É importante observar o perfil das pessoas que convivem conosco, estejamos abertos a aprender com cada uma delas. Nosso intuito com essas lembranças é ressaltar que uma instituição não é feita somente de paredes, objetos, normas e estatutos, elas têm histórias. Vale a pena conviver e humanizar as instituições. Da mesma forma, devemos nos preparar para sentir saudades.

Seja feliz, Siqueira, onde quer que esteja!

Guadalupe Vivekananda Fabry

Diretora da Biblioteca – IHGP

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