A eleição para o Governo do Paraná começa a entrar em uma fase em que o eleitor tende a exigir mais do que biografias, slogans e antagonismos nacionais.
Embora continue liderando os levantamentos eleitorais divulgados até o momento, Moro vê adversários diminuírem a distância em alguns cenários. Sandro Alex (PSD), representante do grupo político do governador Ratinho Junior, aparece em trajetória de crescimento em pesquisas recentes, indicando que a disputa pode ganhar novos contornos nos próximos meses conforme a pesquisa contratada pela Folha do Litoral registra no número PR-01737/2026.
A questão central, entretanto, talvez não esteja nos números, mas no conteúdo. Nas entrevistas concedidas até agora, Moro frequentemente concentra sua retórica em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. O problema é que uma campanha para governador exige respostas sobre os desafios do Paraná.
É legítimo que um candidato tenha posicionamentos nacionais. O que não parece suficiente é transformar uma eleição estadual em extensão da polarização de Brasília.
No fim das contas, a pergunta que começa a ganhar espaço não é quem combateu a corrupção no passado, mas quem tem capacidade de governar o Paraná nos próximos quatro anos. É essa resposta que os eleitores esperam ouvir de Sérgio Moro e de todos os demais pré-candidatos.
Outro fator que pesa contra Sérgio Moro é a percepção de incoerência política, que, para seus críticos, compromete sua credibilidade. Moro rompeu com Jair Bolsonaro após integrar seu governo, saiu atirando para todos os lados, e, agora, reaproximou-se do grupo político do ex-presidente, aliou-se ao palanque de Flávio Bolsonaro e embarcou de cabeça com o Valdemar Costa Neto (PL), o qual atacou por várias vezes. Também foi alvo de críticas ao tentar viabilizar sua candidatura por São Paulo antes de retornar ao Paraná e ao deixar o Podemos rumo ao União Brasil, movimento interpretado por adversários como motivado pela estrutura partidária e pelos recursos eleitorais. O ex-senador Alvaro Dias (MDB) é testemunha desse fato.
Esses episódios alimentam o discurso de que Moro abandonou a imagem de independência que o projetou nacionalmente. Soma-se a isso um mandato de senador frequentemente criticado por opositores como discreto, raso, com poucas propostas de grande repercussão. Para esses críticos, sua candidatura permanece mais sustentada pelo legado da Operação Lava Jato do que por um projeto consistente para o futuro do Paraná.
A trajetória política de Sérgio Moro (PL), marcada por sucessivas mudanças de posicionamento, pode estar cobrando seu preço. Em um cenário de maior escrutínio, o eleitor parece cada vez mais atento e desconfiado.
Quem muda de lado com frequência precisa explicar mais do que prometer. Na política, o eleitor pode até esquecer um discurso, mas raramente perdoa a incoerência. Esses fatos de Sérgio Moro (PL) lembra um aforismo bastante conhecido na tradição política em que “muitos eleitores amam a traição, mas jamais perdoam o traidor”.





