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Cultura

Projeto Marco Zero objetiva a preservação da Catedral Diocesana de Paranaguá

População pode destinar parte do Imposto para a recuperação do local

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A Catedral Diocesana de Nossa Senhora do Rosário, em Paranaguá, é uma das igrejas mais antigas do Brasil, carregada de história e cultura, as quais contam as memórias do seu povo. Para recuperar esse patrimônio, foi criado o Projeto Marco Zero, que visa a restauração no aspecto religioso, arquitetônico e histórico. O nome se deve ao local ser o ponto de partida do marco populacional do Estado.

A Catedral Diocesana data de 1578 e necessita de intervenções para a preservação da estrutura física, modernização do uso do espaço e o resgate histórico de toda a construção. O objetivo do projeto é arrecadar recursos de empresas e pessoas físicas para garantir essa restauração. Para dar andamento à iniciativa foi criado um consórcio de empresas formado pela Inspire C, Agência FN que faz a gestão de fomento e captação do consórcio e o núcleo de mídia e conhecimento.


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A arquiteta e urbanista, Letícia Nardi, especialista em Patrimônio Cultural, é a coordenadora técnica do Projeto Marco Zero e explicou as características da iniciativa. “É um projeto cultural aprovado na lei federal de incentivo à cultura, que tem como objetivo principal a preservação da Catedral Diocesana de Paranaguá. A primeira etapa consiste na elaboração dos projetos de restauração, que inclui levantamentos, pesquisa histórica e arqueológica, compreensão dos problemas do edifício e, por fim, fazemos as propostas de intervenção para o restauro e adaptação da questão elétrica, de prevenção de incêndios, acessibilidade, etc. Teremos, com isso, o valor exato para a realização da obra”, esclareceu Letícia.

Para além das questões técnicas, o projeto também prevê o envolvimento da comunidade de Paranaguá e do Paraná. “Com a proposta de realização de atividades que a envolva durante a elaboração dos projetos, na pesquisa e na própria compreensão de como as pessoas vivenciam esse patrimônio cultural brasileiro”, disse Letícia. “O projeto ainda tem um outro objetivo, que é reunir, a partir da pesquisa histórica que será feita sobre o edifício e a diocese e uma publicação que vai comemorar os 60 anos da Diocese de Paranaguá”, afirmou a arquiteta.

A ideia é realizar um evento do projeto Marco Zero no mês de julho, em comemoração aos 60 anos da Diocese de Paranaguá e, assim, marcar o lançamento oficial da iniciativa.

Destinação do IR

Os trabalhos para angariar recursos já começaram e pessoas físicas com até 6% do imposto de renda e jurídicas com até 4% podem participar. As pessoas físicas têm até o final de abril para fazer o Imposto de Renda. Ao preencher o formulário, o contribuinte terá a opção de destinar parte do imposto devido para este projeto.

“Como o projeto está aprovado na lei federal de incentivo a cultura, viabiliza a captação de recursos a partir de doação. Por isso, há a possibilidade nesse processo de contribuição por pessoas físicas e jurídicas de destinar parte do seu imposto de renda para o projeto cultural”, disse Letícia.

O nome se deve ao local ser o ponto de partida do marco populacional do Estado

Participação da comunidade

O padre Emerson Zella, pároco da Catedral Diocesana, afirmou que o Projeto Marco Zero veio de uma necessidade de fazer a manutenção do prédio. “Em 2018, nós conseguimos conversar com a secretaria de cultura de Paranaguá e começamos a fazer reuniões e a pensar em como poderíamos organizar uma forma de buscar auxílio para o restauro da nossa catedral. Apareceu esse grupo de consórcio interessado em nos ajudar para que isso se concretizasse. Nos reunimos para buscar apoio para ter esse recurso”

Segundo ele, essa é uma forma de manter todo esse patrimônio histórico e cultural. “O Projeto Marco Zero é algo inicial para chegar também a outros locais históricos da nossa cidade para receber a manutenção. Para a nossa comunidade na Catedral é uma grande alegria saber que o Marco Zero é uma realidade. Estamos com a agenda bem encaminhada para que o projeto de restauro possa ser concluído”, comemorou o padre.

Para ele, é importante que a população esteja envolvida nesse processo.

“Estamos nos esforçando muito para que toda a população de Paranaguá cuide do nosso patrimônio, para celebrar o momento dos 60 anos de criação da nossa diocese e, assim, para que a nossa catedral seja restaurada, possa atrair mais turistas e ampliar o turismo religioso que tem muitos pontos de igrejas e dependem de ajuda porque são projetos caros e sozinhas as comunidades não conseguem, mas unidos conseguimos fazer muita coisa”, enfatizou o padre Emerson.

Curadoria 

O curador que gerencia a operação integrada do Projeto Marco Zero, Fábio Chedid, relatou um pouco da importância histórica da igreja. “Quando nos referimos a igreja matriz de Paranaguá, pensamos em uma das primeiras ocupações do estado do Paraná como um todo, quando aqui ainda nem era o Paraná. Paranaguá é um dos locais mais antigos de ocupação do Brasil, com início na Ilha da Cotinga e, ainda no século XVI, essa área onde a igreja está hoje colocada e ao redor dela se formou o centro histórico. É o marco central e é referencial na planta urbana da cidade, além da porta principal dar direto na ponte que vai para a Ilha dos Valadares, há uma série de ligações urbanísticas, históricas, sociais e a questão da religiosidade na formação cultural”, explicou Chedid.

Segundo o curador, o prédio é tombado em nível municipal e o centro histórico em nível federal. “Com isso, estamos em uma área super protegida e isso permite que haja a programação de projetos para restauro de prédios antigos que continuam sendo utilizados como a igreja. Tem toda a sua importância por prestar o seu serviço original, mas agrega ao longo dos séculos um valor histórico e social incrível não só para Paranaguá, mas também para o Paraná e Brasil como um todo. Preservar esse patrimônio é manter o Paraná na ponta do que significa preservação no Brasil, a importância dessas localidades e do povo da cidade que tem a memória e que fique orgulhoso”, destacou Chedid.

Secultur

A Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secultur), tem acompanhado todo o processo. Participou oferecendo informações históricas, cadastrais, fotográficas e arquitetônicas, entre outras, para que o projeto pudesse ser formulado.

Com informações da Prefeitura de Paranaguá