Entrevista

“Não estamos brincando de fazer saúde”, diz Beto Preto sobre o Hospital Regional do Litoral

Secretário de Estado da Saúde esclarece denúncias, anuncia reforço na estrutura hospitalar, avanço das obras da maternidade e ações para a alta temporada no litoral do Paraná

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Não estamos brincando, ninguém veio aqui brincar de administrar esse hospital, a coisa é muito séria, porque tem uma população por trás que não pode ficar sem os serviços essenciais deste hospital”, ressalta Beto Preto (Foto: Folha do Litoral News)

O secretário de Estado da Saúde do Paraná, Beto Preto, esteve na sede da Folha do Litoral News na manhã desta sexta-feira, 19, e trouxe assuntos importantes para a população que reside em Paranaguá e nas demais cidades do litoral do Paraná. Como principal assunto, as denúncias que têm ocorrido sobre o Hospital Regional do Litoral (HRL). 

Acompanhe a entrevista completa com o secretário Beto Preto: 

Folha do Litoral News – Primeiramente, secretário, agradecemos a disponibilidade de estar conosco para trazer informações importantes para a população. 

Beto Preto – Quero agradecer a Folha do Litoral, a todos vocês e dizer que é uma satisfação estar aqui hoje, acompanhando o governador Ratinho Junior, estamos trazendo boas notícias, são 10 ambulâncias do UTI, zero quilômetro, sete para os municípios da região do litoral, da 1.ª Regional de Saúde e três ambulâncias, duas para o Hospital Regional Litoral e uma que vai ficar de sobreaviso para o Hospital de Guaraqueçaba. São investimentos de R$5 milhões somente em ambulâncias para contemplar os municípios na operação Verão Maior e também contemplar os nossos hospitais aqui da região”. 

Folha do Litoral News – Secretário, temos vivido algumas situações aqui no litoral, algumas denúncias com relação ao Hospital Regional do Litoral. O que o senhor pode falar para a população com relação a essas situações?

Beto Preto – “Eu quero, com muita tranquilidade, olhar nos olhos de toda a população do litoral, população de Paranaguá e dizer que estamos passando por uma onda de denuncismo. Mandei fazer uma verificação, são mais de 80 denúncias realizadas, denúncias infundadas, denúncias que estão partindo, inclusive – suspeitamos – de dentro do próprio hospital. Mandei apurar, mandei instaurar inclusive uma sindicância geral para avaliar o que está acontecendo. Porém, algumas questões estão relacionadas, por exemplo, à qualidade da água que é servida para o hospital. Importante dizer que tanto para as autoclaves quanto para a realização de diálise na beira de leito, na UTI, tem um processo instalado de osmose reversa que garante a qualidade da água para esses ambientes mais críticos e considerados áreas críticas do hospital.  É claro, dia sim, dia não, fazemos também testes de qualidade da água. Tudo isso que vem sendo falado em relação à água que é ofertada para os trabalhos do hospital tem um embasamento inverídico, não é verdade, mas você começa a falar, falar, falar, falar e daqui a pouco a mentira se transforma em verdade. Temos hoje um embate muito grande nas equipes médicas, porque estamos fazendo ajustes nos contratos desses serviços profissionais. E quero aqui deixar um agradecimento aos profissionais médicos que nos ajudam a tocar o nosso maior hospital, tanto este quanto o Hospital Regional de Francisco Beltrão, são os maiores hospitais públicos gerenciados pela Funeas, que é nossa fundação estatal. O nosso Hospital Regional do Litoral é uma referência, ele faz o atendimento de acidentes de mar, de acidentes de rodovia, acidentes relacionados com a área urbana dos municípios, atende também suspeita de AVC, é a maior maternidade de alto risco aqui do litoral, onde cerca de 250 crianças nascem todos os meses. Não estamos brincando, ninguém veio aqui brincar de administrar esse hospital, a coisa é muito séria, porque tem uma população por trás que não pode ficar sem os serviços essenciais deste hospital. Estamos fazendo ajustes para melhorar a oferta dos serviços e, ao mesmo tempo, observando o fluxo de trabalho, o fluxo de atendimento. Recentemente, acabou um treinamento com o Hospital Albert Einstein, que veio dar aqui um treinamento em um sistema LIM, veio implantar uma linha, um fluxo de atendimento para urgência e emergência. Estamos evoluindo ao longo do tempo com muito respeito pelas pessoas, pelos pacientes e essa é a orientação que o governador Ratinho Junior nos deu. Investimos nos municípios, mas investimos também no Hospital Regional Litoral e vem boas novidades pela frente”.

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Folha do Litoral News – Como estão as obras da nova maternidade? 

Beto Preto – “Depois que tivemos um problema com a empresa vencedora da licitação da reforma final da maternidade e da reforma do antigo prédio da Santa Casa de Misericórdia, ou que restou dele, fizemos um destrato com a empresa que não cumpriu os contratos e agora já estamos contratando novas empresas para terminar as obras. Já foi assinado pela presidência da Funeas, a contratação de uma nova empresa para finalizar os trabalhos da maternidade. Não dá para falarmos a data exata, mas quero crer que em 60 ou 90 dias depois de instalado o processo de trabalho, possamos já entregar a maternidade. Os equipamentos estão à disposição e uma vez pronta a maternidade, ficará pronto também todo o ambiente desta maternidade para transferirmos os leitos para lá. Transferindo os leitos da maternidade para o outro espaço ganhamos mais leitos gerais para o HRL. A mesma ideia serve para o ambulatório médico de especialidades. É uma ideia que lancei e a Funeas vai nos ajudar. No prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia, ou que restou dele, vamos ter um ambulatório médico de especialidades que vai ofertar consultas para Paranaguá e região do litoral. Cerca de cinco a sete mil consultas médicas por mês. Consulta de Ortopedia, que vamos tirar de dentro do hospital, o retorno da cirurgia, vamos fazer consultas de gastroenterologia, consultas de Endocrinologia, de Pneumologia Pediátrica”. 

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 “Estou aqui específica e exclusivamente para dizer do carinho com o Hospital Regional do Litoral e que todas as ações do hospital estamos acompanhando de perto. Tudo aquilo que andaram denunciando, vamos cuidar para esclarecer. Nada vai restar que não seja esclarecido”, salienta o secretário

Folha do Litoral News – Inclusive, com o atendimento relação dessas especialidades aqui em Paranaguá, também desafogará e facilitará para a população que não precisará subir a Curitiba para determinados atendimentos, correto?

Beto Preto – “Exatamente. Queremos diminuir a distância do serviço de saúde com o endereço onde as pessoas moram. São todos paranaenses e têm que ter o acesso à saúde garantido em algum lugar. Se não tiver aqui, está garantido lá em Curitiba, de alguma forma serão atendidos. Porém, é importante que o parnanguara saiba que se precisar de uma consulta de Endocrinologia, por exemplo, vamos ter aqui no nosso Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do Litoral, que inclusive, tem tudo para se tornar o mais bonito quando estiver pronto. É um prédio centenário e vai ser recuperado. Já serviu como uma biblioteca, mas que agora está sendo todo revitalizado.  A obra parou e quem entrar lá vai terminar a obra, que está com 60% já adiantada. A gestão pública é diferente de uma empresa privada. Tem a burocracia necessária, é preciso comprovar tudo aquilo que é feito”. 

Folha do Litoral News – Para que a população possa entender melhor, secretário, quando uma empresa que passou pela licitação não cumpre com seu papel, não entrega a obra, ela é afastada e todo o processo precisa ser refeito?

Beto Preto – “É, porque a nova licitação, ou a nova dispensa de licitação vai partir de um percentual de cumprimento da empresa anterior. Então, quanto é que foi cumprido? Essa medição tem que ser feita, tem que ser analisada, tem que ser corroborada e reiteradamente avaliada. É claro que quem vai entrar na obra vai saber que não vai pegar a obra do começo, mas vai pegar a obra já no caminho do fim, mas é assim, gestão pública é isso. É importante dizer que o Estado do Paraná investe neste hospital. Esse ano, 2025, ele vai fechar com custos aproximados de R$126 milhões. Não é pouco para manter aquela porta aberta, recebendo as ambulâncias do Siate, do SAMU. Agora temos que avaliar, temos que ajustar. Temos o Hospital do Trabalhador e um pouco mais da metade dos traumas, traumatismo, traumatismo de trânsito, acidente automobilístico, motociclístico, atropelamentos, acidentes nas rodovias, acidente por arma de fogo, acidente por arma branca, ou seja, 60% do que acontece em Curitiba e Região Metropolitana, vão para o Hospital do Trabalhador. Temos aqui em Paranaguá algumas especialidades que tem mais profissionais médicos de plantão aqui, que tem uma demanda por esse tipo de situação que remonta a 15% ou 20% que passa no Hospital do que propriamente lá no Hospital do Trabalhador. Esses ajustes são necessários para podermos continuar investindo os recursos aqui e não deixar ninguém sem atendimento. Estou satisfeito, por enquanto, as sindicâncias foram encaminhadas, trouxemos para cá um experiente profissional para ser o nosso diretor do Hospital Regional do Litoral, o Dr. Hélio, que assumiu o hospital agora há 60 dias. Está fazendo um trabalho de observação criteriosa dos contratos que já existem e teremos novidades ainda durante o mês de janeiro”.

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Secretário abordou importância do Hospital Regional para os pacientes do litoral e destacou a futura inauguração da nova maternidade, bem como do AME (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

Folha do Litoral News – Nesta sexta-feira, 19, é iniciado o Verão Maior Paraná 2025/2026, onde o número de pessoas no litoral triplica neste período. Isso também pode aumentar o número de atendimentos no Hospital Regional do Litoral, secretário? 

Beto Preto – “É uma responsabilidade grande para todos que estão trabalhando naquele local. Temos números importantes para serem debatidos e com a mudança da regulação de Paranaguá para Curitiba, tivemos um aumento da regulação de leitos, da regulação de transferência de pacientes garantindo mais rapidez nesse processo todo. Agora é claro, você modifica aquilo que está instaurado há vários anos, algumas ‘viúvas’ ficam para trás e temos que enfrentar. Desde 2019, enfrentamos as mudanças que têm que ser enfrentadas. Quero dizer que estamos agora já no nosso oitavo verão. Sete anos de mandato do governador Ratinho Júnior. Pegamos a partir de 1.º de janeiro de 2019, praticamente o verão inteiro daquele ano e agora o oitavo verão do oitavo ano de mandato. Quero também deixar muito claro que diminuímos os problemas que enfrentávamos na porta do hospital de Paranaguá. As situações anômalas que existiam, denúncias. Agora estamos passando por uma onda de denuncismo, que a moçada fala na mídia social, que são os haters, pessoas com muito ódio no coração que ficam reiteradas vezes, denunciando situações que não têm cabimento. Equipamento existe para funcionar. Se o equipamento não funciona, tem que ter manutenção. Temos duas autoclaves aqui no Hospital Regional do Litoral que são de grande porte, que compramos e instalamos há dois ou três anos. São equipamentos novos que fazem a autoclavagem de todo o material crítico que vai ser reutilizado. Esses dois equipamentos, em questão de alguns dias, queimaram. Começamos a usar de forma compartilhada a autoclave do Hospital Paranaguá em caráter de colaboração e já contratamos, lançamos mão de um contrato emergencial com a Sterilab, uma empresa que faz esse serviço, que tem uma supersede e faz esse trabalho com o Paraná inteiro, em Curitiba. Se tiver que levar o material para Curitiba e voltar com ele pronto, vamos fazer isso. Ninguém precisa se preocupar, pois nenhum equipamento ou material que for utilizado em cirurgia vai estar sujo. Muito pelo contrário, garantimos inclusive com a nossa comissão de controle da infecção hospitalar, todos os procedimentos lá dentro. E o Dr. Hélio, que é o nosso diretor, está cuidando desse assunto também. Estamos arrumando porque temos um contrato de manutenção e tudo vai voltar à normalidade dentro de alguns dias. Vamos continuar trabalhando, não é porque uma autoclave falhou que vamos aqui criar um ‘monstro do Lago Ness’, como existia, um monstro da infecção hospitalar. Não é nada disso. Nenhuma pinça vai para cirurgia se não tiver com qualidade para ser utilizada naquela cirurgia. Quero tranquilizar a todos, nosso trabalho é ostensivo e vamos vencer com a verdade. Aqueles que, infelizmente, estão insistindo em se transformar em haters, quero dizer que estão errados. Não se faz isso em uma estrutura tão importante quanto um hospital como esse. Um hospital que atende cerca de 250 partos por mês, atende nossas gestantes de alto risco do litoral e das ilhas. Não estamos brincando de fazer saúde aqui. Há cerca de dois anos instalei aqui, ainda no nosso mandato com o governador Ratinho Júnior, novos equipamentos de raio-x, ultrassom e tomografia, por exemplo. É possível que um desses equipamentos possa falhar em algum momento. Por isso que é preciso ter manutenção contratada e a manutenção correta das empresas que construíram esses equipamentos. Estamos acostumados a fazer isso em todo lugar e não é diferente aqui no litoral, mas o litoral chama atenção porque agora temos aqui uma população de 280 a 300 mil pessoas e que, durante os próximos 60 dias ou 90 dias, vamos passar de 300 mil para um milhão de pessoas. O hospital tem que estar preparado, as UPAs têm que estar preparadas. Vem aí o lançamento já nos próximos dias, pelo Governador Ratinho Júnior, pelo vice-Governador Darci Piana, do Hospital Regional de Matinhos que é uma outra estratégia e estamos desenhando também o Regional de Guaratuba. O litoral está na mira, é alvo dos investimentos do Estado. Tenho aqui esta missão de não deixar pedra sobre pedra e tem que desmistificar tudo dessas pessoas que estão criando essa onda falsa de denuncismo. Vamos apurar uma a uma dessas denúncias para que não reste dúvidas sobre o que está acontecendo aqui no Hospital Regional Litoral. Nossa indicação para o Dr. Hélio, que é o novo diretor do hospital, Hélio Avelar, que ele possa fazer um trabalho de planificar todo esse processo, colocar tudo na mesa, verificar inclusive, – temos um mapeamento agora -, especialidade por especialidade, quantos atendimentos foram feitos, os custos gerados, para que possamos ajustar dentro da lógica da economicidade e da melhor utilização possível do dinheiro público”.

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“Estamos passando por uma onda de denuncismo, que a moçada fala na mídia social, que são os haters, pessoas com muito ódio no coração que ficam reiteradas vezes, denunciando situações que não têm cabimento”, afirma Beto Preto (Foto: Américo Antonio/Sesa – Arquivo)

Folha do Litoral News – Secretário, agradecemos por esta oportunidade de levar informações importantes para aqueles que residem no Litoral do Paraná ou está vindo para a região e deixamos o espaço à sua disposição para mais alguma informação importante que queira passar para a população:

Beto Preto“Quero agradecer muito a vocês, é uma alegria de vir na Folha Litoral News, um veículo de comunicação tão importante, mas falar também da entrada do verão, vamos ter os perigos do mar, não deixar as crianças sozinhas, tomar cuidado com a água viva, reforçando que o tratamento prioritário é vinagre. Não é só isso, não é só a água viva, não é só o cuidado das crianças na praia, mas tem a insolação, tem a alimentação, a questão da hidratação, o cuidado com os nossos idosos que pode desidratar, sofrer uma insolação e ter a necessidade de procurar serviços de saúde. Estaremos com as nossas unidades abertas em todos os municípios. É o início da temporada de verão, o verão no Paraná é o Verão Maior e precisamos dar o atendimento necessário. Estou aqui específica e exclusivamente para dizer do carinho com o Hospital Regional do Litoral e que todas as ações do hospital estamos acompanhando de perto. Tudo aquilo que andaram denunciando, vamos cuidar para esclarecer. Nada vai restar que não seja esclarecido”.


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Flávia Adans

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