Meio Ambiente

Apenas no mês de julho, mais de 300 tartarugas-verde encalharam no litoral

Número corresponde a um aumento de 502% em relação ao mesmo período de 2024

Número chamou a atenção dos pesquisadores que realizam o monitoramento diário das praias entre Guaratuba e Guaraqueçaba (Foto: Ana Cláudia Nunes LEC-UFPR)

Número chamou a atenção dos pesquisadores que realizam o monitoramento diário das praias entre Guaratuba e Guaraqueçaba (Foto: Ana Cláudia Nunes LEC-UFPR)

Apenas no mês de julho, foram registrados 314 encalhes de tartaruga-verde (Chelonia mydas) no litoral, um aumento correspondente a 502% em relação ao mesmo período do ano passado (2024), quando houve 52 encalhes, de acordo com dados do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no litoral paranaense pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR). O número chamou a atenção dos pesquisadores que realizam o monitoramento diário das praias entre Guaratuba e Guaraqueçaba.

Conforme Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/UFPR, o aumento acompanha uma tendência observada nos últimos invernos, mas os números de 2025 foram especialmente altos. “Estamos diante de um cenário que exige atenção. As tartarugas-verdes são comuns na nossa região, especialmente em sua fase juvenil, e essa concentração de encalhes é reflexo direto das pressões que esses animais enfrentam no ambiente marinho”, pontua Camila.  

Na fase adulta, a tartaruga-verde se torna uma das maiores espécies de tartarugas marinhas, podendo atingir quase 1,5 metro de comprimento e cerca de 230 kg. A espécie está classificada como vulnerável à extinção no Estado do Paraná, conforme o Decreto Estadual nº 6.040/2024

Meses mais frios

Segundo o LEC-UFPR, em decorrência dos meses frios, a queda na temperatura da água, as mudanças na salinidade, os ventos de superfície, bem como o redirecionamento das correntes marinhas, afetam a capacidade de locomoção e a busca por alimento das tartarugas. Isso contribui para que, principalmente as juvenis, fiquem mais vulneráveis a doenças, desnutrição e encalhes.

Fatores agravantes encontrados através de exames

Exames realizados pela equipe multidisciplinar do LEC-UFPR identificaram que, além dos fatores naturais, as atividades humanas agravam ainda mais a situação da fauna marinha. A análise apontou que muitos dos animais encalhados apresentam evidências de interação com resíduos sólidos, como a ingestão de fragmentos de plástico, além de interações com redes da pesca e colisões com embarcações, que resultam em traumas graves, fraturas e, em muitos casos, morte imediata dos animais.

Do total de 314 encalhes registrados em julho, cinco tartarugas chegaram ainda com vida e foram encaminhadas ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD/UFPR), onde estão recebendo cuidados clínicos especializados (Foto: PMP-BS/LEC-UFPR)
Do total de 314 encalhes registrados em julho, cinco tartarugas chegaram ainda com vida e foram encaminhadas ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD/UFPR), onde estão recebendo cuidados clínicos especializados (Foto: PMP-BS/LEC-UFPR)

O médico veterinário e responsável técnico do PMP-BS/UFPR, Fábio Henrique de Lima, afirma que as causas de mortalidade estão associadas a múltiplos fatores. “Um animal debilitado por infecções, por exemplo, torna-se mais vulnerável a colisões ou ao emalhe em redes. Esses fatores, somados, comprometem a saúde dos indivíduos e ampliam os riscos de encalhes”, explica Fábio.

Cuidados clínicos especializados

Do total de 314 encalhes registrados no mês de julho, cinco tartarugas chegaram ainda com vida e foram encaminhadas ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD/UFPR), onde estão recebendo cuidados clínicos especializados.

“No CReD, os animais passam por uma série de exames clínicos e laboratoriais, que buscam identificar possíveis doenças, avaliar seu estado nutricional e investigar as possíveis causas do encalhe. Após a estabilização, inicia-se o tratamento, que inclui suporte nutricional, administração de medicamentos, fisioterapia e monitoramento contínuo. O objetivo é garantir que o animal recupere a saúde e possa ser devolvido ao oceano. Entretanto, alguns indivíduos chegam em condições tão críticas que não sobrevivem, mesmo com todos os cuidados e tratamentos aplicados”, explica o LEC-UFPR.  

Com informações do LEC-UFPR


Apenas no mês de julho, mais de 300 tartarugas-verde encalharam no litoralAvatar de Elano Squenine

Elano Squenine

Estudante de Jornalismo desde 2025 pela Uningá, Elano Squenine atuou como repórter, pauteiro e produtor em uma emissora de rádio. Atualmente, ele exerce suas funções na Folha do Litoral News como coprodutor (MEI).

Apenas no mês de julho, mais de 300 tartarugas-verde encalharam no litoral

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