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Cultura

Servidor do MAE celebra 39 anos de serviço público federal

“Vi a evolução do MAE nos últimos anos, entre elas o reconhecimento do museu como fonte de pesquisas universitárias a nível mundial”, ressalta Luiz Cezar Rodrigues

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“Cezinha do Museu” iniciou na Receita  e atua há 37 anos no MAE 

Torna-se praticamente impossível visitar ou consultar informações sobre o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Paranaguá, sem falar com Luiz Cezar Rodrigues, de 62 anos, mais conhecido como “Cezinha do Museu”, que atua no espaço cultural desde 1983 e é um patrimônio vivo da história do museu nas últimas décadas. Antes disso, o parnanguara Luiz Cezar, atualmente auxiliar administrativo do MAE, já atuava no serviço público federal, iniciando carreira em 1979 como auxiliar de vigilância e repreensão na Receita Federal em Foz do Iguaçu, onde passou por momentos marcantes na história da América do Sul e até mesmo na prisão de um mafioso italiano. 

Cezinha, que é filho do estivador Enauro e da dona de casa Maria, ambos já falecidos, ressalta o início de sua carreira. “Iniciei no serviço público, embora em 1979 em Foz do Iguaçu na categoria de Auxiliar de Vigilância e Repreensão, algo que fiz até 1981. Neste período, passei por momentos marcantes como a morte por tiro de bazuca no Paraguai do ex-presidente renunciado da Nicarágua, Anastasio Somoza Debayle, quando houve fechamento da Ponte da Amizade por duas semanas”, salienta.

“Outro fato curioso e histórico que ocorreu neste período foi a prisão do mafioso italiano, Tommaso Buscetta, membro da Cosa Nostra, que foi preso por uma equipe volante da Receita Federal”, completa.

Paranaguá

Em 1981, Cezinha decidiu vir a sua cidade natal, Paranaguá. “Recebi um convite para fazer uma entrevista no Museu de Arqueologia, através de Leocádia Bibi, colega da professora Maria José Menezes, diretora na ocasião. Assim iniciei o desempenho da função de agente de portaria, atendimento ao público em geral, período em que eu já controlava as visitas no chamado MAAP e fazia meus contatos. Fiquei nesta função até 1983 e em maio deste ano assinei contrato CLT com a UFPR”, explica, ressaltando que após a promulgação da Constituição Federal em 1988 ele então garantiu acesso ao regime estatutário, algo obtido em 1990. 

“Vi a evolução do MAE nos últimos anos, entre elas uma das principais foi o reconhecimento do museu como fonte de pesquisas universitárias a nível mundial, recebendo visitantes de países de todo o mundo”, explica o servidor. Segundo Cezinha, além de exercer serviços administrativos, ele faz a ligação do MAE com autoridades locais, agentes de viagens, visitantes e promove agendas culturais, auxiliando inclusive em aulas no auditório do espaço todas as quartas-feiras. “A convivência com os amigos e visitantes ocorre num ambiente descontraído, não tem distinção entre servidores da UFPR, servidores terceirizados e direção do MAE”, completa.

Luiz Cezar afirma que passou por vários momentos gratificantes na carreira no MAE, entre eles conhecer os professores Júlio e Janine Alvar, espanhóis autores da obra Guaraqueçaba – Mar e Mato, item bibliográfico essencial para pesquisas no litoral. “Conhecidos atores e atrizes globais como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Edson Celulari, o cantor Ed Motta”, salienta, ressaltando que uma honra em sua carreira foi ter sido homenageado por Dom Pedro Fedalto e outros padres que cantaram em latim em sua homenagem por ter auxiliado no monitoramento do grupo por cerca de oito anos. 

“Uma personalidade conhecida no contexto político foi a historiadora Anitta Leocádia Prestes, filha de Luis Carlos Prestes, político, que foi secretário do Partido Comunista Brasileiro (PCB)”, completa. Cezinha foi também homenageado em 2018 pela Câmara Municipal com o título de honra ao mérito. 

“O MAE e o prédio é um monumento do século XVIII, tendo sido o primeiro colégio do litoral em 1755, bem como Alfândega em 1822, quartel entre 1911 e desde 1963 sendo um alicerce educacional e cultural do Paraná como museu da UFPR”, explica o auxiliar administrativo, ressaltando que o local é um dos mais bem conservados na América do Sul. “Em tempo: em 39 anos o museu  passou por MAAP de 1958 a 1992, de MAEP de 1992 a 1999 e MAE de 1999 até os dias atuais”, completa.

Cultura 

Além da carreira profissional, Cezinha ressalta sua identificação como potencializador da cultura parnanguara, pois colaborou para que o Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP) voltasse a realizar reuniões no auditório do MAE em 2012. “Sou diretor do Museu Annibal Ribeiro Filho, sou Conselheiro do Conselho de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secultur), bem como do Centro de Letras de Paranaguá”, finaliza.