Cultura

Porto de Cima Cultural leva seis meses de formação gratuita com foco na memória afro-indígena em Morretes

Atividades serão realizadas no Barracão de Festas São Sebastião entre fevereiro e agosto

FOTO 01 2026 02 24T160106.064

Projeto reúne 10 oficinas semanais, formação antirracista, produção audiovisual, catálogo digital e a criação do primeiro bloco afro da região (Foto: Divulgação/Maycon Souza)

A partir de quarta-feira, 25, o bairro rural de Porto de Cima, em Morretes, passa a sediar o projeto Porto de Cima Cultural, uma iniciativa gratuita de formação que, ao longo de seis meses, oferecerá dez oficinas culturais semanais destinadas a crianças, adolescentes, jovens e adultos.

📲 Clique aqui para seguir o canal da Folha do Litoral News no WhatsApp.

A programação inclui oficinas de teatro, breaking, desenho, música, construção de instrumentos percussivos com material alternativo, educação ambiental, turismo de base comunitária, produção de eventos e Língua Brasileira de Sinais (Libras). As atividades seguem até agosto, somando 24 encontros por oficina (quatro por mês) e serão realizadas no Barracão São Sebastião, espaço que contará com acessibilidade arquitetônica e comunicação inclusiva. As inscrições são feitas no link: https://forms.gle/Ror1Nh7sPwypGsYs6.

“Voltado especialmente a territórios historicamente marcados pela presença negra e por trajetórias fundamentais para a formação do Paraná, como Porto de Cima e São João da Graciosa, o projeto reforça o acesso à cultura e à formação continuada dentro do próprio território”, explicou a assessoria.

A iniciativa foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura – Governo Federal, por meio do Edital Viva Cultura.

Formação cultural com identidade territorial

De acordo com a assessoria, o projeto parte de um compromisso com o reconhecimento histórico da presença negra e indígena na formação de Morretes, compreendendo que essas contribuições foram, ao longo do tempo, invisibilizadas ou tratadas de forma secundária nos registros oficiais. Porto de Cima foi um dos primeiros lugares do Brasil a abolir a escravização antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, é local de nascimento de Maria Bueno e carrega a marca da atuação dos Irmãos Rebouças, primeiros engenheiros negros do país, responsáveis pelo projeto da Estrada de Ferro Curitiba–Paranaguá”, contou.

“Em São João da Graciosa, a montanha e o rio Mãe Catira preservam o nome de uma mulher negra escravizada que viveu na região, símbolo de uma memória que resiste aos apagamentos históricos. Apesar desse patrimônio simbólico, os bairros não possuem equipamentos culturais permanentes e enfrentam dificuldades de mobilidade até o centro da cidade – São João, inclusive, não conta com escola própria”, completou.

FOTO 02 2026 02 24T160501.072
“Cultura é direito, mas também é ferramenta de transformação social”, afirmou Kamylla Paola dos Santos, diretora de produção e oficineira de teatro (Foto: Divulgação/Luna Gabrielle)

“O projeto nasce da urgência de fortalecer memória, pertencimento e acesso à cultura dentro do próprio território. Cultura é direito, mas também é ferramenta de transformação social”, afirmou Kamylla Paola dos Santos, diretora de produção e oficineira de teatro.

Dez oficinas, múltiplas linguagens

O Porto de Cima Cultural oferecerá oficinas de teatro para crianças; teatro para jovens e adultos; breaking para adolescentes; desenho para crianças; desenho para jovens e adultos; construção de instrumentos percussivos com material alternativo; ensaios do bloco Lata Afro Groove; educação ambiental para adolescentes; turismo de base comunitária e produção de eventos regionais; e Língua Brasileira de Sinais (Libras).

As oficinas acontecem semanalmente, distribuídas entre manhã, tarde e noite, ampliando o acesso a diferentes públicos.

Além da formação artística, o projeto articula cultura, meio ambiente, economia criativa, patrimônio e acessibilidade, promovendo capacitação técnica e possibilidades de geração de renda local.

Primeiro bloco afro do Porto de Cima

Um dos eixos estruturantes da iniciativa é a criação do primeiro bloco afro da região, o Lata Afro Groove. A proposta envolve a construção de instrumentos com materiais recicláveis e ensaios regulares, conectando ancestralidade, sustentabilidade e protagonismo juvenil.

A ação dialoga diretamente com políticas de preservação do patrimônio cultural imaterial e com a valorização de matrizes africanas na cultura paranaense.

Contrapartida social e educação antirracista

O projeto também prevê ações formativas direcionadas à rede pública de ensino, ampliando seu alcance para além das oficinas regulares. Entre as atividades programadas estão dois encontros de quatro horas sobre Letramento Racial para Educadores, voltados à comunidade escolar de Morretes. 

A formação abordará a aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, além de discutir práticas antirracistas no cotidiano pedagógico.

Como parte da contrapartida social, serão realizadas ainda duas sessões gratuitas de contação de histórias afro-indígenas nas escolas do bairro, com acessibilidade em Libras. As atividades serão conduzidas pelo artista e pesquisador Marcel Malê e pela cacique Mbyá-guarani Juliana Kerexu, fortalecendo o diálogo entre educação, memória e diversidade cultural.

As ações dialogam com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e reforçam o compromisso com a educação antirracista e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas.

Equipe negra e regional

A equipe técnica é composta integralmente por pessoas negras e por artistas e técnicos residentes em Morretes e no Porto de Cima. Entre os profissionais estão o B.boy e músico Maycon Souza, a atriz e musicoterapeuta Kamylla dos Santos, o percussionista Diorlei Santos, a artista naturalista Isaurina Maria (Sarika), a antropóloga Janaína Moscal, o intérprete de Libras Nathan Sales, além do artista e pesquisador Marcel Malê e da liderança indígena Juliana Kerexu.

A proposta também prevê produção de vídeos documentais sobre o processo formativo e a criação de um catálogo digital de espaços e personalidades negras e indígenas da região.

Cronograma das oficinas

A expectativa é alcançar mais de 10 mil pessoas direta e indiretamente ao longo das atividades formativas, apresentações, produções audiovisuais e ações educativas, fortalecendo redes comunitárias e ampliando o acesso à cultura em territórios historicamente invisibilizados.

arte divulgacao 2

As atividades serão realizadas no Barracão de Festas São Sebastião, em Porto de Cima, entre fevereiro e agosto de 2026. Cada oficina contará com 24 encontros ao longo de seis meses, com quatro aulas mensais.

Segunda-feira

De 23 de fevereiro a 10 de agosto acontece a oficina de desenho para crianças, das 16h30 às 18h30, com Isaurina Maria.

No mesmo período mas à noite, das 19h às 21h, é a vez do desenho para jovens e adultos, também com Isaurina Maria.

Terça-feira

De 24 de fevereiro a 11 de agosto, das 16h30 às 18h30, ocorre a oficina de teatro para crianças, com Kamylla dos Santos.

No mesmo período à noite, das 19h às 21h, acontece a oficina de teatro para jovens e adultos, também com Kamylla dos Santos

Quarta-feira

Entre 24 de fevereiro e 5 de agosto, das 19h às 21h, é realizada a oficina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para jovens e adultos, com Nathan Sales.

Quinta-feira

De 26 de fevereiro a 25 de agosto no período da manhã, das 9h às 11h, acontece a oficina de Breaking para adolescentes, com Maycon Souza. 

No mesmo período mas à noite, das 19h às 21h, é realizada a oficina de turismo de base comunitária e produção de eventos regionais para jovens e adultos, com Janaína Moscal.

Sexta-feira

De 27 de fevereiro a 28 de agosto no período noturno, ocorre a oficina de educação ambiental para adolescentes, com oficineiro e horário a definir.

Sábado

Entre 28 de fevereiro e 29 de agosto, das 8h30 às 10h30, acontece a oficina de construção de instrumentos percussivos com material alternativo, voltada aos participantes a partir de 15 anos, com Diorlei Santos.

Na sequência, das 10h45 às 12h45, são realizados os ensaios do bloco Lata Afro Groove, também com Diorlei Santos, no mesmo período.

Com informações da assessoria de imprensa


Avatar de Alex Vizine

Alex Vizine

Formado em Letras e respectivas Literaturas pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (FAFIPAR) em 2014 e em Pedagogia pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar) em 2018. Desempenha suas funções na Folha do Litoral News desde 2020 como coprodutor (MEI), além de atuar com produções audiovisuais e em radiodifusão no litoral do Paraná. Associado ao Rotary Club de Paranaguá Rocio, ministro da Eucaristia e da equipe de liturgia no Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio.

Fique bem informado!
Siga a Folha do Litoral News no Google Notícias.

Você também poderá gostar