Direito & Justiça

Acordo histórico entre Paraná e Santa Catarina é homologado no STF, beneficiando o litoral paranaense

Pagamento será feito com obras do Governo do Paraná em via de acesso por Garuva - SC a Guaratuba e região

Governadores Carlos Massa Ratinho Junior e Jorginho Mello assinaram termo de transição judicial para quitação de uma dívida referente a royalties de petróleo da Petrobrás (Foto: Jonathan Campos/AEN)

Governadores Carlos Massa Ratinho Junior e Jorginho Mello assinaram termo de transição judicial para quitação de uma dívida referente a royalties de petróleo da Petrobrás (Foto: Jonathan Campos/AEN)

Um acordo histórico foi homologado nesta semana no Supremo Tribunal Federal (STF) entre os estados do Paraná e Santa Catarina, concedendo fim a uma disputa judicial existente desde 1991, trazendo como resultado uma melhoria na infraestrutura do litoral paranaense, no acesso à região entre Garuva – SC e Guaratuba. Em agosto deste ano, os governadores Carlos Massa Ratinho Junior e Jorginho Mello já tinham feito a assinatura de um termo de transição judicial para quitação de uma dívida referente a royalties de petróleo da Petrobrás.

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Segundo o Governo do Estado, a decisão referente à Ação Cível Originária (ACO) 444 foi homologada pelo ministro do STF, Flávio Dino, relator do processo, onde destacou que o Paraná e Santa Catarina se comprometeram a dialogar diretamente para estabelecer valores e formas de pagamento. “No dia 18 de agosto de 2025, os estados do Paraná e de Santa Catarina compareceram aos autos, por meio de petição conjunta, informando que chegaram a um acordo, devidamente aprovado e assinado pelos respectivos governadores”, diz o ministro.

PGE

“É um acordo inédito no âmbito da Federação Brasileira, que demonstra um caráter federalista de cooperação entre o Paraná e Santa Catarina. Ter a chancela do Supremo é certamente uma vitória para o Estado do Paraná”, ressalta o procurador-geral do Estado do Paraná, Luciano Borges.

Segundo a diretora-geral da PGE, Lucia Helena Cachoeira, a homologação do acordo pelo STF coroa o trabalho feito pela Procuradoria durante décadas. “O acordo, agora homologado pelo STF, torna-se um precedente histórico de extrema relevância, porque resolve, em interesse entre ambos os estados, um imbróglio jurídico de mais de 30 anos”, completa.

Obras 

De acordo com a Agência Estadual de Notícias (AEN), o pagamento será feito por meio de obras que serão executadas pelo Governo do Paraná em Garuva – SC, beneficiando também Itapoá – SC, na divisa com Guaratuba. “Entre elas está a duplicação de 19 quilômetros da rodovia SC-417, desde a BR-101 e o Contorno Sul da cidade catarinense, além da construção de três viadutos”, detalha.

2garuva SC
Entre as obras previstas, está a duplicação de 19 quilômetros da rodovia SC-417, desde a BR-101 e o Contorno Sul de Garuva – SC, além da construção de três viadutos, via que dá acesso ao litoral do Paraná (Foto: José Fernando Ogura/AEN)

“O investimento estimado em todas as obras é de R$ 365,3 milhões, sendo R$ 273,6 milhões da obrigação reconhecida judicialmente e o restante de decisão do Governo do Paraná de implementar uma política pública voltada ao desenvolvimento econômico do Litoral e à integração regional com Santa Catarina, configurando aporte voluntário adicional em infraestrutura de interesse comum”, afirma o governo estadual.

Segundo a AEN, as obras no Contorno de Garuva e na SC-417 darão continuidade à duplicação do lado paranaense na PR-412, que está em processo de licitação. “O trecho vai desde a divisa com Santa Catarina até a rotatória no início do perímetro urbano de Guaratuba, que será substituída por um viaduto, facilitando o tráfego de veículos rumo ao estado vizinho e o trânsito dentro do município”, acrescenta. 

Disputa judicial

Segundo o Governo do Estado, em 1991, o governo de SC entrou com a ACO no STF, alegando que os cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a distribuição dos royalties da Petrobras estavam errados. “Essa avaliação equivocada do IBGE fez com que o Paraná recebesse, ao longo desses anos, recursos repassados pela empresa na forma de royalties para a exploração de campos de petróleo na região, mas que deveriam ter sido pagos a Santa Catarina”, completa a AEN.

“Em 2020, os ministros do STF decidiram por maioria dar razão ao pleito catarinense, determinando o ressarcimento dos valores devidos. O acordo entre os governadores para que o pagamento fosse realizado na forma de obras estruturantes e que beneficiassem os dois estados foi firmado em novembro do ano passado, durante a realização do 12º encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud)”, finaliza o governo estadual.

Com informações da AEN


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Leonardo Quintana Bernardi

Editor-chefe da Folha do Litoral News. Jornalista graduado pela PUC-PR com atuação desde 2012 no jornalismo impresso, online e em audiovisual, bem como em assessoria de comunicação. Já trabalhou em órgãos públicos, jornais locais, freelances em veículos de alcance nacional e desempenha suas funções na Folha do Litoral News desde 2017. Defensor do jornalismo como meio de transformação social.

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