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Editorial

Sem “mi mi mi”, o risco de feminicídio é real

Um vídeo divulgado amplamente pelos principais meios de comunicação do País, ontem, repercutiu a agressão de um policial militar de Paranaguá contra a ex-mulher, em uma farmácia onde a moça trabalha.

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Um vídeo divulgado amplamente pelos principais meios de comunicação do País, ontem, repercutiu a agressão de um policial militar de Paranaguá contra a ex-mulher, em uma farmácia onde a moça trabalha. Uma cena que choca. Pelo menos a quem possa imaginar viver a situação ou ter alguém que possa vivenciá-la. E isso é mais comum do que se imagina.

Afinal, a agressão física é um estágio da violência contra as mulheres, que inclui agressão verbal, psicológica e pode culminar em feminicídio. Vale ressaltar que o feminicídio, tão criticado por muitas mulheres e homens, nada mais é que a morte de uma mulher pela sua condição de ser mulher. Ou seja, tratar o feminicídio ou mesmo o feminismo (igualdade entre homens e mulheres) como “mi mi mi” é se omitir de uma condição cultural a que a mulher vivencia a cada dia, a da dominação pelo homem.

É claro que é difícil mudar um pensamento, um comportamento atrelado a uma herança social e cultural, mas é preciso falar sobre o assunto e mais do que isso, orientar quem precisa. Portanto, quem sofre agressão ou violência doméstica deve denunciar. Em casos de grande repercussão, como o do vídeo citado acima, não é necessário que apenas a vítima denuncie e a partir dessa repercussão existe todo um trâmite de inquérito policial e de ordem jurídica a serem cumpridos.

Em Paranaguá, é preciso que seja feito mais pelos representantes do povo. A cidade não possui uma delegacia específica da mulher, não possui casas de acolhimento para as mulheres em situações de vulnerabilidade a esses casos e muito menos a Defensoria Pública, que possibilitaria a mulheres de baixa renda o acesso a um advogado gratuitamente. Ou seja, é preciso repensar as políticas de proteção à mulher e fazer com que projetos saiam do papel e virem realidade.

A Justiça de Paranaguá recebe, por exemplo, um caso por dia de violência doméstica. Ou seja, as estatísticas são alarmantes e se os casos forem relatados como “mi mi mi” pela própria comunidade, as cenas de violência e morte serão infinitas.

É preciso conscientização e ação para denunciar, dialogar sobre o assunto. Pois, como já dizia a escritora Virgínia Woolf, “por muito tempo na história 'anônimo' era uma mulher”. Foi assim que ela denunciou duas deficiências na história da humanidade: a de não reconhecer e não dar espaço à voz das mulheres.

Se vivemos uma nova era, que ela seja de dar voz, vez e dignidade às mulheres.

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