O amor pelas artes marciais começou ainda na infância, quando o então menino Mário Rogério dos Santos encontrou no karatê uma alternativa para melhorar a saúde e superar a bronquite. Décadas depois, a paixão virou profissão, missão de vida e referência esportiva em Paranaguá. Faixa preta de jiu-jítsu e kickboxing, profissional de Educação Física e líder da “Dojo Sansei”, o professor foi o entrevistado do PodCafé, da Folha do Litoral News, na quarta-feira, 20, onde relembrou sua trajetória, os desafios da carreira e o trabalho social desenvolvido com crianças, adolescentes e atletas da cidade.
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Mário contou que teve o primeiro contato com as artes marciais aos nove anos, treinando karatê com o falecido professor Aníbal. Depois disso, passou por modalidades como natação e remo, sempre incentivado pela prática esportiva. O interesse aumentou com filmes de Bruce Lee e Chuck Norris, até que, em 2001, conheceu a Glenda Jiu-Jítsu Vale Tudo, onde iniciou definitivamente sua caminhada nas lutas.
Buscando aprofundar seus conhecimentos, decidiu cursar Educação Física. Hoje, além da graduação em licenciatura e bacharelado, possui cinco pós-graduações, sendo duas voltadas especificamente para artes marciais e esportes de combate. “Conhecimento é a base de tudo. O professor não pode achar que sabe tudo. Ele precisa buscar mais para oferecer o melhor aos atletas”, destacou.
A Dojo Sansei nasceu em 2011, de forma simples, na garagem da casa da mãe do professor, dona Clotilde, na Vila Horizonte. O espaço começou apenas com alguns amigos interessados em aprender técnicas de defesa pessoal. Entre os primeiros alunos estavam Richarlisson, Rodrigo, Isaías e Alex Sales.
Sem imaginar que se tornaria professor, Mário revelou que quase desistiu diversas vezes no início. Além das dificuldades estruturais, também enfrentou críticas e preconceitos, chegando a ser chamado de “academia de fundo de quintal”. Mesmo assim, persistiu. “Isso me magoou, mas me deixou mais forte. A arte marcial ensina justamente isso: cair e levantar mais forte”, afirmou.
Em 2018, já casado, transferiu a academia para o Jardim Iguaçu, iniciando uma nova fase, chamada por ele de “Novo Testamento” da Dojo Sansei. Apesar das dificuldades no começo da mudança, o professor encontrou no bairro novos talentos e consolidou uma base sólida de atletas.

Atualmente, a academia funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h, além dos sábados pela manhã, oferecendo aulas de musculação, treinamento funcional, jiu-jítsu, kickboxing e MMA. Ao longo da trajetória, Mário já formou seis faixas pretas (cinco no jiu-jítsu e um no kickboxing) e segue preparando novos atletas que vêm ganhando destaque em competições regionais e estaduais.
Entre os principais nomes da academia estão Pedro Lira, Miguel Lira, Alysson Balotelli e Luan Ferreira Dias, atletas que representam Paranaguá em importantes eventos de artes marciais.
O professor também ressaltou a importância social das lutas na formação de crianças e adolescentes. Segundo ele, a arte marcial vai muito além do combate, trabalhando valores como disciplina, respeito, hierarquia e autocontrole. “Ela forma cidadãos de corpo e mente. Não é só luta. A arte marcial molda a pessoa”, explicou.
Durante o PodCafé, Mário relembrou a história de um aluno que sofria bullying na escola e encontrou no jiu-jítsu confiança e autoestima para superar o problema. Além do trabalho esportivo, a Dojo Sansei mantém projetos gratuitos voltados para crianças, adolescentes e mulheres, com aulas realizadas às terças e quintas-feiras. Os treinos contam com acompanhamento de instrutores e supervisão direta do professor.
A academia também participa ativamente do crescimento dos projetos sociais esportivos no município. Segundo Mário, iniciativas como o projeto Escudeiros de Deus, no Jardim Paraná, e oficinas esportivas em escolas municipais demonstram o impacto positivo das artes marciais na vida dos jovens.
Entre os próximos desafios da equipe estão uma seletiva de MMA amador em Jundiaí, em São Paulo, válida para o Pan-Americano no Uruguai, além do ICC — International Coliseu Championship, em Paranaguá, o Paraná Combate, em Cascavel, e o Campeonato Paranaense de Jiu-Jítsu, que será realizado pela primeira vez na cidade.
Para o professor, o maior objetivo continua sendo o mesmo desde o começo da caminhada na garagem da mãe: transformar vidas através do esporte. “Meu sonho sempre foi formar atletas de alto rendimento para o Brasil e para o mundo. E acredito que estamos no caminho certo”, finalizou.
Entrevista na íntegra
A entrevista na íntegra pode ser conferida acessando o YouTube da Folha do Litoral News:






