O Marujo

Quando o inimigo mora em casa

Na política, às vezes o maior desafio do candidato não está nas urnas, mas na própria mesa da sala

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Dizem que campanha eleitoral é guerra, mas há quem descubra, no meio do caminho, que o verdadeiro campo de batalha começa dentro de casa. É a família opinando mais que marqueteiro, corrigindo discurso no almoço de domingo e, claro, soltando aquelas verdades inconvenientes que nem o adversário teve coragem de usar. Enquanto o candidato tenta construir pontes, sempre tem um parente disposto a jogar uma dinamite, é claro, tudo, obviamente, “pro seu bem”.

E aí entra a sabedoria popular do litoral “parece panela de caranguejo”. Um tenta subir, o outro puxa pra baixo, e no fim ninguém sai do lugar. Se o candidato cresce nas pesquisas, aparece um primo dizendo que ele “mudou demais”; se erra, surge um tio especialista em política que nunca ganhou nem eleição de condomínio, mas garante que faria melhor. No meio disso tudo, o adversário só observa, agradece e, se for esperto, nem gasta muito, pois a família já faz campanha contra de graça.

No final das contas, fica a lição que antes de vencer o oponente, o candidato precisa sobreviver ao próprio grupo de WhatsApp da família e aos encontros de domingo. Porque, convenhamos, quando o fogo amigo é mais intenso que o ataque adversário, não há estratégia que resista. E assim segue a política entre caranguejos e parentes bem-intencionados.

Na política, o adversário até dá trabalho, mas nada se compara ao pitaco da família, que faz campanha, estratégia, nomeia, exonera e ainda muda tudo no almoço de domingo sem nunca ter disputado nem par ou ímpar.


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Marujo

Navegador dos Sete Mares, bem-humorado e com certa dose de picardia

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