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Ciência e Saúde

Síndrome de Burnout afeta cada vez mais brasileiros

Doença ocupacional causada pelo estresse excessivo no trabalho aumentou na pandemia

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Foto: Ilustrativa/Freepik

A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, foi colocada em destaque recentemente após a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificá-la como doença ocupacional. O cansaço extremo relacionado ao trabalho é uma das características da síndrome que tem afetado cada vez mais a população brasileira, principalmente com a pandemia.

O Janeiro Branco é o mês escolhido para se falar sobre a importância da saúde mental através de campanhas de conscientização. A ação tem como objetivo chamar a atenção para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas.

A psicóloga Silmara Souza Lima, especialista em Gestão Pública em Saúde, explicou que a doença é causada quando a relação com o trabalho acaba se transformando em estresse, ansiedade e nervosismo intensos, levando a pessoa ao seu limite físico e/ou emocional.

“Já havia um aumento gradativo de casos de Burnout antes da pandemia, por conta de mudanças que aconteciam no mundo globalizado. Porém, desde o início da pandemia houve um aumento significativo de casos, pois de forma repentina, muitos profissionais tiveram que mudar drasticamente sua forma de trabalho e se adaptar a novas formas de prestação de serviços, incluindo o home office e teletrabalho”, disse Silmara.

Profissionais mais afetados

Algumas profissões foram mais afetadas, como as relacionadas a área da saúde em geral, principalmente médicos e enfermeiros. “Embora outros profissionais também apresentem uma prevalência como jornalistas, advogados, professores, policiais, bombeiros, carcereiros, psicólogos, assistentes sociais, atendentes de telemarketing, etc”, descreveu a psicóloga.

Segundo ela, a ausência de momentos de relaxamento e características pessoais de perfeccionismo contribuem para o aparecimento de sintomas, pois a mente fica em alerta o tempo todo, causando exaustão. “Algumas vezes, empregos que exigem bastante, cobranças de superiores, condições de trabalho inadequadas, podem também impactar de forma negativa a vida pessoal e profissional”, afirmou Silmara.

Pessoas muito empáticas também estão mais sujeitas ao desenvolvimento da síndrome. “Por trazerem para si a carga emocional de terceiros fazendo assim com que a dor do outro acabe fazendo com que elas se preocupem excessivamente e sobrecarreguem o seu emocional”, acrescentou Silmara.

A importância do descanso

O excesso de trabalho pode causar diversos prejuízos na vida pessoal e profissional. Por isso, a orientação é buscar o equilíbrio entre o trabalho, lazer e vida social, para que haja energia e disposição.

“Na verdade, não seria o descanso que evitaria o Burnout, mas sim o equilíbrio entre as diversas áreas da vida, profissional, social e familiar. Pois é o excesso de preocupação com o trabalho, de ideias perfeccionistas, o de exigências, regras, normas e cobranças, que eu diria que temos que cuidar, para não sobrecarregarmos nosso corpo e mente. Ou a falta de qualidade de vida, de momentos de diversão, de reconhecimento, de vínculos de qualidade e de satisfação no trabalho que também podem criar um ambiente propício para a síndrome de Burnout”, considerou a psicóloga.

Sinais de alerta

Alguns sinais que podem apontar para o início da Síndrome de Burnout são: desmotivação e esgotamento, dores de cabeça, irritabilidade, cansaço físico e mental excessivo, pressão alta, dores musculares, alteração dos batimentos cardíacos, insônia, dentre outros, provocados pelo desgaste e estresse no ambiente de trabalho.

“Esses sinais podem ser observados pelo próprio trabalhador, por colegas de trabalho ou familiares. Mas como Burnout não é uma doença que pode ser detectada por exames laboratoriais, é necessário a avaliação clínica de profissionais que cuidam da saúde mental, como psiquiatras e psicólogos. Pois muitos destes sintomas relatados experienciamos ao longo de nossa vida, mas não necessariamente desenvolveremos a síndrome”, esclareceu Silmara. 

Doença ocupacional

A nova classificação da OMS, que inseriu a Síndrome de Burnout na lista de doenças ocupacionais, foi aprovada e vale desde o dia 1.º de janeiro de 2022. Um estudo realizado pela International Stress Management Association (ISMA-BR) concluiu que o Brasil é o segundo País do mundo com o maior número de pessoas acometidas pela doença.

“A prevenção é um cuidado conjunto, trabalhador/local de trabalho. Pois as causas como citadas acima, estão interligadas. Este reconhecimento traz à tona a questão de saúde mental, que deve ser levada a sério, com ética e respeito profissional no ambiente corporativo. Para manter uma relação saudável com o trabalho precisamos praticar o autocuidado, mantendo um ritmo e qualidade de vida apropriados, uma alimentação e sono saudáveis, praticar atividade física, gostar do que fazemos, respeitar os horários, de trabalho, de descanso, de lazer, ter uma comunicação assertiva, cultivar uma rede de apoio e buscar ajuda profissional quando necessário”, orientou a psicóloga Silmara Lima. 

Assim como, as instituições podem implementar medidas preventivas no local de trabalho, favorecendo um ambiente menos estressante, mais colaborativo, e ético, trazendo um aumento expressivo na qualidade do trabalho desenvolvido por seus colaboradores e evitar problemas futuros relativos às doenças ocupacionais.