Diante do imediatismo da Internet, onde tudo é compartilhado rapidamente e muitas vezes sem a confirmação das fontes oficiais, determinados casos, principalmente os virais, acabam influenciando diretamente a forma como a sociedade enxerga a culpa ou a inocência de alguém. Em muitas situações, a opinião pública passa a antecipar julgamentos, destruir reputações e condenar pessoas antes mesmo que o devido processo legal junto a justiça aconteça, criando assim, o chamado “Tribunal da Internet”.
“Tribunal da Internet” e liberdade de expressão
Segundo o advogado criminalista (OAB/PR 129.179), Gebran Saad Gebran Neto, o chamado “Tribunal da Internet” é um fenômeno social em que pessoas passam a julgar, condenar e até “sentenciar” alguém nas redes sociais antes mesmo da conclusão de uma investigação ou de um processo judicial. “As redes sociais potencializam isso porque a informação circula de forma muito rápida, muitas vezes sem contexto, sem provas completas e movida por emoção, indignação e engajamento”, explicou.
De acordo com o advogado, o problema começa quando esse julgamento virtual ultrapassa a liberdade de expressão e passa a atingir direitos fundamentais da pessoa, como honra, imagem, dignidade e privacidade. “A crítica e a opinião são protegidas pela Constituição, mas a divulgação de ofensas, acusações sem provas, exposição vexatória, discursos preconceituosos e campanhas de ataques podem configurar crimes contra a honra, além de gerar responsabilização tanto na esfera cível, com pedidos de indenização por danos morais, quanto na esfera criminal”, pontuou Gebran.
Redes sociais e onde buscar ajuda
O advogado explica que hoje, o “tribunal online” acontece principalmente em redes sociais como Instagram, TikTok, X (Twitter), Facebook e grupos de WhatsApp, onde informações são compartilhadas em massa e muitas vezes sem qualquer verificação. Ele explica também que as vítimas de ataques virtuais podem buscar ajuda através da Polícia Civil, especialmente por meio das delegacias especializadas em crimes cibernéticos, além do Poder Judiciário, com ações cíveis e criminais para responsabilização dos autores das publicações.
📲 Clique aqui para seguir o canal da Folha do Litoral News no WhatsApp.
“As pessoas sentem necessidade de julgar rapidamente nas redes porque existe uma cultura imediatista e emocional na internet. Muitos usuários acreditam que estão promovendo justiça, mas acabam agindo sem conhecer os fatos completos. Além disso, o anonimato relativo das redes e a busca por curtidas, compartilhamentos e validação social incentivam reações impulsivas e julgamentos precipitados”, concluiu Gebran.





