Na política, a traição nunca foi exceção. Ela é método, estratégia e, muitas vezes, combustível de sobrevivência. O curioso é que o mesmo ambiente que estimula conspirações de bastidor, acordos subterrâneos e movimentos calculados é o primeiro a apedrejar quem ultrapassa a linha da confiança. O mundo político adora a traição, mas tem horror ao traidor.
Na sucessão ao Governo do Paraná, os corredores já começam a revelar aquilo que os discursos tentam esconder. Há quem abrace hoje pensando em degolar amanhã. Há quem sente à mesa construindo alianças enquanto, discretamente, prepara o jantar do adversário. Em política, a lealdade costuma durar até a próxima pesquisa, a próxima conveniência ou a próxima oportunidade de poder.
Os movimentos silenciosos já começaram. Alguns atores políticos trocam fidelidade por sobrevivência eleitoral; outros negociam princípios em troca de espaço, cargos ou promessas futuras. Tudo embalado em discursos de “renovação”, “projeto coletivo” e “união pelo Paraná”, expressões elegantes que muitas vezes escondem ambições pessoais vorazes.
Mas existe uma verdade antiga que o tempo insiste em confirmar em que o traidor pode até vencer uma batalha, mas raramente conquista respeito duradouro. Porque quem trai um aliado hoje carrega consigo a suspeita permanente de trair novamente amanhã. Na política, confiança quebrada não se reconstrói com marketing, propaganda ou fotografia sorridente.
A conta sempre chega. E chega pesada. Alguns pagarão nas urnas. Outros pagarão no isolamento político. Muitos descobrirão tarde demais que o aplauso dos novos aliados dura pouco quando nasce da conveniência. A política pode até recompensar a esperteza momentânea, mas cobra juros altos da deslealdade.
Em breve, a Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, volta a virar palco de mais uma temporada da velha novela do poder paranaense: sorrisos ensaiados, apertos de mão com prazo de validade e fidelidades que derretem mais rápido que discurso de campanha no verão. Nos próximos capítulos, terá aliado virando adversário, traidor posando de vítima e muita gente descobrindo que, na política, o elevador da glória sobe rápido, mas o tombo costuma ser de escada.





