Sob o Véu

HÉRCULES E OS DOZE TRABALHOS

Professor Henrique José de Souza

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(continuação…)

Simbolizam os 12 trabalhos as provas iniciáticas por que passava o postulante. Passado o Sol pelas 12 casas zodiacais, concluiu um ciclo astronômico, e todos os ciclos secretos se baseiam no Simbolismo de Hércules. A precessão dos equinócios, ao fim de 25.920 anos, marca um ciclo grande, ligado ao mistério das estrelas polares, ou o “Olho de Druva”, que vela por sua filha – a Terra.

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SENTIDO INICIÁTICO DOS DOZE TRABALHOS

6º – O combate contra a Amazona Hipolita – O sexto trabalho de Hércules é um dos maiores enigmas e representa vividamente o mistério da redenção sexual da humanidade. Jamais foi falado, sobre a Terra, o significado supremo desse símbolo, nem mesmo pelos grandes Instrutores ou Iniciadores que, de ciclo em ciclo, espalham, por entre o gentio de todas as nações, as verdades eternas e seus sentidos remidores. Seria aqui lugar ótimo para desenvolvermos, ante o olhar claro de nossos leitores, comentários amargos sobre o panorama abrasado de guerras e delitos sexuais em que – peregrinos punidos pelas contingências cármicas – nos debatemos. Para tanto, não há espaço nem propósito, pois os leitores podem e devem compreender isso, apenas, volvendo para dentro de si mesmos, meditando e achando, no seu Cristo Interno, o mestre que, qual Virgílio para Dante, lhes mostrará o inferno de sua personalidade e o de quantos ganharam a carne como castigo. É melhor, portanto, discorrermos sinteticamente sobre esse trabalho, oferecendo aos nossos irmãos em Humanidade elementos riquíssimos para meditarem e salvarem-se enquanto é tempo.

Tal trabalho vela o mistério das grandes profântidas que, outrora, no segredo dos santuários, entreviam, na profética tremulina das chamas de Agni, o destino dos homens e dos povos. Essas mulheres, profântidas, sibilas, pitonisas, mulheres divinizadas, ao fim, resguardavam, nos templos, a própria sabedoria representada por Ahura-Mazda, pela luz de “Surya”, pelo ardor de Osíris e pelo amor infinito de Dionísio, expressões várias, porém idênticas, do próprio Verbo, que se há de apresentar no fim desse negro ciclo que entenebrece o mundo, quando vier, no seu flamívomo cavalo alado, o Avatara do País dos Cálquis. Elas estavam relacionadas com o nome da própria rainha das Amazonas – Hipólita. É por isso que vemos as amazonas contrapostas, heroicamente, ao amor humano, em todas as lendas e tradições. Só Hércules, não com sua força bruta, mas por ser o símbolo vivo do próprio mistério, que elas custodiavam, podia vencê-las. Encontramos, perpetuado pelos bardos, nos cantos nórdicos, o portentoso e iniciático Ciclo dos Nibelungos; nele vemos as mesmas amazonas com o nome de Valquírias, filhas de Votã e da deusa Herda, a Mãe Terra (Mater-Rhea ou Matéria), as quais tinham o alcandorado destino de acender, no peito dos imortais, a ânsia da imortalidade, concretizada no heroísmo que os levava a pugnar na eterna liça desse baixo mundo pelo amor ideal de todos os Iluminados – a Fraternidade. Valquírias, Val-Kyrias (Vale dos Kyres, Kurus, etc.), Kuretas, Kyrias, são vocábulos prodigiosos radicados ao Kuru sânscrito, os filhos do sol, a raça eleita das tradições, com o papel de conservar a Ciência Secreta de nossos maiores.

Daí a origem pretérita de Cures ou Torre, Cidade dos Sabinos, fundada por Médio Filho, o Himeia, seus deuses superiores, e termos outorgados como títulos honoríficos ao chefe das cúrias romanas, que recebiam, como símbolo de sua delicada e responsabilíssima função social, uma pequena lança de ferro chamada hasta pura. Essa hasta romana era uma espécie da “Balança da Justiça”, que presidia todas as transações jurídicas do direito quiritário (kyris). Por esses étimos, constata-se que as Valquírias eram a perfeita representação do eterno feminino que corporifica as aspirações nobres, ou seja, a expressão tradicional da própria Sabedoria, veiculada pelas deusas Ísis, Astarteia, Anat, Semíramis, Minerva, Palas Atena, etc. A chave sexual deste símbolo faculta a compreensão da constante luta entre o Homem e a Mulher, permanentemente condicionados à ânsia passional, mas realizando o desígnio oculto da evolução, isto é, praticando sua unificação no Filho, que vem a ser o resultado do choque amoroso. Envoltos nas ondas tumultuárias da paixão, o Homem e a Mulher vão, apesar de tudo, evoluindo até chegarem ao dia da “redenção do pedaço original”, em que eles, harmônicos entre si, desaparecem no Andrógino, devido ao equilíbrio das propriedades solares e lunares de sua tríplice constituição.

7º – A corça Cerinita – Nas montanhas da Arcádia, vivia a corça Cerinita, galhos de oiro e patas de bronze, consagrada a Ártemis pela ninfa Taigeta. Incansável, desafiava todos os caçadores que a perseguiam. Hércules, durante um ano, por montes e vales, perseguiu-a até os Hiperbóreos.

Cansada, a corça retornou sobre seus passos para a Arcádia, onde se refugiou no santuário da deusa. Aí Hércules a alcançou, mas não a matou em atenção aos rogos de Apolo e sua Irmã. A alegoria é clara: a Arcádia, a Arca, onde se conservam as sementes de todo ser vivente, ou seja, os mundos divinos das regiões inferiores, é a mesma terra chamada de Agartha pelos hindus, a Arghya (símbolo da Lua, de onde procedem todos os seres na Terra; hoje se esconde aos olhos obscurecidos dos homens nas invioláveis cidades subterrâneas. Por isso, a corça lunar, já aureolada pelos fulgores do Sol, calca o bronze atlante de que eram feitos os seus cascos; pôde ser consagrada a Ártemis, a Deusa da Pura Luz, à Casta Virgem, que, em tempo algum, conhecera as alegrias do himeneu nem as máculas do amor, representando a própria verdade solar como Taigeta, uma das Plêiades, Mamas ou Amas de Kartikéa, o Salvador, segundo a concepção bramânica, ou melhor, o Chefe dos Guerreiros Celestes – o Akdorge das tradições transimalaias – que virá, cavalgando seu níveo corcel, abrir as portas da cidade de Oiro. Estando a corça Cerinita diretamente ligada à tradição dos atlantes, é patente que Hércules vence no seu sétimo trabalho, o mistério do antigo povo vermelho, cujas relíquias iniciáticas se encontram custodiadas na verdadeira Cidade Eterna (não só por ser eterna, mas também por conter em si a própria eternidade), na Agartha, ou Arcádia, onde, dia e noite, fulguram Apolo e Ártemis, o Deus do Fogo e a Deusa da Luz, expressões da própria Divindade desdobrada, duplicada na maravilhosa e pulquérrima geminação, para consumar o enorme sacrifício da Criação. Esses deuses tinham (e têm), em Hércules, seu próprio rebento ou, para jogarmos com um símbolo conhecido no Ocidente, o Verbo feito carne.

8º – O touro de Creta – Posêidon, o Senhor das Águas, o Netuno latino, ofertou a Minos, Menés, Manu de Creta, um touro, que se tornou furioso, porque o rei não o quis oferecer em sacrifício ao deus. Tornou-se o terror da ilha, até que Hércules o capturou e domou. Evidencia-se, nesse hercúleo trabalho, o furto da lei do Touro, dominante na 4ª sub-raça atlante, a qual tirou seu nome – Torânica ou Turânica – justamente por ter vivido sob o influxo do signo zodiacal de Taurus. Essa lei levantouse no arrebol da nova raça, nascida na Advarsha, o berço dos árias ou Áries, o Carneiro, e dirigida pelo Manu Vaivásvata até as ubérrimas terras de SaptaSindhavas. Até aqui, o símbolo: agora, o seu sentido: em plena raça ariana, Hércules subjuga a tradicional magia atlante, representada no furioso touro, o quaternário inferior.

9º – A hidra de Lerna – Era filha de Tifon (Tiphaon) e de Ecdena (Echdina). Hórrido dragão de sete cabeças, habitava os pântanos marginais de Argos; seu hálito era peçonha que envenenava todo o país e matava quem o respirasse. A cada cabeça, que perdia, nasciam-lhe duas. Corresponde, nas teogonias nórdicas, ao dragão Fafner, que guardava os tesouros dos Nibelungos. É o símbolo das forças brutas da Natureza elementar. É a expressão, sintética e medonha, dos monstros apocalípticos da cadeia lunar (antecedente da nossa Terra), ou, mais claramente, os assuras, não-deuses, os deuses sombrios, que, perpetuamente, assediam os que buscam libertar-se dos caucásicos grilhões que os cativam à roda dos nascimentos e das mortes. É, no final das contas, a infausta sombra do Mal, que se contrapõe à fastigiosa luz do Bem. Tifon e Ecdena tinham, na hidra de Lerna o produto legítimo de suas naturezas. Para matála, Hércules teve o concurso de seu fiel companheiro Iolaos. Este agitou, contra o animal fatídico, o purificador fogo dos archotes, acesos nas trípodes dos templos iniciáticos. Iolaos, a lei de Io, a Lua, Ísis, ou a Sabedoria Iniciática das Idades. Só o fogo sagrado da iniciação espanca as trevas da ignorância.

10º – As aves do lago Stymphale – O vale de Stinfale, enquadrado entre altas montanhas, formava uma bacia onde as águas das neves derretidas empoçavam. Nas suas margens, viviam as monstruosas aves, guerreiras de Ares (o deus da destruição, na mitologia grega), as quais lançavam suas penas como dardos e talavam os campos cultivados, repastando-se de carne humana. Seja qual fiar a etimologia e a tradução que lhe deem os mitólogos, para nós, ocultistas, essas são as aves fálicas que se nutrem da carne sacrificada no carnaval do sexo (Carnaval ou “Carne, vale” – Carne, adeus).

11º – O leão de Némea – Hércules esmaga, entre seus robustos braços, a fera que apavora os habitantes de Nemeia. Arranca-lhe a pele para cobrir seu próprio corpo, como símbolo do sol, que, no signo zodiacal, está em exaltação; por isso, tornase invulnerável com os despojos do leão, consoante reza a mitologia. Os leões ardentes são os deuses da mais alta hierarquia criadora.

Promana deles o hálito vital que anima todas as criaturas e pode espiritualizar os que a eles se chegam. Astrologicamente, o leão é o signo do fogo. Por isso, “Dhâranâ” (primitivo nome da STB, atual SBE) foi fundada a 10 de agosto, quando as Dez Luzes, as Dez Sefiroth se manifestavam em plenitude, porque à STB fora incumbido o Trabalho Mor de preparar os homens – todas as raças aglutinadas na Terra do Fogo Sagrado ou Brasil – para que o próprio Hércules, já como Maitri, pudesse vir a manifestar-se no sublime dia em que Ele, Rei do Mundo, surja avante de seu reino subterrâneo à frente de seu povo, como vaticinado foi no mosteiro de Narabanchi-Kure, pelo ínclito ser enviado de Shamballah, tal qual se pode verificar no livro de Ossendowski, traduzido em todas as línguas cultas – “Bestas, Homens e Deuses”.

12º – Herakles encadeando Cérbero – Finaliza o rosário crucial de seus trabalhos, descendo ao sombrio Tártaro e encadeando Cérbero, o cão de três cabeças, guardião dos reinos inferiores, para mostrar que, na finalização dos “ciclos da necessidade”, todos os homens, já osirificados, habitarão a Terra Interdita. Motivo por que a fraternidade de Kaleb (cão, em árabe), no deserto líbico, situada aos 23º de latitude norte, tem por emblema o cão que resplandece em Sírius. Um dos mais prodigiosos períodos egípcios – o ano sótico – era marcado por Sírius.

A fraternidade de Kaleb, aos 23º de latitude norte, trópico de Câncer, já o dissemos várias vezes e o repetimos agora, é uma das mais veneradas pela Grande Fraternidade Branca, porque, dela, nos dolorosos dias em que magos negros prepararam a múmia de Katsbeth (da hoje redimida princesa atlante Kalibet), saíram os dirigentes da missão – ou Pitis e Alef, como, então, eram chamados na linguagem mística. Prepararam-se lá para operar nos planos oculto e histórico, até virem, após lutas cruentas, estabelecer, aos 23º de latitude sul, essa gloriosa Obra redentora.

Capricórnio – o trópico em que, atualmente, viceja a Árvore da Sabedoria – está ligado ao profundo mistério dos Kumaras, os deuses que deram o mental ao gênero humano. Tendo, a raça ariana, desenvolvido, como lhe competia, o máximo progresso mental, é claro que a apoteose da obra dos Kumaras deveria ser ultimada pela dos “Gêmeos Espirituais”, na Terra Prometida.

Conseguintemente, a Lei da Causalidade exigiu que o Brasil fosse descoberto por quem, através de seu nome, apontasse a representação histórica e oculta dos Kumaras: Cabral.

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