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Semeando Esperança

Um convite à esperança

A Terra conheceu várias eras e a sociedade, guerras e epidemias.

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A Terra conheceu várias eras e a sociedade, guerras e epidemias. O planeta se “refez” e a humanidade tem descoberto caminhos para enfrentar e, em muitos casos, superar estes terríveis flagelos. Diante das consequências da nova pandemia, interroguemo-nos sobre qual futuro surgirá após essa profunda crise. Desabrochará um novo estilo de vida ou estamos apenas aguardamos o momento em que retomaremos o “antigo normal”, marcado, por exemplo, pelas desigualdades sociais, o consumismo desenfreado e a indiferença para com os “invisíveis” da sociedade? Entre posturas pessimistas e otimistas, há espaço também para a sua e a minha, que poderá gerar um “novo normal”. O Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum – o Evangelho do Semeador, Mateus 13,1-23 – é uma luz.

Jesus anuncia o Reino de Deus por meio da parábola do semeador. É, sem dúvida, um convite à esperança. O semeador ocupa-se em lançar as sementes por onde passa: “algumas sementes caíram à beira do caminho, e os passarinhos foram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Porém, o sol saiu, queimou as plantas, elas secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos, os espinhos cresceram e sufocaram as plantas” (Mt 13,4-7). O semeador não poderia escolher melhor o terreno onde lançar suas sementes e negar-se a esparramá-las onde não poderiam crescer e dar frutos? O olhar do semeador, porém, é cheio de esperança! Ele confia na força irreprimível do semear sempre, inclusive quando parece inútil fazê-lo pelas evidentes contrariedades e oposições. Desse modo, a parábola termina afirmando que apesar de todos os obstáculos e dificuldades, haverá uma colheita fecunda: “Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e renderam cem, sessenta e trinta frutos por um” (Mt 13,8).

Enfim, proponho um breve texto de José Antonio Pagola: “Não devemos perder a confiança por causa da aparente impotência do reino de Deus. (…) O Evangelho é a força salvadora de Deus «semeada» por Jesus no coração do mundo e na vida dos homens. Empurrados pelo sensacionalismo dos atuais meios de comunicação, parece que só temos olhos para ver o mal. E já não sabemos reconhecer essa força da vida que se encontra oculta por aparências muito desencorajadoras. Se pudéssemos observar o interior da vida, ficaríamos surpreendidos ao encontrar tanta bondade, entrega, sacrifício, generosidade e amor verdadeiro. Há violência e sangue no mundo, mas cresce em muitos, o desejo de uma verdadeira paz. Impõe-se o consumismo egoísta na nossa sociedade, mas são bastantes os que descobrem o gozo de uma vida simples e partilhada. (…) A energia transformadora do evangelho está aí trabalhando a humanidade”.

Que sementes deixamos cair no terreno de nossas vidas? Quais sementes espalhamos por onde passamos? Ainda que aparentemente insignificantes, todos os gestos de compaixão e solidariedade irão fazer desabrochar um “novo normal”. Sim, há esperança a iluminar as nossas lutas!