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Arte Pensante

10 de janeiro de 2020

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No último dia 8 comemoramos o Dia da Fotografia, em virtude resolvi prestar singela homenagem aos talentosos fotógrafos que com rara maestria são capazes de perceber e congelar momentos maravilhosos, então, tomo a liberdade de citar Julia Margaret Cameron. No século XIX, estando a fotografia ainda a despertar, surge inesperadamente Julia Margaret Cameron, que aos 48 anos descobriu este meio de registo de imagem, apaixonando-se obcecadamente por ele, tornando-se num marco na história da fotografia. A sua personalidade determinada e o seu espírito empreendedor colocaram-na entre os melhores fotógrafos da época, deixando-nos um espólio fotográfico brilhante e único.

Julia Margaret Cameron e a inovação na fotografia

Julia Margaret Cameron (1815-1879) nasceu em Calcutá, na Índia. Embora tenha sido educada na França até à idade de 19 anos, regressou à Índia em 1838, onde casou com Charles Hay Cameron, jurista e plantador de chá, um homem 20 anos mais velho que ela. Em 1848 o casal e os seus filhos mudaram-se para Inglaterra, integrando-se na vida intelectual e artística de Londres. Quando já contava com 48 anos de idade, Julia Cameron  recebeu de  sua  filha uma máquina fotográfica. Mal sabia ela, que aquele presente iria modificar a sua vida para sempre, passando a dedicar-se à fotografia de corpo e alma. Com a ajuda do seu amigo e mentor, Sir John William Herschel, rapidamente adquiriu o domínio do processo do colódio húmido, começando assim a sua carreira fotográfica. Transformou um galinheiro num improvisado laboratório e em estúdios algumas dependências da sua casa.

Julia Margaret Cameron começou rapidamente a desenvolver um estilo fotográfico distinto, original e invulgar para a fotografia que se fazia na época. As suas fotografias caracterizam-se pelos longos tempos de exposição, a falta de nitidez provocada por um ligeiro desfoque, a supressão de detalhes, as manchas provocadas pelo modo irregular de como aplicava o colódio húmido e pela utilização do simbolismo da iluminação. Todos estes elementos contribuíram para aumentarem a carga de emoção das suas imagens.

Pode-se considerar que a obra fotográfica de Julia Margaret Cameron se divide em duas categorias: os retratos em close-up e as cenas alegóricas baseadas em obras religiosas e literárias (míticas e lendárias). Nas suas imagens salienta-se a preocupação estética, estas eram carregadas de emoção, fruto dos gestos, das expressões dos retratados e da iluminação dramática utilizada.

CITALIARESTAURO

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