Na tarde de terça-feira, 22, foi realizada em Paranaguá a 3.ª Caminhada do Meio-Dia, em alusão ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A ação, promovida pela Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria Municipal da Mulher (Semmu), integrou a Campanha Estadual “Paraná Unido no Combate ao Feminicídio”. A concentração ocorreu na Rua Professor Cleto, no Centro Histórico, e contou com a presença de forças de segurança, secretários municipais, mulheres e cidadãos de Paranaguá.
Semmu
A secretária da Semmu de Paranaguá, Daiane Christakis, destacou o objetivo e o surgimento da Caminhada ao Meio-Dia. “Paranaguá não podia ficar de fora dentro de um tema tão importante que é o combate ao feminicídio. Então é uma Lei Estadual de onde decidimos fazer essas caminhadas ao meio-dia, sempre no dia 22 de julho, em memória à Tatiana Spitzner, que foi a vítima de feminicídio que deu partida a essa legislação. Depois disso, a gente pretende sempre lembrar que o feminicídio não pode ser algo comum e que políticas públicas têm que ser mais efetivas para que isso não venha a ocorrer. Então, a nossa intenção é lembrar a população de vir participar e não deixar passar em branco. Embora estejamos de branco, o branco é pela paz, é contra o feminicídio”, explicou a secretária.

Daiane explicou ainda a atuação da Secretaria da Mulher no combate ao feminicídio em Paranaguá, com foco na superação da violência, agindo de forma integrada.
“Precisamos do Judiciário, da Guarda Civil Municipal, das outras secretarias, da Secretaria de Trabalho, por exemplo. Porque que precisamos? Precisamos sair desse ciclo de violência, para que a mulher consiga sair. Ela só consegue quando ela tem autonomia financeira, quando ela tem segurança de que nada vai acontecer com ela e com os filhos. E a Secretaria da Mulher auxilia não só nessa efetivação das políticas e na proposta de políticas públicas voltadas também a isso, como, por exemplo, na Casa da Mulher Parnanguara, onde temos o acolhimento que é exatamente para aquelas mulheres vítimas de violência que não tem para onde ir”, explica Christakis.
Forças de segurança
Segundo o delegado do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA), Emanuel Brandão, que esteve presente na caminhada, a visibilidade e a discussão sobre esse tema possibilita ajudar diversas mulheres que estão em situação de risco.

“Eventos como este, uma caminhada dessa grandiosidade, é muito importante, porque é uma mobilização que ocorre em todo o Paraná, justamente visando a divulgação ao tema da violência contra a mulher, principalmente a questão do combate ao feminicídio. Os principais desafios são justamente essa questão cultural, como se fala, que a violência contra a mulher, idosa, a própria criança e os animais, que é uma violência cultural, que já vem há muito tempo acontecendo na sociedade brasileira. E o segundo desafio que se tem, são as formas de violência que acontecem dentro dos próprios lares, que é difícil ter uma presença estatal lá para fazer qualquer tipo de fiscalização ou de ação repressiva. Então, é justamente através de trabalhos de conscientização que se visa combater toda essa situação de violência”, destacou o delegado.
A delegada Maluhá Soares, da Polícia Civil do Paraná, que também se fez presente na caminhada, destacou os índices de casos de violência contra as mulheres em Paranaguá.

“É muito importante no combate, não só ao feminicídio, mas contra a violência contra a mulher como um todo. Hoje aqui em Paranaguá nós podemos ver que temos um grande índice de casos de violência contra as mulheres. Diariamente vão até a delegacia mulheres solicitando medidas protetivas de urgência. Então isso gera um alerta, tanto para nós, da segurança pública, quanto para a sociedade também, de que esses casos eles devem ser combatidos e toda a sociedade pode contribuir, seja relatando casos de mulheres que tem conhecimento que sofrem violência dentro de casa, ajudando uma amiga, uma vizinha que sofre isso, um familiar, então cabe a todos nós da sociedade lutarmos pelo fim da violência contra as mulheres”, disse a delagada.
GCM
A guarda civil municipal Márcia Garcia, coordenadora da Patrulha Maria da Penha em Paranaguá, explicou as ações realizadas pela GCM no combate ao feminicídio na cidade.

“Todos os dias a gente realiza o acompanhamento das medidas protetivas de urgência. Também fazemos palestras, visitas preventivas. Quando alguém tiver alguma denúncia, só nos avisar que a gente vai fazer essa visita preventiva, porque o agressor acha que ninguém vai até lá. Então assim, para nós, esse dia de hoje, essa caminhada, é um alerta, conscientizar as pessoas que não somos só nós. A Polícia Militar,, GCM, o Judiciário, bem como toda a sociedade somos responsáveis em cuidar das mulheres. Nós estamos os 365 dias trabalhando para isso, mas muita gente não se atenta que tem que sim, denunciar, cuidar, porque quando uma mulher que está em um relacionamento abusivo, ela não consegue pedir ajuda. Então denuncie”, destacou Márcia.
O telefone da Central da Guarda Civil Municipal, disponível 24h, é o 3721-1846.
Vara Criminal
O Dr. Leonardo Marcelo Mounic Lago, Juiz de Direito da 1.ª Vara Criminal da Comarca de Paranaguá, afirmou que 40% dos processos atualmente sob sua responsabilidade envolvem, de alguma forma, algum tipo de violência contra a mulher.
“Estamos aqui para chamar a atenção para esse assunto que não envolve só o homem e a mulher que estejam dentro desses cenários de violência, mas toda a comunidade para que a mulher, que eventualmente se veja nessa situação, saiba que existem caminhos, existem meios para que ela possa buscar essa ajuda do Estado, seja vindo ao Fórum, seja se dirigindo ao Ministério Público. Existem outros órgãos também da Prefeitura, a Patrulha Maria da Penha, que garante a proteção das mulheres, assim como o trabalho feito pela Patrulha da Maria da Penha da Polícia Militar. Ou seja, todo o Estado está envolvido em forma de garantir a segurança dessa mulher para que a violência contra ela não seja uma questão de estigma, uma questão presente na sociedade, um mal que não se que não tenha solução”, salientou.

Segundo o juiz, apenas no ano passado mais de 1.400 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil. “A cada dia quatro mulheres sofrem uma tentativa de homicídio ou vem a ser vítima de um homicídio, uma relação doméstica e familiar. Os agressores são os seus próprios companheiros, maridos, alguém próximo da família. Isso não é um assunto que deve se resolver só na família, é um assunto que deve envolver toda a comunidade, toda a comunidade deve se movimentar para proteger essa mulher, saber que essa mulher não está sozinha, que existem outras pessoas que eventualmente, infelizmente, estão passando por essa mesma situação, mas que existem órgãos no município e também no Estado preparados para proteger tanto a família dela, quanto ela própria, os seus filhos, para que ela consiga sair desse ciclo de violência”, finalizou o juiz.





