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Dr. José Antonio Westphalen Correa

Especializou-se em Córnea e Doenças Externas no The New York Eye andE ar Infirmary, na cidade de Nova York, publicou vários trabalhos científicos em livros e revistas especializadas. É especialista em ceratocone, cirurgia de catarata, miopia, hipermetropia e astigmatismo. Faz parte também do corpo clínico do Centro Paranaense de Cirurgia Refrativa. E-mail: westphalen@igraefe.com.br

Se o VAR vê e o árbitro não vê... "um olhar sobre Islândia x Argentina"

18 de junho de 2018

Finalmente a tecnologia chega a copa do mundo. E chegou em grande estilo; causando.

Tenho mencionado, em artigos anteriores, que o olho humano é incapaz de acompanhar a velocidade que se encontra o atual estágio do futebol no mundo. A preparação física, os uniformes, peso das chuteiras e a bola, imprimiram ao esporte bretão uma rapidez que antes não existia. Os árbitros e os auxiliares vinham sendo crucificados por erros nos quais os lances só estavam sendo vistos, nos detalhes, pelas várias câmeras de televisão e inúmeras reprises dos mesmos, e analisados pelos comentaristas esportivos e principalmente por antigos árbitros, agora uniformizados também de comentaristas de arbitragem, nos diversos meios de comunicação. Estes se aproveitavam dos recursos de vídeo, e cheios de razão, demonstravam seus conhecimentos da regra analisando o jogo como se nunca tivessem errado.

Pois eis que chega o VAR. Islândia e Argentina fazem a partida do dia no Estádio Spartak em Moscou. Os nórdicos fazem fazem um jogo trancado, aproveitando contra-ataques. Messi, sob o olhar de Maradona, parecia desinteressado e sobrou para Agüero fazer seu primeiro gol em copas do mundo, mas logo após, a Islândia, do cineasta Hannes Halldorsson, empata com Finnbogason.

Mas dois lances chamam a atenção. No primeiro tempo, em bola rasteira cruzada na área, os argentinos pedem penalidade máxima aos 41 minutos quando Sigurdsson interrompe a trajetória da bola deslizando seu corpo sobre o gramado da grande área. A bola desvia em suas pernas, bate no seu braço e sai para escanteio. Nada é marcado. O VAR não é solicitado. Aos 32' do segundo tempo, Pavón é derrubado na área e mais uma vez o árbitro nada marca. Mais uma chance do VAR fazer valer a sua fama. Mas pela interpretação do árbitro, nada houve.

Nesses dois lances capitais, como nada foi marcado e o VAR não foi acionado, fiz a análise dos comentários de dois ex-árbitros de futebol, agora comentaristas, em suas respectivas emissoras. Renato Marsiglia, talvez se aproveitando da "seriedade" do sistema eletrônico, preferiu acompanhar a interpretação do árbitro polonês Szymon Marciniak. No primeiro lance diz que a bola foi desviada na perna do defensor e bateu no braço, sem intenção, ou seja, "bola na mão". Opinião esta também de outro comentarista, Paulo César de Oliveira.

Ora, se a bola bateu na mão do defensor, havendo desvio de trajetória, mesmo após bater em suas pernas, não seria pênalti?
E por fim, no segundo lance mencionado, quando Pavón é derrubado dentro da área, já junto a linha de fundo, Paulo César de Oliveira diz que o árbitro errou ao não marcar a penalidade máxima, posição contrária a de Marsiglia , que seguiu corroborando com o VAR.

Como vemos, mesmo com o olhar eletrônico, muito bem utilizado no jogo entre França e Austrália, onde a justiça foi feita, já não pode-se dizer o mesmo de Islândia e Argentina.

E assim seguimos com as polêmicas e as "injustiças", mesmo tendo a alta tecnologia do VAR ao nosso dispor. Pois ele tudo vê, mas ainda a interpretação do olho humano está a valer mais em alguns casos.

PS: As polêmicas seguiram no jogo Brasil x Suíça, também em dois lances. No gol de empate da Suíça, onde jogadores brasileiros alegam ter havido empurrão em Miranda, e também em penalidade não assinalada em cima de Gabriel Jesus. A CBF quer que a FIFA, que avaliou como correta a arbitragem, dê explicações por que não usou o VAR.

É ótimo que as polêmicas continuem. O futebol agradece...

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