A Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) recebeu nesta quinta-feira, 25, em Curitiba, o lançamento do Movimento Agroportos, iniciativa da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) e do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). O objetivo do movimento é ampliar as discussões sobre o setor logístico brasileiro, contribuindo para o fortalecimento do agronegócio, a redução do chamado “Custo Brasil” e a construção de soluções capazes de se transformar em ações efetivas.
O evento reuniu representantes do setor produtivo, da comunidade portuária, trabalhadores, empresários e autoridades públicas para debater os desafios e oportunidades da infraestrutura logística nacional.
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O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, afirma que o Movimento Agroportos busca construir soluções para aumentar a eficiência logística nacional. “A ideia é unir forças e gerar sinergia para permitir melhores escoamentos das safras, diminuindo ineficiências, tornando o sistema mais produtivo, reduzindo custos e deixando o Brasil mais competitivo”, observa.

Mário Povia aponta Paranaguá como um exemplo da relação entre agronegócio e infraestrutura portuária. “O Porto de Paranaguá é emblemático nesse sentido. É um porto muito agrícola. Temos muitos granéis, corredor de exportação e agora o Moegão ampliando significativamente a produtividade”, avalia. Segundo ele, o agronegócio está presente não apenas nos granéis, mas também na movimentação de contêineres. “Mesmo na área do terminal de contêineres, temos muita carga do agronegócio, como proteína animal, algodão e café. Ter um terminal pujante de contêineres também está diretamente relacionado à pauta do agronegócio”, analisa.
IBI
Segundo o diretor-presidente do IBI, o movimento também pretende contribuir para o aperfeiçoamento da legislação e para a ampliação dos investimentos em infraestrutura. “Como o Instituto tem de um lado os mantenedores e do outro a frente parlamentar, a gente quer ter uma legislação moderna, uma legislação que permita investimentos de uma forma mais rápida, licenciamentos ambientais mais expeditos e corredores logísticos. No fundo, o que a gente precisa é de conectividade para dar eficiência, deixar o Brasil mais competitivo e também permitir que o produtor tenha uma margem melhor para reinvestir no próprio setor”, salienta.
Mauro Sammarco, presidente do Conselho do IBI, destaca que o avanço da produção brasileira exige investimentos contínuos em logística. “O agro brasileiro cresce ano a ano e a infraestrutura não acompanha esse mesmo ritmo. Temos vários desafios de escoamento das cargas. Então é fundamental esse trabalho de união entre a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos e a Frente Parlamentar do Agro para o desenvolvimento do nosso país”, comenta.

Segundo ele, os benefícios dos investimentos em infraestrutura alcançam toda a sociedade. “Estamos falando em geração de renda, geração de divisas para o país e geração de empregos. A cadeia da logística, da infraestrutura e do agronegócio emprega várias famílias e traz desenvolvimento social importante. A gente vê isso muito nas zonas portuárias. Não é algo que beneficia apenas quem atua diretamente no setor, mas toda a sociedade”, argumenta.
Portos do Paraná
Entre os convidados esteve o diretor-presidente da Portos do Paraná e presidente da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), Luiz Fernando Garcia, que participou do painel “Regulação, Segurança Jurídica e Eficiência Portuária nos Portos do Sul”.
Durante sua apresentação, Luiz Fernando Garcia destacou ações implementadas nos portos paranaenses nos últimos anos e que vêm sendo apontadas como referências para outros portos brasileiros. O Porto de Paranaguá é atualmente o primeiro do país a ter 100% das áreas portuárias arrendáveis regularizadas, garantindo maior segurança jurídica aos operadores. “Com nossas concessões, somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, em uma obra que está 95% concluída”, enfatiza.

Segundo ele, as regularizações promovidas pela Portos do Paraná a partir de 2019 permitiram que empresas realizassem investimentos amparados por contratos firmados após leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3), garantindo segurança tanto ao poder concedente quanto aos operadores.
Ao abordar o papel do Paraná no cenário nacional, o dirigente destaca os investimentos realizados nos últimos anos. “Sem dúvida, toda vez que a gente consegue trazer aqui para o Paraná, para a nossa capital, Curitiba, a discussão sobre o ambiente portuário, a necessidade de melhoria da nossa logística e os cases a serem copiados, mostramos que o Paraná é uma referência hoje na operação logística, no desenvolvimento de grandes projetos rodoviários e no ambiente portuário. Somos o único porto do país com todas as áreas regularizadas, realizamos a primeira concessão de canal de acesso e estamos executando a maior obra portuária do Brasil, que é a construção do Moegão”, pontua.

Luiz Fernando Garcia ressalta ainda que a eficiência logística impacta diretamente a competitividade da economia brasileira. “Se o nosso leite, se o nosso óleo de soja está mais barato ou mais caro, a gente tem que saber por quê. E a logística tem um papel preponderante nisso. A hora que nós entregamos um porto eficiente, seja para importação ou para exportação, naturalmente contribuímos com a nossa economia, não carregando os preços de todos os produtos que dependem do agronegócio”, afirma.
Ele também observa o trabalho realizado pelo Governo do Paraná na ampliação da infraestrutura de transporte. “Acho que o Governo do Estado do Paraná, nesses últimos oito anos, tem trabalhado com esse foco. Desenvolver a infraestrutura rodoviária, portuária e ferroviária e acho que o trabalho e o saldo são muito positivos ao final desses oito anos”, avalia.
Sobre os desafios futuros, o diretor-presidente da Portos do Paraná, ressalta a importância da integração ferroviária. “O Paraná fez as concessões rodoviárias e R$ 90 bilhões serão aplicados nos contratos vigentes. E o vencimento da concessão da Malha Sul, em 2027, é a oportunidade que temos para discutir com o setor ferroviário, importantíssimo para que o Moegão funcione com sua capacidade plena”, explica.
Sobre os desafios da logística nacional, o dirigente aponta o custo do transporte de cargas até os portos como um dos gargalos que precisam ser enfrentados. “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos”, alerta lembrando ainda que o Porto de Paranaguá se tornou o primeiro porto público brasileiro a conquistar o selo internacional EcoPorts, certificação que reconhece boas práticas de gestão ambiental portuária.
Trabalhadores acompanham transformações do setor

O presidente do Sindicato dos Estivadores, João Fernando da Luz, comenta a importância da participação dos trabalhadores nos debates sobre logística e infraestrutura. “Todo o assunto que envolve portos, transporte e os modais que ligam ao porto é de interesse dos trabalhadores. É importante saber e transmitir aos nossos associados todo esse envolvimento e como o trabalhador pode se preparar para essa nova realidade. Nós, como líderes sindicais, não podemos nos furtar de acompanhar esse movimento e essa evolução do trabalho portuário”, enfatiza.
União entre agro e setor portuário
Um dos idealizadores do movimento, o deputado federal Tião Medeiros destaca a necessidade de aproximar as discussões do agronegócio e da infraestrutura logística. “Nosso propósito aqui é unir, especialmente, duas frentes parlamentares, a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos e a Frente Parlamentar da Agropecuária. Isso porque, às vezes, esses assuntos são tratados separadamente, quando, na verdade, não deveriam, porque são faces da mesma moeda”, informa.

Segundo o parlamentar, o agronegócio é um dos principais responsáveis pela movimentação de cargas no país. “O setor do agronegócio é o maior contratante de frete e o maior demandante do setor portuário no país. Ao lado da mineração, passa de 70% do volume de carga movimentada no Brasil. Ou seja, o agro e o setor portuário têm tudo a ver. São assuntos que têm sinergia total e precisam caminhar conjuntamente”, explana.
Tião Medeiros aponta que a expansão da produção agrícola exige uma infraestrutura cada vez mais eficiente. “Quanto mais eficiente e barato for o serviço prestado pelo setor portuário, melhor para o agro, que é o grande contratante. Quanto mais o agro cresce, também cresce a demanda pelo setor portuário”, avalia.
O deputado também lembra a importância das importações para a produção agrícola. “Afinal de contas, a gente exporta muito e espera exportar cada vez mais. Mas também há necessidade de importação de alguns produtos, especialmente o fertilizante, como matéria-prima para a adubação da agricultura brasileira”, observa. Segundo ele, o movimento reúne ainda entidades técnicas que dão suporte às frentes parlamentares. “Hoje fizemos uma união dessas frentes, juntamente com o Instituto Pensar Agro, que sustenta tecnicamente a FPA, e o Instituto Brasileiro de Infraestrutura, que dá suporte à Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos. É uma união de esforços para caminhar nas pautas comuns com mais assertividade, velocidade e capacidade de fazer as coisas acontecerem”, acrescenta.
Secretário nacional de Portos
O secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos e presidente do Conselho de Administração da Portos do Paraná (Consad), Alex Sandro de Ávila, afirma a importância do agronegócio para a economia nacional e o protagonismo da Região Sul nesse cenário.
“O agronegócio e a cadeia logística do agronegócio são a grande locomotiva econômica do nosso país. Sem sombra de dúvidas, toda a Região Sul tem protagonismo nesse aspecto, tanto na produção quanto no escoamento da safra. O Porto de Paranaguá é um instrumento muito importante nesse processo”, ressalta.

Alex Sandro de Ávila também realça os avanços obtidos pela Portos do Paraná nos últimos anos, especialmente na requalificação de áreas e na realização de leilões que ampliaram a capacidade de investimentos no Porto de Paranaguá. “A Região Sul ainda tem protagonismo no escoamento de cereais, até porque conta com portos extremamente preparados e especializados para essa atividade. Então, buscamos uma sinergia e harmonização, que já deram muito certo aqui no Sul e servem de bom exemplo para desenvolvermos projetos de crescimento nas regiões Norte e Nordeste do país”, frisa.
Para o secretário nacional, encontros como o Agroportos ajudam a construir soluções para os desafios futuros. “Ter uma discussão em alto nível com a participação da sociedade, da comunidade portuária, dos executivos, dos empresários e do porto aqui presente é uma excelente oportunidade para debater não só as necessidades e prioridades atuais, mas também olhar para o planejamento de amanhã”, considera.





