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Entrevista

Carla Slongo: A psicóloga que descobriu a vocação na infância

Profissional destaca que ansiedade e depressão são situações mais comuns em seu consultório

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Carla Slongo é filha de Maria do Rocio Chemure Cechelero e Luiz Carlos Cechelero, nasceu na cidade de Paranaguá, estudou no Colégio Marquês de Paranaguá, conhecido como Peixinho Sapeca, graduada em psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná e pós-graduada em Questão Social pela Universidade Federal do Paraná. Divorciada, mãe de dois filhos: Gabriel Cechelero Slongo e Pedro Slongo. Uma de suas paixões é viajar, gosta de música, eventos culturais, de estar com a família e do contato com a natureza, em especial o mar, trabalhar com a psicologia é, sem dúvida, a maior das suas paixões. É sobre isso que ela conta nesta entrevista: 

Folha do Litoral News:  Fale um pouco sobre você e sua escolha pela psicologia. O que te levou a buscar esta área?

Carla: A minha identificação com a psicologia nasceu muito cedo, quando eu estava ainda no Ensino Fundamental, tinha grande identificação com a psicóloga do meu colégio, ela trazia tranquilidade para aquilo que eu sentia, dava nome as minhas dificuldades acadêmicas, que hoje como profissional de saúde mental reconheço a dificuldade como TDAH um Transtorno de Déficit da Atenção e Hiperatividade que vale salientar que o transtorno não é uma doença, mas uma dificuldade de manter a atenção concentrada e de permanecer parado por muito tempo, por este motivo, muitas vezes, os alunos são rotulados e discriminados nas escolas, pois não se encaixam no padrão imposto pelos paradigmas da educação. Hoje poder ajudar crianças e adolescentes que passam por situação semelhante a que passei é muito gratificante.

Folha do Litoral News: Qual a diferença entre coaching e psicologia? É normal para uma pessoa leiga não saber definir o que cada uma dessas áreas trata de fato?

Carla: A psicologia é uma ciência que exige 5 anos de formação, com disciplinas na base curricular como anatomia, neuroanatomia, genética farmacologia, sociologia, filosofia entre outras, que nos auxiliam a compreender o sujeito com seu aparato biológico, orgânico e social para enfrentamentos das situações, seguindo com disciplinas como psicopatologia e psicodiagnóstico, que possibilita identificar as patologias da psiquê e assim ter arcabouço teórico para lidar com as variáveis que o ser humano apresenta. O coaching não é uma ciência, é uma técnica que pode ser realizada pelos mais diversos profissionais ou leigos, pois não há uma exigência que o aplicador da técnica de coaching tenha uma formação especifica, o que na minha opinião dá a fragilidade à técnica ou ao método. 

Folha do Litoral News: A depressão entre adolescentes tem crescido muito nos últimos anos. Como analisa essa questão?

Carla: Esta é uma questão bastante importante que a saúde mental vem enfrentando. Cada vez mais recebemos em consultório adolescentes com quadro de depressão. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a maior causa de doença incapacitante de meninos e meninas entre 10 e 19 anos. É importante compreender que depressão é resultado de uma combinação complexa de fatores sociais, psicológicos e biológicos, o que aumenta as chances do indivíduo ser acometido por esta doença.  Os fatores apontados como possíveis causas pela OMS são aspectos biológicos, como hereditariedade uma contribuição genética, ambiente que  expõe o indivíduo ao estresse constante. É importante dizer que o estresse pode ser um grande aliado na prevenção de diversas doenças, pois se o sujeito tiver condições de fazer uma leitura que seu organismo está operando no limite e vem dando sinais para que reduza suas atividades, consequentemente, pode amenizar os possíveis danos causados pela permanência excessiva neste estado. Minha observação de consultório com adolescentes me alerta para um fator bastante comum entre eles que é a privação de estímulo e o excesso de estímulo virtual. Hoje  por conta da  globalização e a facilidade de acesso às informações que a Internet oferece, há um favorecimento de um tipo de inteligência e, na prática, vemos pessoas alienadas com dificuldades de diferenciar o mundo real do mundo virtual o que está sendo chamado pelos especialistas de pré-psicóticos, seguindo de uma inabilidade de interagir com as pessoas gerando um outro transtorno na vida dos infantes que é o pseudoautismo, crianças e adolescentes que não conseguem conversar com a família, expressar o que sentem, com restrição alimentar não comendo diversos alimentos e não gostam e têm dificuldades de provar novos alimentos, pois seu paladar não foi explorado. 

Folha do Litoral News: Muitas pessoas recorrem aos psicólogos em buscas de dicas de como se comportar em uma entrevista de emprego. O que interfere mais nesse momento?

Carla: Ser genuíno. Ser o que você realmente é contribui muito na decisão do avaliador na hora da contratação. Vemos pessoas representado ou reproduzindo discurso que não condiz muitas vezes com o histórico de vida profissional do sujeito e fica evidenciado seu desenho de fala. Seu cuidado com a higiene, trato com as palavras evitando gírias, palavrões e comentários desnecessários também contribuem para uma boa avaliação.  As empresas hoje buscam pessoas com inteligência emocional, bons mediadores. Os profissionais qualificados com formação continuada são bastante requisitados no mercado de trabalho que hoje está bem competitivo, exigindo dos profissionais que estejam sempre atualizados. 

Folha do Litoral News: Como é o enfrentamento da violência sob olhar do psicólogo?

Carla: A violência é uma resposta comportamental de que algo não está bem com este indivíduo, precisamos compreender a realidade social, cultural e o momento que este sujeito está passando. Atualmente vemos uma onda de violência que assola o mundo se trouxermos a problemática do macro para o micro e colocarmos nossa cidade como cerne da questão, temos a drogadição como fator importante de violência. Políticas públicas precisam ser tomadas e postas em prática para auxiliar na resolução ou amenização de um problema crônico que passa a humanidade. A dificuldade financeira ou a crise financeira e desigualdade também são fatores que contribuem para o aumento da violência. A meu ver, a cidade precisa investir em saúde mental, precisamos de um Centro de Atenção Psicossocial CAPS AD álcool e drogas, onde os usuários tenham atendimentos especializados o nosso CAPS hoje é sufocado por dependentes químicos o que tira a vaga de um sujeito que apresenta a patologia compatível com aquele equipamento. 

Folha do Litoral News: Em seu consultório, qual é a situação mais comum requisitada entre seus pacientes? 

Carla: O consultório é um lugar rico nas diversidades, a ansiedade e a depressão são situações que mais vemos na clínica atualmente. O excesso de cobrança e as exigências postas pela vida são fatores que levam os indivíduos a adoecer. Um número expressivo de pacientes que fazem uso de medicação psiquiátrica nos dá um alerta de que precisamos mudar nosso modo de vida, mudanças como higiene do sono, alimentação, prática de atividades físicas, estou falando de qualidade de vida. Evitar o uso de telefone celular três horas antes de dormir, quarto arejado onde a luminosidade do dia possa entrar e o corpo consiga reconhecer que amanheceu, a televisão deve ser desligada antes de dormir a incidência de luz e o som não permitem que o cérebro descanse. Isso promove um estímulo que não é aconselhado para a higiene do sono. A alimentação também é um contribuinte importante na saúde mental, pois é de onde extraímos os nutrientes que fazem com que nosso corpo e cérebro funcionem corretamente. Li uma frase de uma nutricionista que achei fantástica “alimentação saudável é abrir menos embalagem possível”, estamos no movimento contrário a isto, estamos cada vez mais abrindo embalagens para nos alimentar. Precisamos repensar hábitos e costumes para que possamos mudar o curso da saúde mental e termos mais qualidade de vida.  
 

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