Das janelas enferrujadas da velha cabine de comando, observo o mar da política paranaense como quem já atravessou tormentas, nevoeiros e até promessas eleitorais que afundaram antes mesmo de deixar o cais. E olha, o vento começou a soprar diferente no convés.
Sandro Alex apareceu no radar crescendo ligeiro, saiu praticamente do nevoeiro absoluto para alcançar 11% das intenções de voto em apenas 30 dias. E o mais curioso para este velho navegador não é nem o tamanho da onda, mas o pouco sal jogado contra o casco com apenas 7% de rejeição.
No velho mapa marítimo das campanhas, isso significa uma embarcação ainda leve, sem cracas demais grudadas na quilha e navegando com margem para ganhar mar aberto.
Já Sérgio Moro navega como grande transatlântico conhecido em todos os portos. Tem quase metade das intenções de voto, mas carrega também um peso maior de rejeição, perto dos 25%. E o Marujo aprendeu cedo que navio muito famoso também atrai mais tempestade, mais canhão e mais “balas de prata” querendo acertar o casco.
Nos botecos eleitorais espalhados pelo litoral político do Paraná, comenta-se que Sandro Alex começa a ocupar o espaço daquele candidato que o eleitor ainda não decidiu se ama, mas também não aprendeu a rejeitar. E política, meus amigos de maré, muitas vezes não é sobre quem grita mais alto no porto, é sobre quem consegue atravessar a tormenta sem afundar.
Também conheço uma velha superstição dos navegadores! Candidato que cresce rápido desperta algo perigoso e poderoso chamado “vento da viabilidade”. É quando prefeitos começam a ajeitar o binóculo, deputados mudam discretamente de mesa no jantar e certas lideranças que ontem fingiam não enxergar o barco passam a perguntar: “capitão, ainda cabe mais um a bordo?”
O que este velho lobo-do-mar percebe é que o cenário mudou. E mudou porque a política, tal qual o oceano, detesta vazio. Quando surge um barco novo navegando com vento favorável e pouca rejeição no casco, o porto inteiro começa a prestar atenção.
Encerro minha análise olhando o horizonte e soltando fumaça do cachimbo porque em eleição, meu filho, navio grande impressiona no cais. Mas às vezes é a embarcação leve que consegue entrar primeiro no porto.
A minha análise foi baseada nos números apresentados pela pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º PR-00323/2026, referente aos cargos de Governador e Senador do Paraná, observando especialmente os índices de intenção de voto, rejeição e potencial de crescimento das candidaturas dentro do atual cenário político paranaense no cenário 2.
Porque na política, assim como no mar, é a maré da opinião pública que decide quais embarcações seguem navegando e quais ficam ancoradas no passado da insegurança.





